Estudo Bíblico de Gênesis 46

Gênesis 46 registra a ida de Jacó e toda sua família ao Egito. O estudo bíblico de Gênesis 46 ainda mostra o reencontro de Jacó e José depois de muitos anos de separação. José foi vendido por seus irmãos a comerciantes ismaelitas que, por sua vez, o repassaram como escravo no Egito. Com isso os irmãos de José deixaram com que Jacó pensasse que José havia sido devorado por um animal selvagem.

Gênesis 46 também é o capítulo que marca a última seção do livro de Gênesis. O texto de Gênesis termina finalizando a história de Jacó e preparando o contexto que introduz o livro de Êxodo.

Um esboço de Gênesis 46 pode ser definido da seguinte forma:

A casa de Jacó desce ao Egito (Gênesis 46:1-7)

Em Gênesis 45 lemos sobre como José finalmente revelou sua identidade a seus irmãos no Egito. Depois de ter sido vendido como escravo por eles, agora o filho de Jacó ocupava o posto de governador do Egito, apenas abaixo de Faraó em autoridade. Antes de revelar sua identidade, José tratou de aplicar uma série de testes a seus irmãos. Esses testes provaram que eles tinham mesmo mudado.

Então Gênesis 46 inicia justamente mostrando a partida da casa de Jacó da terra de Canaã rumo ao Egito. Antes, porém, Jacó passou em Berseba e ali ofereceu sacrifícios a Deus (Gênesis 46:1). Berseba era o lugar onde Abraão, Isaque e o próprio Jacó já tinham adorado ao Senhor em outras ocasiões (cf. Gênesis 21:32,33; 26:23-25; 28:10-15).

O texto bíblico de Gênesis 46 ainda diz que em Berseba Deus falou com Jacó em visões a noite. Aquele era um momento decisivo, pois a família da aliança estava partindo da Terra Prometida.

Mas Deus reafirmou as promessas da aliança e garantiu que a casa de Israel não ficaria abandonada no Egito. Deus cuidaria dos descendentes de Abraão no Egito e ali haveria de fazer deles uma grande nação. O Senhor ainda prometeu que faria os israelitas subir do Egito, e confortou Jacó dizendo que seu querido filho, José, estaria ao seu lado no momento de sua morte (Gênesis 46:2-4). Jacó levantou-se de Berseba e partiu com toda sua família para o Egito nos carros que Faraó disponibilizou para levá-los.

A lista dos descendentes de Jacó (Gênesis 46:8-27)

Na sequência de Gênesis 46, antes de relatar o encontro de Jacó com José, o escritor bíblico registra uma lista dos descendentes de Jacó (Gênesis 46:8-27). Essa lista inclui os filhos de Jacó e os filhos de seus filhos. A lista traz tanto os nomes dos netos de Jacó que nasceram fora do Egito quanto os nomes daqueles que nasceram no Egito, como os filhos de José e provavelmente os filhos de Benjamim (Gênesis 46:21,20,27).

A lista da família de Jacó em Gênesis 46 soma setenta pessoas (Gênesis 46:27). Esse número é muito significativo, pois representa uma quantidade completa. Por isso muitos comentaristas defendem que esse número na lista de Gênesis 46 deva ser visto principalmente como um número simbólico que aponta para a nação de Israel que estava emergindo.

Além disso, essa lista também traz alguns desafios de interpretação. A lista, por exemplo, parece omitir de forma proposital o nome de algumas pessoas na contagem final (Gênesis 46:15,27). A Septuaginta, tradução grega do Antigo Testamento, acrescenta outros cinco nomes a essa lista, totalizando setenta e cinco pessoas. No Novo Testamento, o mártir Estevão, em seu último discurso, adotou a posição da Septuaginta (Atos 7:14).

O encontro de José com Jacó (Gênesis 46:28-34)

Gênesis 46 termina mostrando o emocionante encontro de Jacó com José na terra de Gósen (Gênesis 46:28-30). Depois José disse a seu pai e seus irmãos que partiria para avisar a Faraó que sua família já havia chegado a Gósen. Naquela ocasião José também os instruiu a dizer a Faraó que eles eram “homens de gado”, ou seja, pastores de rebanho. O objetivo era fazê-los permanecer habitando em Gósen, porque para os egípcios todo pastor de rebanho era abominação (Gênesis 46:31-34).

Gósen ficava localizada na área nordeste da terra do Egito, e tinha as características adequadas para suportar os rebanhos da casa de Jacó. Mas aquela área também era propícia para manter os israelitas mais afastados dos negócios egípcios.

O autor bíblico não fornece nenhuma explicação do porquê os pastores de rebanho eram abomináveis aos egípcios. É provável que essa observação faça referência apenas aos pastores estrangeiros, pois os egípcios também tinham rebanhos. Possivelmente isso tinha a ver com os costumes alimentares dos pastores hebreus que comiam animais que eram sagrados para os egípcios.

Seja como for, Gênesis 46 mostra que o isolamento dos israelitas em Gósen foi providencial. Ali eles poderiam se desenvolver como nação e não seriam assimilados pela cultura egípcia, caso contrário eles perderiam sua própria identidade.