O Que é o Batismo nas Águas? Estudo Sobre o Batismo

O batismo nas águas é uma ordenança do Senhor Jesus para sua Igreja. O significado do batismo aponta para o relacionamento pactual do homem com Deus em sua nova vida em Cristo; é um símbolo de que o crente pertence à comunidade da fé. Nesse sentido, o batismo é um selo da justiça mediante a fé em Jesus Cristo.

Todas as igrejas cristãs observam a prática do batismo nas águas, visto que de fato foi Jesus quem o ordenou: “Ide, portanto, fazei discípulos de todas as nações, batizando-os em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo” (Mateus 28:19).

No Novo Testamento, o primeiro batismo registrado foi aquele praticado por João Batista. Inclusive, João ficou conhecido como “o Batista” justamente em referência ao fato de que ele batizava pessoas. Então muitas pessoas acabam confundindo o batismo de João e o batismo ordenado por Jesus aos cristãos. Mas o que acontece é que o batismo de João e o batismo cristão não são os mesmos. Eles diferem em propósito e significado.

A origem do batismo nas águas

O batismo de João Batista tinha origem no “batismo de prosélito” que começou a ser praticado no período intertestamentário. Esse batismo era indicado especialmente para os gentios que queriam seguir o judaísmo. Para um gentio se tornar um judeu, ele precisava fazer uma profissão de fé e ser circuncidado. Mas ainda assim ele continuava cerimonialmente impuro. Então para resolver essa questão, ele precisava passar pelo batismo que basicamente era um rito de purificação.

Mas nesse sentido, o batismo de João também trouxe algo radicalmente novo. Isso porque João começou a pregar que os judeus também precisavam ser purificados. Aqui é importante entender que João Batista foi o profeta escolhido para preparar o caminho do Messias. Então João conclamou o arrependimento e a iminente chegada do reino dos céus (Mateus 3:2). Enquanto algumas pessoas ficaram irritadas com o que João estava fazendo, outras pessoas foram alcançadas por sua mensagem e aceitaram ser batizadas por ele.

Mas o batismo de João pertencia a um antigo pacto. Então quando Jesus deixou a ordenança do batismo para sua Igreja, isso não significou que Ele simplesmente queria que o batismo de João continuasse a ser observado.

Os pactos são parte importante da história bíblica e todo pacto tinha um sinal. Por exemplo: depois do dilúvio, Deus fez um pacto com Noé e a criação de que não mais destruiria a terra pelas águas, e colocou o arco-íris como sinal desse pacto. Deus também fez uma aliança com Abraão e sua descendência e estabeleceu a circuncisão como sinal de sua promessa.

Mas quando Jesus veio, Ele instituiu um novo pacto, e estabeleceu um novo sinal. Então apesar de Jesus ter aproveitado aquele antigo rito de purificação, o batismo que os cristãos observam nada tem a ver com o batismo de João e com a antiga aliança. O batismo nas águas que os cristãos observam é o batismo instituído por Jesus e é um sinal próprio da nova aliança.

O significado do batismo nas águas

Os diferentes círculos do cristianismo concordam que o batismo nas águas está relacionado ao início da vida cristã, num tipo de identificação pública de que um indivíduo pertence à Igreja. Mas o consenso para nesse ponto. Talvez um dos temas mais debatidos dentro da história cristã seja o significado do batismo.

Alguns enxergam o batismo como meio da graça salvadora. Quem pensa assim defende um significado regenerador do batismo. O catolicismo é o grupo que adota essa interpretação de forma mais radical. Entre os cristãos protestantes, a tradição luterana adota esse ponto de vista. Mas diferentemente da posição católica, os luteranos enfatizam que embora o significado do batismo implique na remissão dos pecados, ele só é eficaz se for precedido pela fé.

Outros enxergam o batismo como sinal e selo da nova aliança. Quem pensa assim entende que como a Ceia do Senhor substituiu a Páscoa, o batismo também substituiu a circuncisão, tornando-se o selo de que um indivíduo pertence à comunidade da nova aliança (Colossenses 2:11,12).

