A Filha de Jairo e a Mulher Hemorrágica | Devocional

E eis que chegou um homem de nome Jairo, que era príncipe da sinagoga; e, prostrando-se aos pés de Jesus, rogava-lhe que entrasse em sua casa;
Porque tinha uma filha única, quase de doze anos, que estava à morte. E indo ele, apertava-o a multidão.
E uma mulher, que tinha um fluxo de sangue, havia doze anos, e gastara com os médicos todos os seus haveres, e por nenhum pudera ser curada,
Chegando por detrás dele, tocou na orla do seu vestido, e logo estancou o fluxo do seu sangue.
(Lucas 8:41-44)

Jesus atravessou o mar da Galiléia e foi recebido em Cafarnaum por uma enorme multidão que o esperava. Então um homem, por nome de Jairo, que era chefe da sinagoga, veio e prostrou-se diante de Jesus suplicando-lhe que fosse até a sua casa, pois sua filha estava a ponto de morrer. O chefe da sinagoga tinha responsabilidades sociais e religiosas muito importantes, incluindo não apenas a manutenção do edifício, como também o bom andamento dos serviços e a escolha das leituras da Torá.

Entre a multidão estava uma mulher que sofria havia doze anos de uma hemorragia. A Bíblia não relata seu nome nem sua idade, só nos diz que ela já tinha gastado todo o seu dinheiro com os médicos em busca da cura, mas de nada adiantou. No judaísmo, quem sofria com fluxo de sangue era considerado imundo e excluído pela sociedade. Não podia tocar nas outras pessoas e nem ser tocado. A questão era tão grave que os objetos usados por alguém com hemorragia perdiam o seu valor.

Essa mulher era rejeitada pela sociedade, era considerada impura, portanto, impedida de participar das celebrações e de entrar no Templo para adorar. Também não sabemos se ela era casada ou solteira, mas, segundo a Lei judaica, a mulher que sofria com esse tipo de doença não podia relacionar-se com o marido. Se ela era uma mulher casada, seu casamento então já devia estar arruinado há doze anos. Caso fosse solteira, o casamento certamente era um sonho muito distante, ou até mesmo impossível.

A Bíblia nos relata que ela ouviu falar de Jesus, ouviu falar sobre os maravilhosos milagres que Jesus fazia. Contra todas as impossibilidades, essa mulher nos ensinou que a fé verdadeira resulta em ação, uma ação que não se resumiu apenas no “tocar”, mas que começou quando ela pensava consigo mesma: “Se eu apenas tocar no manto dEle, serei curada”. E, de fato, logo ao tocar em Jesus ela foi totalmente curada. Jesus sentiu imediatamente que algo havia ocorrido, que dEle havia saído poder. Então Ele perguntou: “Quem me tocou?”. A mulher então caiu aos pés de Jesus e contou-lhe o que ela havia feito.

Jesus identificou a mulher publicamente, elogiando-a por sua fé e declarando a todos que ela havia sido curada. Essa declaração de Jesus a respeito da mulher teve uma importância muito grande, pois a tornou livre diante da sociedade. Somente após essa declaração é que a benção dessa mulher ficou completa. Ela foi curada fisicamente, emocionalmente e espiritualmente. Finalmente ela estava livre.

Enquanto a mulher recebia o seu milagre as coisas ficavam mais difíceis para Jairo. Ele havia se arriscado para estar ali, junto de Jesus, mas logo recebeu a notícia de que mais nada poderia ser feito, pois sua filha estava morta. O relato dessa história começou com Jairo, mas uma mulher com um fluxo de sangue invadiu a cena e chamou a atenção de Jesus. Ao receber a notícia, quem sabe Jairo pôde ter pensado que, se aquela mulher não tivesse tomado tempo do Mestre, eles teriam chegado a casa enquanto a menina ainda estava viva. Não sabemos o que se passou com Jairo, sabemos apenas que ele continuou junto de Jesus. Sua perseverança foi recompensada, e ele foi confortado pelas doces palavras do Mestre: “Não tenha medo, crê somente”.

Quando chegou a casa de Jairo, Jesus perguntou o porquê de tanta lamentação, pois a menina estava apenas dormindo. Aos olhos humanos a morte é o fim, é a maior das impossibilidades, mas aos olhos de Cristo a morte não passa de um simples sono, que pode ser interrompido com apenas uma simples palavra de Sua boca. Foi assim também com Lázaro.

A mulher hemorrágica sofria com a dor da doença há doze anos. Jairo sofria com a dor recente da perda de sua filha que tinha doze anos. Talvez sua aflição já tenha passado dos doze anos, ou talvez esteja apenas começando como a de Jairo. Aquela mulher poderia ter sido curada antes dos doze anos de espera, mas não foi. Jairo poderia ter sido poupado da terrível notícia sobre a morte, mas também não foi. Deus tinha outros planos. Devemos entender que o tempo de Deus é diferente do nosso, que a vontade d’Ele não é a nossa. Seja como for, esteja com os olhos em Cristo, confiando sempre em Seu poder. Leia também um estudo sobre a mulher do fluxo de sangue.