Quem é o Filho da Perdição e o Que Significa Essa Expressão?

“Filho da perdição” é uma expressão que aparece explicitamente duas vezes na Bíblia para designar dois personagens: Judas Iscariotes e o Anticristo escatológico. As duas passagens em questão estão localizadas no Novo Testamento, em João 17:12 e 2 Tessalonicenses 2:3.

O significado da expressão “filho da perdição”  

A sentença “filho da perdição” é um semitismo, uma expressão comum entre os judeus que transmite o sentido de expressar o destino, a característica ou qualidade de alguém. Na Bíblia encontramos outras expressões semelhantes a essa, como por exemplo, “filhos da desobediência”, “filhos do inferno”, “filhos de Belial“, e, em contraste, “filhos da luz”, etc. (cf. 1 Samuel 2:12; Mateus 9:15; 23:15; Lucas 10:6; 1 Tessalonicenses 5:5).

Como foi dito, duas pessoas diferentes aparecem na narrativa bíblica sendo designado com essa expressão. O primeiro é Judas Iscariotes, o discípulo que traiu o Senhor Jesus. Ele recebe esse título na oração em que Jesus faz ao Pai, onde Ele se refere ao fato de que havia guardado aqueles que eram seus, de modo que nenhum havia se perdido, com exceção do “filho da perdição, para que se cumprisse a Escritura” (João 17:12).

É importante entender que nessa frase Jesus não estava dizendo que todos foram guardados exceto Judas, como se nesse caso Ele próprio houvesse falhado na missão que o Pai havia lhe conferido. Ao contrário disso, Jesus está dizendo que todos foram guardados, mas o filho da perdição de fato se perdeu, conforme havia sido profetizado nas Escrituras, isto é, conforme o decreto eterno de Deus.

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Entendemos melhor essa questão na oração dos apóstolos registrada no livro de Atos, quando o lugar deixado por Judas foi ocupado pelo apóstolo Matias, onde lemos: “Tu, Senhor, conhecedor dos corações de todos, mostra qual destes dois tens escolhido, para que tome parte neste ministério e apostolado, de que Judas se desviou, para ir para o seu próprio lugar” (Atos 1:25).

Essa mesma expressão também é utilizada pelo apóstolo Paulo para se referir ao Anticristo em 2 Tessalonicenses 2:3. Além disso, o apóstolo ainda acrescenta que esse homem é “o homem da iniquidade” e “aquele que se opõe”. Todas essas expressões indicam que ele será uma personificação do mal, uma personificação da rebelião contra o próprio Deus, vindo “segundo a eficácia de Satanás” (2 Tessalonicenses 2:9).

Algumas pessoas identificam Judas Iscariotes com esse homem que aparecerá nas vésperas do retorno de Cristo, no sentido de que ele seria o próprio Judas redivivo, mas essa interpretação não encontra qualquer fundamentação bíblica.

O que os dois têm em comum, e por isso cabe-lhes bem a designação “filhos da perdição”, é o fato de que ambos são opositores de Cristo e são levados à ruína e condenação eterna por isso. Assim, sem dúvida Judas Iscariotes foi um tipo de anticristo, mas haverá o “Judas final”, isto é, o Anticristo escatológico, que tal como o traidor do Senhor Jesus, encontrará seu lugar de perdição eterna no lago de fogo (cf. Atos 1:25; Apocalipse 17:8,11).

Portanto, a expressão “filho da perdição” significa alguém absolutamente perdido, que, por sua completa oposição e rebelião ao Senhor, está designado para a perdição eterna. Sob esse aspecto, esse título também é apropriado a todos aqueles que não creem no Filho de Deus (João 3:18).

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