O Que é o Batismo com Espírito Santo e Qual o Seu Significado?

O batismo com o Espírito Santo é uma expressão bíblica encontrada no Novo Testamento para denominar o derramamento do Espírito Santo sobre os cristãos como cumprimento das promessas registradas nas Escrituras em conexão com o ministério do Messias. As pessoas também usam de forma similar as expressões “batismo no Espírito Santo” ou “batismo do Espírito Santo”.

A expressão “batizar com o Espírito Santo” aparece quatro vezes nos Evangelhos e duas vezes no livro de Atos dos Apóstolos (Mateus 3:11; Marcos 1:8; João 1:33; Lucas 3:16; Atos 1:5; 11:16). A promessa sobre o batismo com o Espírito Santo encontrou seu cumprimento quando, após a ascensão de Cristo ao céu, o Espírito Santo, conforme havia sido prometido, foi derramado sobre o seu povo no dia do Pentecostes (Atos 2). Entenda o que significa o Pentecostes.

No entanto, existe um grande debate entre os cristãos, especialmente a partir do século 20, sobre o que é o batismo no Espírito, quando e como ele ocorre e qual o seu verdadeiro significado. Basicamente existem duas posições predominantes:

  1. Os que defendem que o batismo com o Espírito Santo é uma experiência distinta da regeneração, algo como um tipo de “segunda benção” que eleva os cristãos a um nível superior de espiritualidade. Nesse caso, nem todos os cristãos são batizados com o Espírito Santo. Estes geralmente são denominados como “pentecostais”.
  2. Os que defendem que o batismo com o Espírito Santo está diretamente ligado à regeneração e a conversão, e sob esse aspecto, todos aqueles que verdadeiramente nasceram de novo necessariamente são batizados com o Espírito Santo. Estes geralmente são denominados como “tradicionais”, isso porque refletem o pensamento predominante no Cristianismo histórico.

O batismo com o Espírito Santo é o cumprimento de promessas

O derramamento do Espírito Santo sobre todo o povo de Deus foi profetizado ainda no Antigo Testamento. Vale saber que naquela época, o Espírito Santo já atuava no povo de Deus, mas capacitava de uma maneira especial para um determinado ministério apenas algumas pessoas específicas.

Foi assim, por exemplo, com Moisés, com os juízes de Israel, com alguns reis e com os profetas (Êxodo 35:30-34; Números 11:16,17; Juízes 3:10; 6:34; 1 Samuel 16:13,14; 2 Samuel 23:2; Neemias 9:30; etc.).

Receber Estudos da Bíblia

Todavia, ainda no tempo do Pentateuco, Moisés já faz um apelo sobre quão bom seria se o Senhor derramasse seu Espírito sobre todo seu povo (Números 11:29). Mais tarde, através do ministério do profeta Joel, Deus faz a seguinte promessa: “E acontecerá depois que derramarei o meu Espírito sobre toda a carne” (Joel 2:28).

Existem várias profecias sobre o batismo do Espírito Santo. O profeta Isaías, por exemplo, também profetizou sobre o derramamento do Espírito, ao dizer que haveria um dia em que o Espírito Santo seria derramado sobre todo o povo de Deus provendo uma grande restauração (Isaías 32:15) Depois, Deus usou o mesmo profeta para apontar para essa promessa (Isaías 44:3).

Já no Novo Testamento, o profeta João Batista fala sobre as promessas do batismo no Espírito Santo, relacionando-as com a vinda do Messias, e inclusive conectando-as com o juízo de Deus assim como fez Joel (Mateus 3:11; cf. Joel 2:30-32). Mais tarde, o próprio Jesus também falou aos seus discípulos sobre a promessa de que eles seriam batizados com o Espírito Santo (Lucas 24:49; Atos 1:4,5).

O derramamento do Espírito Santo no dia do Pentecostes foi o cumprimento dessas profecias. De forma bastante explicita, o apóstolo Pedro utilizou exatamente a profecia de Joel para apontar que ali se cumpria as Escrituras, e que o tempo da Nova Aliança, os últimos dias, haviam chegado (Atos 2:16:21).

Quem batiza com o Espírito Santo?

Jesus é quem batiza com o Espírito Santo. Não é raro encontrar indivíduos que afirmam possuir um “dom especial” de batizar pessoas com o Espírito Santo. Entretanto, a Bíblia é suficientemente clara ao afirmar que apenas Jesus Cristo tem poder para batizar com o Espírito Santo.

