O Que Significa o Cavaleiro do Cavalo Preto do Apocalipse?

O cavaleiro do cavalo preto é o terceiro dos quatro cavaleiros que aparecem no Apocalipse na abertura do livro selado com sete selos. Portanto, o cavaleiro do cavalo preto do Apocalipse é mencionado na abertura do terceiro selo, e seu significado simbólico fala sobre a pobreza e a fome (Apocalipse 6:5,6).

O apóstolo João — escritor do livro do Apocalipse — registra que quando o Cordeiro abriu o terceiro selo, ele ouviu um ser vivente dizer: “Venha!” (Apocalipse 6:5). Então ele viu diante dele um cavalo preto, e o cavaleiro que montava nesse cavalo segurava uma balança. Naquele tempo as balanças mais comuns eram aquelas que tinham dois pratos pendurados em cada lado de uma base central, e eram os instrumentos frequentemente usados para pesar alimento.

Em seguida, João ouviu uma voz que parecia vir de entre os quatro seres viventes, e essa voz dizia: “Uma medida de trigo por um denário; três medidas de cevada por um denário; e não danifiques o azeite e o vinho” (Apocalipse 6:6). Basicamente há duas interpretações principais sobre essa voz.

Alguns comentaristas acreditam que essa voz era a voz combinada dos quatro seres viventes, falando de forma sincronizada. Já outros estudiosos consideram que os quatro seres viventes são citados no Apocalipse como criaturas que circundam o trono de Deus. Então eles entendem que provavelmente essa voz é a voz divina falando diretamente do trono, no meio dessas criaturas.

Além de se apoiar no próprio cenário da sala do trono de Deus apresentado no Apocalipse, essa interpretação também se fundamenta no fato de que, no Antigo Testamento, por várias vezes Deus avisou o seu povo sobre a chegada de crises e fome. Então a ideia é que basicamente o mesmo padrão se repete no Apocalipse.

À luz da verdade de que Deus é quem governa a história, e que o livro selado com sete selos é aberto unicamente pelo Cordeiro, faz todo o sentido entender que quem fala realmente é Deus. Além disso, a declaração feita pela voz que João ouviu, explica o significado do cavaleiro do cavalo preto do Apocalipse.

O cavaleiro do cavalo preto significa pobreza, fome e opressão

Não há unanimidade entre os cristãos no que diz respeito ao estudo do livro do Apocalipse. Existem diferentes linhas escatológicas que leem o último livro da Bíblia de formas distintas. Algumas fazem uma leitura mais futuristas, enquanto outras fazem leituras historicistas, idealistas e até preteristas.

Entre os cristãos que abordam o Apocalipse de forma amplamente futurista, a opinião mais comum é a de que o cavaleiro do cavalo preto representa a fome e a opressão que marcará o período final de grande tribulação sobre terra. A ideia é que o Anticristo colocará sobre o mundo o seu governo tirano, e qualquer pessoa que não se enquadrar em seu sistema terá sérias dificuldade para sobreviver.

Já entre os cristãos que abordam o Apocalipse através de uma leitura mais equilibrada e histórica, a opinião mais comum é que o cavaleiro do cavalo preto representa as crises que tem assolado a humanidade em todas épocas. No entanto, quem pensa dessa forma também admite que há um padrão progressivo, ou seja, essas crises vão se tornando cada vez mais intensas conforme o dia da segunda vinda de Cristo se aproxima.

Em outras palavras, de acordo com essa interpretação, o cavaleiro do cavalo preto do Apocalipse representa a pobreza, a fome, a opressão, a exploração e qualquer outro efeito de um ambiente marcado pela corrupção e injustiça. Essa é a interpretação mais tradicional dentro da história do Cristianismo.