Cristo ordenou que o Evangelho fosse pregado e que as pessoas fossem batizadas (Mateus 28:19). Nesse sentido, o batismo não é um meio de salvação, mas é um ato através do qual os crentes são publicamente identificados como participantes da nova aliança. Entre os que defendem essa posição geralmente estão os reformados e presbiterianos.

Por fim, há também aqueles que enxergam o batismo como um símbolo externo da salvação, ou seja, uma indicação externa da mudança interna que ocorreu no crente. Nesse sentido, o batismo é uma proclamação da salvação do redimido.

Alguns defensores dessa posição não acreditam que o batismo transmita diretamente algum benefício espiritual; enquanto outros acreditam que há sim algum benefício espiritual, já que o batismo é uma resposta de obediência a Cristo, uma profissão pública de fé e o início da participação do crente numa igreja local. Muitos grupos batistas defendem essa posição.

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Outras controvérsias sobre o batismo nas águas

Não é apenas o significado do batismo nas águas que traz algum debate entre os crentes. A forma como o batismo deve ser administrado e quem pode recebe-lo, são questões que também levantam algumas discussões.

Alguns grupos cristãos aplicam o batismo por aspersão; outros por imersão; e ainda outros por efusão. No batismo por aspersão a água é aspergida, ou seja, é respingada no indivíduo. No batismo por imersão o indivíduo e totalmente imerso na água. Já no batismo por efusão é derramada uma porção de água na cabeça do indivíduo.

Biblicamente não é possível determinar com exatidão qual o modo de batismo preferível. Isso porque algumas passagens parecem favorecer o batismo por imersão (Marcos 1:10; João 3:23), enquanto outras passagens talvez favoreçam outros modos de batismo como a aspersão e a efusão (Atos 2:38-41; 16:33).

Alguns grupos levam mais a sério que outros o modo do batismo. Por exemplo: os reformados e presbiterianos não veem muita importância nessa questão, pois consideram que o principal é o significado do batismo e suas consequências. Basicamente a mesma opinião é seguida pelos luteranos que entendem que, de fato, o método do batismo não contém algum simbolismo essencial.

Já os grupos batistas que compreendem o batismo como um símbolo e testemunho da salvação de um indivíduo, entendem que o modo correto do batismo é algo muito importante. Então eles adotam o batismo por imersão, pois consideram que esse seja o método que representa de forma mais adequada a ressurreição espiritual do crente.

Quanto aos indivíduos que podem receber o batismo, luteranos, presbiterianos e outros grupos reformados, praticam o batismo infantil com base em diferentes motivos dentro de suas interpretações (meio de salvação, sinal da aliança, etc.). Já os batistas não praticam o batismo infantil, pois consideram que os receptores do batismo precisam demonstrar arrependimento consciente e fé ativa.

A importância do batismo nas águas

O batismo nas águas não deve ser um tema usado para dividir os cristãos. Embora existam diferentes interpretações quanto ao seu significado e método de ministração, certamente há muitos pontos de união que são expressos pela prática do batismo nas águas.

Deixando as controvérsias de lado, de alguma forma o batismo nas águas sempre irá apontar para o fato de que em Cristo o crente foi ressuscitado da morte espiritual para uma nova vida. A ligação entre o batismo nas águas e a união do crente com Cristo em sua morte e ressurreição é inegável. Nesse sentido, o batismo testemunha que o crente se tornou participante não apenas do sofrimento e humilhação de Cristo, mas também de sua exaltação, e recebeu o direito de usufruir dos privilégios dessa união.

Então apesar de o batismo nas águas não significar que todos os que são batizados são salvos, em certo aspecto ele é um sinal da regeneração. Não é o batismo que regenera, mas sem dúvida ele pode apontar para a realidade de que o crente foi purificado de seus pecados. Além disso, o batismo nas águas também não deixa de ser um ato de fé e compromisso com o Senhor.

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