João Batista foi o último e mais importante dos profetas (Lucas 7:24-28; 16:16), mas quando falou sobre o batismo com Espírito Santo, ele apontou para o Messias como sendo aquele infinitamente mais poderoso do que ele e que tem o poder de batizar com o Espírito Santo (Mateus 3:11).

Essa interpretação de João Batista está completamente de acordo com as Escrituras. O profeta Isaías profetizou sobre o Messias como sendo aquele que possui o Espírito do Senhor Deus para anunciar a restauração, ou seja, apenas quando Ele viesse o Espírito Santo seria derramado (Isaías 61).

Durante seu ministério, o próprio Jesus se identificou como sendo aquele sobre o qual Isaías profetizou (Lucas 4:18-21). O Espírito Santo não é uma coisa que as pessoas podem manipular, ao contrário, Ele é Deus, a Terceira Pessoa da Trindade, o Consolador enviado do Pai e do Filho (João 15:26). Saiba mais sobre quem é o Espírito Santo.

As diferentes interpretações sobre o batismo com o Espírito Santo

O batismo com o Espírito Santo é interpretado de maneiras diferentes dentro do Cristianismo. Alguns entendem que o batismo com o Espírito Santo ocorre por ocasião da regeneração e que todos os cristãos experimentam, enquanto que outros defendem que o batismo com o Espírito Santo é uma experiência posterior à regeneração e nesse caso nem todos os cristãos desfrutam dela.

A primeira posição de fato é mais tradicional dentro do Cristianismo histórico, sendo defendida na atualidade especialmente pelas igrejas geralmente denominadas “Reformadas” ou apelidadas de “tradicionais”. Já a segunda posição ganhou força com o surgimento do movimento pentecostal no início do século 20 nos Estados Unidos, e causou grande impacto, inclusive nas Igrejas Reformadas, a partir da década de 60 com o movimento carismático.

A seguir, de forma bem resumida, iremos conhecer os pontos principais do que cada linha de interpretação defende. Aqui não entraremos no campo das experiências pessoais, apenas apontaremos a forma com que cada linha entende o assunto.

O batismo com o Espírito Santo na visão Pentecostal

Dentro do movimento Pentecostal o batismo com o Espírito Santo é visto como sendo uma bênção diferente da regeneração, de modo que alguns grupos utilizam a expressão “segunda bênção” para designá-lo. Os pentecostais entendem que todo aquele que nasceu de novo já possui o Espírito Santo (cf. Colossenses 3:2; Efésios 1:13), mas não necessariamente são batizados com o Espírito Santo, de modo que é preciso buscar esse batismo com diligência.

Quanto ao propósito do batismo com o Espírito Santo dentro do pentecostalismo, ele pode ser visto sob dois aspectos diferentes. No pentecostalismo clássico, primeiramente o batismo com o Espírito Santo estava diretamente ligado ao conceito de santificação. Inclusive, em alguns círculos pentecostais, o batismo com o Espírito Santo estava relacionado à ideia de perfeccionismo cristão.

Com o tempo, a posição predominante dentro do pentecostalismo passou a ser a de que o batismo com Espírito Santo está relacionado à capacitação de crentes com os dons para o ministério, ou seja, sob esse aspecto, o batismo com o Espírito Santo é uma obra especial operada pelo próprio Espírito no crente concedendo-lhe poder para sua vida e seu ministério cristão.

Em outras palavras, segundo esse entendimento o batismo com o Espírito Santo implica num revestimento de poder que auxilia o crente em sua nova vida, edificando-o interiormente e ajudando-lhe a ter uma conduta vitoriosa e que possa testemunhar com autoridade sobre sua fé em Cristo. Entretanto, esse revestimento implica numa experiência singular que eleva os que o recebem a outro nível espiritual.

Para defender a ideia de que o batismo com o Espírito Santo é uma benção distinta da salvação, os pentecostais recorrem a algumas passagens do livro de Atos dos Apóstolos nas quais eles apoiam os pontos básicos de sua doutrina sobre o assunto, concluindo que:

1) As pessoas que receberam o batismo com o Espírito Santo já eram crentes, ou seja, elas já tinham sido regeneradas quando receberam o dom do Espírito. Os principais exemplos utilizados são: os próprios apóstolos (Atos 2); os samaritanos que já tinham recebido a Palavra de Deus e sido batizados em nome do Senhor Jesus, mas somente receberam o Espírito Santo após os apóstolos orarem por eles (Atos 8:14-17); o caso do centurião Cornélio que já era temente a Deus (Atos 10:44-46); e o episódio envolvendo os discípulos de João Batista (Atos 19:1-6).

