Jesus Pecou? Ele Podia Pecar?

A Bíblia é muito clara ao dizer que Jesus nunca pecou. Os adversários dele não foram capazes de encontrar nele qualquer falha, e tiveram que acusá-lo falsamente (João 8:46; cf. Mateus 22:15).

O apóstolo Paulo escreve que Jesus “não tinha pecado” (2 Coríntios 5:21). Já o escritor de Hebreus escreve que, como nós, Ele “passou por todo tipo de tentação, põem sem pecado” (Hebreus 4:15). O mesmo escritor ainda fala dele como “inculpável, puro, separado dos pecadores” (Hebreus 7:26).

O apóstolo Pedro também fala de Cristo como sendo “sem mancha e sem defeito”; Aquele que “não cometeu pecado algum, e nenhum engano foi encontrado em sua boca” (1 Pedro 1:19; 2:22). Por fim, o apóstolo João também escreve que Cristo “se manifestou para tirar os nossos pecados, e nele não há pecado” (1 João 3:5). Perfeito, e sem pecado, verdadeiramente Ele é o Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo (João 1:29,36).

Mas aqui surge uma pergunta: Jesus não pecou, mas ele poderia ter pecado?

Há basicamente duas opiniões entre os estudiosos sobre isso. A primeira diz que era impossível que Jesus pecasse. Essa opinião é chamada de “impecabilidade”. A segunda diz que era possível Jesus pecar, ainda que Ele não tenha feito. Essa opinião é chamada de “pecabilidade”.

Essa discussão tem a ver com o ensino bíblico de que Jesus possui duas naturezas: a divina e a humana. Isso quer dizer que Ele é verdadeiro homem e verdadeiro Deus. Muitas pessoas que defendem que havia a possibilidade de Jesus pecar durante seu ministério terreno, se apegam ao fato de que Ele realmente era um ser humano de verdade que teve de enfrentar tentações.

Como vimos, de fato a Bíblia diz é que Jesus não pecou, apesar de ter sido tentado. A discussão sobre se era possível ou não que Ele pecasse, cedendo a alguma tentação, é mais uma inferência de nossa parte. Todavia, com base em tudo o que a Bíblia diz sobre a pessoa de Jesus Cristo e suas naturezas humana e divina, podemos concluir que não era possível que Jesus pecasse.

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Era impossível que Jesus pecasse

Em primeiro lugar, Cristo possui duas naturezas, mas não duas pessoas. As duas naturezas estão unidas de forma perfeita e indivisível em sua pessoa. A natureza humana de Cristo nunca existiu independente de sua natureza divina.

Além disso, quem peca é a pessoa, e não a natureza, ou seja, o pecado envolve toda a pessoa do pecador. Então seria impossível que Jesus pecasse sem que com isso sua natureza divina não estivesse também envolvida no pecado.

Então não existe a ideia de que Cristo poderia ter pecado como homem, mas não como Deus. Se Jesus Cristo poderia pecar, e se cremos que Jesus é Deus conforme revelado na Escritura, então isso significa que o próprio Deus poderia pecar. Mas se isso realmente fosse possível, Ele não seria Deus, pois alguns de seus atributos são a justiça e a santidade infinitas. Então para que fosse possível Jesus pecar, Ele teria de deixar de ser Deus; o que também é impossível, pois um dos atributos divinos é a imutabilidade.

Jesus não pecou, mas enfrentou tentações reais

Em segundo lugar, a verdade de que Jesus não poderia pecar não significa que as tentações as quais Ele foi submetido não eram reais. Muito pelo contrário! O fato de Jesus não poder pecar implica que as tentações que lhe sobrevieram foram num grau de intensidade muito maior. Isso porque uma pessoa que cede a uma determinada tentação sucumbe antes de conhecer toda a força e ferocidade de tal tentação.

Somente aquele que permanece resistente até vencer a tentação é que é capaz de conhecer tal tentação do começo ao fim. Somente a pessoa que vence a tentação consegue experimentar toda a extensão do que significa ser tentado.

Então sim, embora Jesus não pudesse pecar, Ele foi verdadeiramente tentado. As tentações que Ele enfrentou foram reais. Quem já resistiu e venceu uma tentação sabe o quanto ser tentado pode ser difícil. Mas Jesus foi tentado em todas as áreas comuns aos homens, e sempre saiu vitorioso.

Jesus não pecou, embora fosse plenamente humano

Em terceiro lugar, dizer que Jesus não poderia pecar não o torna menos humano que nós. Como Millard Erickson observa em sua Teologia Sistemática, o fato de Jesus não poder pecar na verdade o torna mais humano do que nós. Isso porque o pecado não faz parte da essência da natureza humana originalmente criada por Deus – caso contrário Deus seria o autor do pecado.

De fato hoje possuímos uma natureza humana caída no pecado. Mas isso não foi assim desde o princípio. Quando Deus criou a natureza humana, Ele a fez pura. Contudo, o pecado corrompeu e desvirtuou essa natureza. Como resultado, todos os seres humanos depois da corrupção do pecado possuem uma versão desvirtuada, quebrada e adulterada da natureza humana originalmente criada por Deus.

Então Jesus, o homem perfeito, não é apenas tão humano quanto nós; mas como diz Erickson, Ele é mais humano do que nós. Ele possui a versão original e essencialmente pura da natureza humana. Portanto, não podemos medir a natureza humana de Cristo com base no padrão da nossa natureza.

Jesus não pecou, e nem teve vontade de pecar

Em quarto lugar, por não possuir uma natureza humana corrompida pelo pecado, durante sua vida terrena Jesus também não tinha vontade de pecar. Ele não era moralmente mau para enxergar o pecado como algo que lhe desse prazer.

É muito difícil para o pecador entender como isso pode ser possível, pois por causa da corrupção de sua natureza sua vontade é escrava do pecado; seu coração é inclinado ao mal. Mas Jesus não herdou o Pecado Original e também não teve nenhum pecado factual. Definitivamente sua natureza humana não está debaixo da corrupção do pecado.

Se Jesus pudesse pecar, não haveria esperança para nós

Em quinto lugar, se Jesus poderia ter pecado durante sua vida terrena, então essa seria ainda uma possibilidade real. Isso porque Jesus não abandonou sua natureza humana quando ressuscitou e subiu ao Céu. A Bíblia é clara ao dizer que Ele é um de nós. Mesmo exaltado na glória celeste, Jesus é plenamente Deus e plenamente homem. Por isso Ele é o nosso representante diante do Pai (cf. Hebreus 4:14-16).

Tudo isso significa que se o pecado fosse uma realidade possível para Jesus há dois mil anos quando esteve aqui fisicamente, essa possibilidade existiria até hoje. Consequentemente, nada do que está na Bíblia seria confiável; não haveria qualquer esperança a que pudéssemos nos agarrar. Isso porque a base da nossa justificação diante de Deus é a justiça perfeita de Cristo. Somos redimidos pelos méritos do Homem perfeito, d’Aquele que conquistou para nós o que Ele próprio não precisava para si: o perdão dos pecados. Então Ele não pecou e nem poderia jamais ter pecado.

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