É Pecado Ser Rico?

Ser rico não é pecado, da mesma forma como ser pobre também não é. Mas a Bíblia adverte claramente sobre o perigo em desejar ser rico, especialmente quando esse desejo está movido pelo amor ao dinheiro (1 Timóteo 6:9,10). Isso significa que a riqueza pode ser muito perigosa. Ela pode se tornar um motivo de pecado.

Os textos bíblicos condenam explicitamente o amor ao dinheiro e reprovavam àquelas pessoas que colocam as riquezas num lugar superestimado em suas vidas. Esse tipo de atitude é tão freqüente que Jesus diz que “dificilmente um rico entrará no Reino dos Céus” (Mateus 19:23).

Além disso, obviamente a Palavra de Deus condena o enriquecimento ilícito. Se uma pessoa enriquece de forma errada e fraudulenta, então nesse caso ser rico é pecado; não pelo dinheiro em si, mas pelos meios pecaminosos que tal pessoa se valeu para alcançar sua condição econômica.

Ser rico não é pecado, mas jamais ame as riquezas

Muitos personagens bíblicos eram ricos. Os patriarcas Abraão, Isaque e Jacó, por exemplo, eram homens que possuíam muitos bens. Inclusive, José, o filho de Jacó, pela vontade do Senhor chegou a ser governador do Egito; e isso obviamente implicava numa posição de riqueza.

Boaz, marido de Rute, também era um homem rico e importante. O profeta Daniel é outro exemplo de alguém que apesar de ser estrangeiro numa terra estranha, alcançou uma posição política muito importante no Império Babilônico e provavelmente teve acesso a riquezas.

Além disso, quando se fala em homens ricos na Bíblia, é impossível não falar do rei Salomão. A Bíblia diz que o peso do ouro que Salomão recebia num único ano alcançava seiscentos e sessenta e seis talentos (1 Reis 10:14). Isso equivalia a mais de 22 toneladas de ouro!

Mas a Bíblia também fala de pessoas que tropeçaram em suas riquezas. Um dos exemplos mais claros nesse sentido é o daquele jovem rico que se encontrou com o Senhor Jesus. Ele queria seguir Jesus e até chegou afirmar seu compromisso com a Lei. Mas quando Jesus lhe disse para abrir mão de suas riquezas, ele não foi capaz de atender a esse pedido (Mateus 19:16-22).

Isso significa que o problema daquele jovem não era a riqueza em si; mas era o amor que ele dedicava a ela. Aquele jovem rico enxergava seu dinheiro como um deus, e não foi capaz de negá-lo diante do verdadeiro Deus. Ninguém pode servir a dois senhores. É impossível servir a Deus e a Mamom ao mesmo tempo.

Há pessoas que fatalmente colocam seus bens acima de todas as coisas; colocam seu dinheiro numa posição que deve pertencer somente a Deus. Esse tipo de comportamento avarento também configura idolatria e acaba sendo abominável perante o Senhor.

Ser rico não traz verdadeira satisfação

O mesmo Salomão que foi um dos homens mais ricos da História, sabiamente escreveu: “Quem ama o dinheiro jamais dele se fartará, e que ama a abundância nunca se farta de renda; também isto é vaidade” (Eclesiastes 5:10).

Pessoas que colocam toda sua atenção no dinheiro em algum momento acabam frustradas. A riqueza pode trazer no máximo apenas um contentamento superficial, vazio e passageiro (Provérbios 23:5).

O apóstolo Paulo também escreve que “os que querem ficar ricos caem em tentação, e cilada; e em muitas concupiscências insensatas e perniciosas, as quais afogam os homens na ruína e perdição. Porque o amor do dinheiro é raiz de todos os males; e alguns, nessa cobiça, se desviaram da fé e a si mesmos se atormentaram com muitas dores” (1 Timóteo 6:9,10).

Além dos avarentos, a Palavra de Deus também condena àquelas pessoas que enriquecem de forma ilícita. O mesmo texto que diz que os avarentos não herdarão o Reino de Deus, igualmente diz que os ladrões, corruptos e estelionatários também não herdarão (1 Coríntios 6:10).

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Como o crente deve tratar as riquezas?

Em primeiro lugar, o crente deve saber que o propósito de Deus não é fazê-lo rico nesta terra. É verdade que Jesus veio para que tenhamos vida em abundância, mas essa vida abundante nada tem a ver com riquezas terrenas (João 10:10).

Infelizmente homens gananciosos têm distorcido as Escrituras e anunciado um falso evangelho de riquezas e prosperidades nesta terra. Esses homens dizem que se você é pobre, então algo está errado com você e com a sua fé.

Os defensores da teologia da prosperidade acabam caindo no mesmo erro de alguns religiosos judeus dos tempos bíblicos que pensavam que ser rico era sinal de aprovação divina; enquanto ser pobre era sinal de punição pelo pecado.

Definitivamente não há nada de errado em ser pobre! O próprio Jesus durante seu ministério terreno não era uma pessoa rica, e seus apóstolos também eram homens pobres. Há homens ímpios que são muito ricos, e cristãos piedosos que são muito pobres. Deus derrama de sua graça comum sobre todos; Ele faz com que o sol nasça sobre homens bons e maus; e que a chuva caia sobre justos e justos e injustos (Mateus 5:45).

Além disso, a Bíblia diz que “melhor é o pouco com o temor do Senhor, do que um grande tesouro onde há inquietação” (Provérbios 15:16). É claro que Deus pode abençoar algumas pessoas de entre o seu povo com riquezas nesta terra.

Essas pessoas, porém, jamais devem enxergar as riquezas como a finalidade última de suas vidas. Ao contrário disso, elas devem usar seus bens com sabedoria de modo que possam contribuir com a expansão do Reino de Deus na terra. Assim, elas estarão acumulando as verdadeiras riquezas espirituais (cf. Lucas 16:1-9).

Em segundo lugar, aqueles cristãos que buscam conseguir uma condição financeira melhor para si e para sua família através do trabalho honesto devem saber que, de fato, sua busca é legítima (Eclesiastes 5:19). Mas eles devem ficar longe do risco de dar a essa busca uma importância que não lhe é devida.

O escritor de Provérbios aconselha seus leitores a ter bom senso e não esgotar suas forças tentando ficar rico (Provérbios 23:4). Aqui os crentes podem se lembrar da exortação do Senhor Jesus de que devem buscar primeiro o Reino de Deus e a sua justiça. Eles devem saber que todas as demais coisas necessárias a sua sobrevivência, lhes serão acrescentadas (Mateus 6:33).

Em terceiro lugar, quando o assunto é gerir riquezas, todo cristão pode aprender muito com a história de Jó. Ele soube ser rico e também soube perder tudo; soube ser abençoado e também soube ser provado. Tanto sua riqueza quanto sua pobreza não o impediu de enxergar a providência de Deus em tudo e render a Ele a glória devida (Jó 1:21).

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