2) Como o batismo com o Espírito Santo é diferente da regeneração, isso indica que pode haver um hiato de tempo entre um e outro. Para defender esse ponto, geralmente utiliza-se o exemplo da conversão de Paulo, onde somente depois de três dias o Espírito Santo foi derramado sobre ele (Atos 9:1-18). Os pentecostais admitem que ambos, conversão e batismo com Espírito Santo, podem ocorrer juntos, mas também afirmam que pode haver a possibilidade de um crente regenerado nunca receber essa outra bênção. Assim, embora num nível todos os cristãos possuam o Espírito Santo, em outro apenas alguns são realmente dotados do poder do Espírito.

3) A evidência externa e necessária do batismo com o Espírito Santo é o falar em línguas. Essa afirmação se baseia especialmente no que aconteceu no Pentecostes (Atos 2), no derramamento do Espírito Santo na casa de Cornélio e em Éfeso com os doze seguidores de João Batista (Atos 10:46; 19:6).

Também é verdade que dentro do próprio pentecostalismo existe muita divergência de pensamentos quando o assunto é o batismo com o Espírito Santo. Alguns, por exemplo, consideram que o falar em línguas não necessariamente seja uma evidência obrigatória do batismo, admitindo que alguém pode ser batizado com o Espírito Santo e não falar em línguas.

Outro exemplo é a distinção com relação nomenclatura. Para alguns, o batismo “no”, “em”, “pelo”, “do” e “com” o Espírito Santo são definições similares, mas para outros ser batizado pelo Espírito Santo é ser regenerado, e desse modo todos os cristãos o são, enquanto que e ser batizado com o Espírito Santo é aquilo que todos devem buscar como uma bênção adicional.

O batismo com o Espírito Santo na visão Tradicional

Dentro do Protestantismo histórico, geralmente o batismo com o Espírito Santo foi entendido como pertencendo à própria bênção da salvação, ocorrendo com a regeneração e a conversão. Aqui se apela especialmente para a realidade de que o termo “batismo” implica na ideia de “inicialização”, isto é, um “rito de passagem”.

Dessa forma, ao ser batizado com o Espírito Santo o cristão é iniciado na Fé Cristã, ou seja, é introduzido à comunidade dos fiéis e passa a pertencer ao Corpo de Cristo, a Igreja. Assim como ocorre entre os pentecostais, dentro da visão tradicional também existem diferenças entre seus defensores.

Há vários estudiosos dessa linha, por exemplo, que defendem que é errado considerar o batismo com o Espírito Santo como algo limitado exclusivamente ao novo nascimento, mas é necessário enfatizar a ação do Espírito Santo trabalhando no regenerado além do novo nascimento, concedendo um revestimento que pode ser percebido no aspecto experimental, ou seja, todas as vezes que Espírito Santo foi derramado no livro de Atos dos Apóstolos, os cristãos experimentaram um poder extraordinário que capacita o povo de Deus para cumprir o ministério que Cristo confiou à Igreja.

Com base nessa verdade inegável, muitos têm proposto que talvez a terminologia “batismo” não seja a mais adequada para se referir a essa questão, mas algo como “revestimento”, “capacitação” ou “enchimento” seriam termos mais indicados tanto para enfatizar a doutrina de que todos os cristãos genuínos possuem o Espírito Santo, quanto para preservar a realidade de que a experiência prometida acerca do derramamento do Espírito Santo não se limita unicamente ao ato da regeneração, mas que se estende além desse ponto inicial, de modo que os cristãos devem buscar encher-se do Espírito Santo mais e mais durante suas vidas cristãs.

De forma bem resumida, os principais pontos defendidos por quem adota essa visão tradicional são:

1) O livro de Atos narra um momento único na história da Igreja, que é a transição entre Antiga Aliança e a Nova Aliança. Portanto, nesse momento histórico específico existiam pessoas já regeneradas e convertidas nas quais o Espírito Santo habitava, mas que ainda precisavam receber o derramamento do Espírito Santo como cumprimento das promessas e capacitação para cumprir o ministério cristão.

3) As profecias sempre falam a respeito de que o Espírito Santo seria derramado sobre todo o povo de Deus, e não apenas sobre alguns (Números 11:29; Joel 2:28). Isso significa que embora existam pessoas que experimentam um revestimento maior do Espírito Santo do que outras devido à forma com que trabalham sua vida cristã buscando mais diligentemente ser guiadas pelo Espírito, isso não implica que existam duas classes de cristãos: os que recebem o batismo com o Espírito como uma segunda benção; e os que não recebem, sendo então crentes mais fracos, menos espirituais, e privados de uma experiência mais intima com Deus.

