Os Atributos do Ser Humano

Os atributos do ser humano revelam que Deus o criou de tal forma que ele é diferente de qualquer outra criatura. Isso quer dizer que o homem reúne certas qualidades que somente ele possui no reino criado.

Os atributos do ser humano estão diretamente ligados ao fato de que Deus criou o homem à Sua imagem e semelhança. Isso quer dizer que de certa forma somos parecidos com Deus – ainda que exista uma diferença enorme entre a natureza de Deus e a natureza humana.

Ao longo do tempo os estudiosos têm discutido o que realmente significa ser feito à imagem e semelhança de Deus. Nesse ponto alguns atributos do ser humano são apontados como sendo a definição do que isso quer dizer. Alguns dizem que se trata da racionalidade do homem; outros acreditam que se trata de sua volição e pessoalidade; outros defendem que se trata de sua capacidade e responsabilidade moral; e ainda outros pensam que se trata de sua posição de governança na natureza ou mesmo de sua espiritualidade.

Mas como alguns teólogos muito capacitados também afirmam, talvez a melhor posição seja entender que Deus criou o homem e a mulher como seus representantes e vice-regentes sobre toda a criação. Então ser a imagem de Deus é ser um refletor da glória e do caráter de Deus no domínio da criação – e para tanto, obviamente todos os atributos do ser humano estão envolvidos nisso. Portanto, isso implica no fato de que esses atributos derivam de Deus, que resolveu comunicá-los ao ser humano quando o fez à Sua imagem.

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Quais são os atributos do ser humano?

  • O ser humano possui espiritualidade: a natureza humana é uma unidade complexa que é constituída de uma parte material e outra imaterial. A Bíblia diz que depois de Deus ter formado o homem do pó da terra, soprou em suas narinas o fôlego da vida; e o homem foi feito alma vivente (Gênesis 2:7).
  • O ser humano possui imortalidade: uma vez criado, jamais o homem deixa de existir. É incrível que mesmo sabendo que a morte é algo inevitável, o ser humano tem extrema dificuldade em aceitá-la. Isso acontece porque a morte veio por causa da maldição do pecado. Ela quebra temporariamente a unidade da natureza humana que deveria ser indissolúvel, ou seja, ela separa o espírito do corpo. Portanto, a morte não é a aniquilação da natureza humana; não é a cessação da existência. A morte é uma separação dolorosa, mas que não extingue o atributo da imortalidade com o qual o homem foi criado.
  • O ser humano possui intelectualidade: historicamente esse atributo do ser humano tem sido apontado como a principal identificação da imagem de Deus no homem. O homem possui uma capacidade singular de raciocinar; de pensar e agir de forma complexa.
  • O ser humano possui capacidade de escolher: Deus criou o homem como uma criatura volitiva. Isso significa que o homem possui uma vontade e a capacidade de tomar decisões e fazer escolhas.
  • O ser humano possui capacidade moral: sendo uma criatura intelectual e volitiva, o homem possui responsabilidade moral sobre seus raciocínios, ações e decisões. Ele possui a habilidade de entender que deve agir conforme certos princípios morais e que assume responsabilidade por isso.
  • O ser humano possui pessoalidade: o homem é uma criatura que tem personalidade. Ele é uma pessoa e possui caráter, traços emocionais, e capacidade de relacionar-se afetivamente de forma interpessoal num nível especial que não é encontrado em outras criaturas.
  • O ser humano possui criatividade: sendo uma criatura intelectual, volitiva, pessoal e moral, obviamente o homem também é um ser criativo.

O pecado afetou os atributos do ser humano?

A Bíblia não deixa qualquer dúvida de que o pecado afetou todos os atributos do ser humano. É verdade que algumas teorias surgiram ao longo da história da Igreja com o objetivo de promover a ideia de que o homem nasce puro e com todos os seus atributos intactos, perfeitos e livres dos efeitos da Queda.

Mas esse tipo de pensamento é completamente contrário à verdadeira doutrina bíblica. A doutrina do Pecado Original é amplamente ensinada nas Escrituras que afirmam a total depravação da natureza humana decaída.

Citando o Antigo Testamento, o apóstolo Paulo explica de forma muito clara como os atributos do se humano foram afetados pelo pecado (Romanos 3:10-12). Ele escreve:

  1. “Não há um justo, nem um sequer” – a pureza moral foi perdida.
  2. “Não há ninguém que entenda” – num certo sentido a capacidade intelectual foi afetada.
  3. “Não há ninguém que busque a Deus” – o homem tornou-se espiritualmente morto. Sua comunhão com Deus foi quebrada.
  4. “Todos se extraviaram, e juntamente se fizeram inúteis” – sua pessoalidade foi infectada; suas emoções foram contaminadas e seu caráter foi maculado pelo pecado.
  5. “Não há quem faça o bem, não há nem um só” – o coração do homem tornou-se inclinado ao mal e sua vontade foi comprometida.
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Os resultados da corrupção do pecado nos atributos do ser humano

Vimos que o pecado afetou os atributos do ser humano. Isso, porém, não significa que a imagem de Deus no homem foi completamente perdida. Apesar do pecado, o homem continua sendo uma criatura feita à imagem de Deus – ainda que essa imagem tenha sido terrivelmente danificada.

Vamos a um exemplo mais prático: a intelectualidade do homem foi contamina pelo pecado, mas ele ainda é capaz de pensar e raciocinar. Como diz R. C. Sproul, nós raciocinamos falaciosamente, mas ainda temos essa capacidade.

O mesmo princípio se aplica aos outros atributos. O homem caído não-regenerado está morto espiritualmente, mas ele ainda possui um espírito. Ele não tem mais pureza moral, porém ainda é capaz de entender que existem princípios morais que devem ser obedecidos, e continua responsável por suas decisões atitudes diante deles.

Seus relacionamentos são profundamente prejudicados pelo pecado, mas o homem ainda possui afeições e tem a condição de estabelecer relacionamentos interpessoais. Na maioria das vezes a criatividade do homem é usada a serviço do pecado, mas ele ainda é um ser criativo. Sua vontade é inclinada ao mal, mas ele ainda é capaz de fazer escolhas e tomar decisões livres conforme o padrão de sua natureza decaída.

Mas a obra redentora de Cristo aplicada pelo Espírito Santo no ser humano vivifica-o espiritualmente, liberta-o da culpa do pecado, restaura sua comunhão com Deus e capacita-o a ficar livre do poder do pecado através da santificação. Então seus atributos passam a ser condizentes com sua nova natureza.

O redimido possui a mente de Cristo; sua conduta moral reflete o caráter de Cristo – em quem se cumpre plenamente o propósito de ser a imagem de Deus (Colossenses 1:15-22; Hebreus 1:3); sua personalidade e seus relacionamentos revelam as virtudes do fruto do Espírito; e sua vontade não está mais escravizada pelo pecado. Agora ele é capaz de desejar o bem espiritual e sentir prazer em agradar a Deus.

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