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Uma medida de trigo por um denário…

O trigo era a base da alimentação no tempo em que João escreveu o Apocalipse. Já denário era equivalente ao salário de um dia de trabalho de um operário. Então é fácil perceber que o texto bíblico fala de uma inflação tão grande que a diária de um trabalhador daria apenas para comprar uma medida de trigo, algo suficiente para produzir apenas um pão. Portanto, o texto descreve um cenário de opressão em que um trabalhador não é capaz de sustentar sua família.

O texto ainda diz que pelo mesmo preço, isto é, um denário, seria possível comprar três medidas de cevada. No entanto, a cevada não possui as mesmas propriedades nutricionais do trigo, e naquele tempo uma alimentação à base de cevada era considerada deficiente. Inclusive, a cevada era geralmente usada para alimentar os animais de uma casa. Então a ideia é que para manter sua família viva, o trabalhador teria que gastar todo o seu salário com um alimento inferior.

A última parte do texto que se refere aos afeitos da saída do cavaleiro do cavalo preto do Apocalipse, diz que o azeite e o vinho não seriam danificados. Existem diferentes interpretações sobre essa declaração.

Uma dessas interpretações se apoia num fato histórico que aconteceu no Império Romano nos tempos de João. Parece que houve uma grande escassez de trigo, e o imperador promulgou um edito de desapropriação de pelo menos metade das vinícolas das províncias romanas. E nesse sentido, muitos acreditam que, de alguma forma, esse decreto também ameaçou as refinarias de azeite.

No entanto, houve uma resistência muito forte a esse decreto, principalmente por parte da população mais rica do Império. Então o imperador romano revogou o decreto antes mesmo de ele entrar em vigor. Por isso, muitos estudiosos interpretam que provavelmente essa declaração fala sobre como o modo de vida dos ricos e poderosos se mantém preservado enquanto a grande parte das pessoas padece de fome. Se essa interpretação estiver correta, então nesse ponto há uma ênfase no padrão de injustiça.

O cavaleiro do cavalo preto do Apocalipse e os cristãos do primeiro século

Quando lemos o livro do Apocalipse, jamais devemos perder de vista o fato de que esse livro foi escrito diretamente para cristãos que viveram durante o primeiro século na província romana da Ásia Menor.

Não era nada fácil ser cristão naquele tempo, pois havia uma perseguição muito grande. Os cristãos de cidades como Esmirna, Pérgamo, Tiatira e Filadélfia, por exemplo, enfrentavam muita pobreza e privação por causa de sua fé. O que acontecia era que naquelas cidades as pessoas tinham que pertencer às associações comerciais para serem econômica e profissionalmente ativas.

Porém, cada associação comercial possuía uma divindade patrona. Isso significa que estar filiado a uma associação comercial significava estar envolvido com o paganismo. Então quando um cristão se recusava a participar dessas associações por causa de sua fé em Cristo, ele perdia seu emprego. Inclusive, em tempos de maior perseguição, era comum que os cristãos tivessem todos os seus bens confiscados.

Com esse pano de fundo em mente, não é difícil entender que abraçar a causa do Evangelho frequentemente levava uma pessoa a passar fome. Um pai de família cristão tinha muita dificuldade de sustentar sua casa, pois ele sofria tantas sanções econômicas, que não lhe sobrava um salário que lhe permitia sustentar sua família de forma apropriada.

Então sim, os cristãos do primeiro século certamente foram capazes de compreender muito bem a simbologia do cavaleiro do cavalo preto do Apocalipse. No entanto, esse cavaleiro continua montado em seu cavalo cavalgando pela terra. A fome, a exploração, a opressão e a injustiça assombram o mundo cada vez mais.

Com relação ao povo de Deus, ainda hoje muitos cristãos passam por terríveis necessidades por seu compromisso com Cristo. Em várias partes do mundo, muitos crentes têm dificuldades de sustentarem suas famílias, porque não aceitam participar dos esquemas corruptos que caracterizam este mundo e desagradam ao Senhor. E o cavaleiro do cavalo preto do Apocalipse continuará espalhando opressão até o dia em que Deus dará um basta em tudo isso.

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