4) O apóstolo Paulo falou explicitamente que todos aqueles que fazem parte da Igreja foram “batizados em um mesmo Espírito” exatamente em um texto em que trata da experiência dos crentes com relação aos dons espirituais (1 Coríntios 12:13). Isso implica que não é preciso que os cristãos recebam uma segunda benção que os qualifique a um novo nível espiritual, mas apenas que busquem com zelo os dons espirituais que já estão disponíveis a todos estes que são habitados pelo Espírito Santo (1 Coríntios 12:31).

5) É estranho que em nenhum lugar nas epístolas do Novo Testamento haja uma ordem para que os cristãos busquem um batismo com o Espírito Santo com a evidência inicial de falar em línguas estranhas. Por outro lado, há várias referências que aconselham os cristãos a viverem sob o controle do Espírito Santo, se submetendo a sua vontade, sendo revestidos do seu poder e capacitados mais e mais para testemunhar a Cristo ao mundo.

6) Se por “batismo” entende-se “capacitação”, “revestimento” ou “enchimento” do Espírito, não como uma segunda bênção que separa os super crentes, mas como algo que todo cristão experimenta ao ser “imerso” no Espírito Santo, então esse é um conceito bíblico. No entanto, os cristãos são aconselhados a buscar esse “enchimento” do Espírito Santo repetidas vezes durante suas vidas, e não apenas numa única experiência que tem o valor de uma “bênção complementar” e posterior a obra da salvação (Efésios 5:18).

7) Há apenas três relatos no Novo Testamento de cristãos que após o Espírito Santo ter sido derramado falaram outras línguas (Atos 2; 10; 19). Isso aconteceu porque o falar em línguas constituía um sinal que atestava que aquelas pessoas foram inseridas como parte da Igreja, especialmente para afirmar que não havia mais distinção entre judeus e gentios, e que o Evangelho deveria ser pregado a todos os povos, línguas e nações. Em todas as outras conversões, apesar do “dom do Espírito” ter sido derramado sobre os convertidos, não há qualquer informação de que estes imediatamente falaram em línguas (Atos 2:41; 8:38,29; 9:18; 16:15).

8) Em nenhum lugar os escritores bíblicos falam que as línguas servem de evidencia do batismo com o Espírito Santo, ao contrário, quando são tratadas por Paulo, as línguas são colocadas como um dom ao lado dos outros, e que o Espírito Santo distribui como quer a quem quer.

O que podemos concluir sobre o significado do batismo com o Espírito Santo?

Vimos bem resumidamente as diferentes interpretações que os cristãos sustentam acerca do que é o batismo com o Espírito Santo e qual o seu significado. Apesar das diferenças, é correto dizer que todos os cristãos verdadeiros, sejam pentecostais ou tradicionais/reformados, têm em comum um mesmo desejo: servir ao Senhor com diligência, e através da plenitude do Espírito Santo ser capacitado com o poder de Deus para o ministério do Evangelho, tendo uma vida de vitória sobre o pecado e refletindo o caráter de Cristo numa conduta pautada pela palavra de Deus para que seja visível o fruto do Espírito Santo em suas vidas.

Concordo com o R. C. Sproul quando ele diz que “de maneira geral, as diferentes igrejas concordam que o significado do batismo do Espírito Santo é capacitar o povo de Deus para cumprir o ministério que Cristo confiou à sua Igreja”. Ele vai ainda mais além ao afirmar que todos os redimidos recebem o Espírito Santo, não somente através da regeneração e da própria habitação do Espírito em si mesmo, mas também na dádiva de poder participar no ministério de Cristo como parte de seu corpo.

Portanto, não é uma discussão sobre o que é o batismo com o Espírito Santo que deverá servir de motivo para dividir a Igreja do Senhor. Infelizmente representantes de ambos os grupos têm ridicularizado uns aos outros, o que indica que tais pessoas, de ambos os lados, realmente não compreenderam o principal significado do batismo com o Espírito Santo, que certamente é unir, em um só Corpo, para uma vida de santidade, aqueles que foram redimidos pelo Senhor Jesus. A ordenança bíblica é a mesma para todos: “Enchei-vos do Espírito!” (Efésios 5:18).

Tag
Artigos relacionados

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Close