A Cidade de Gilgal

Gilgal é conhecido por ter sido o primeiro acampamento do povo de Israel após cruzar o Jordão, e o principal centro estratégico de operações militares utilizado por Josué durante as campanhas de conquista em Canaã (Js 4:19; 9:6; 10:6,43; 14:6).

Na verdade existe muita discussão entre os estudiosos acerca de Gilgal. Isso porque a Bíblia menciona várias vezes o nome Gilgal em diferentes livros do Antigo Testamento. Logo, a dificuldade se dá em tentar descobrir se tais referências representam a mesma Gilgal ou se tratam de outros lugares com este mesmo nome.

Qual o significado de Gilgal?

Gilgal deriva do termo hebraico galal, que significa “rolar”, “afastar”. Portanto, Gilgal provavelmente significa “círculo (de pedras)”, ou “rolante”. Entretanto, o significado de Gilgal possui uma aplicação mais especifica no contexto bíblico para o povo de Israel.

Por intermédio de Josué, o nome Gilgal foi utilizado por Deus como uma espécie de lembrete a Israel acerca do livramento da escravidão no Egito. Isso fica claro quando Deus disse a Josué que “hoje retirei de sobre vós o opróbrio do Egito” (Js 5:9). O versículo continua dizendo que “por isso o nome daquele lugar se chamou Gilgal até ao dia de hoje“.

Apesar de na maioria das nossas traduções o versículo acima apresentar a expressão “retirei de sobre vós”, uma tradução mais literal seria “revolvi (galoti) de sobre vós”, no sentido de “mover de lugar”, “deslocar”, “afastar”.

Também vale ressaltar que esse local já possuía esse nome antes do povo de Israel chegar até lá, pois no livro de Deuteronômio Moisés demonstra conhecê-lo como “Gilgal” (Dt 11:30), apesar de alguns críticos sugerirem se tratar de outro local.

A importância de Gilgal

Gilgal aparece como cenário em diversas passagens importantes do Antigo Testamento como veremos a seguir:

  • Gilgal foi a principal base de operações de Israel na conquista da Terra Prometida, sendo estabelecidas ali doze pedras comemorativas. Foi dali também que Josué liderou a campanha contra Jericó e na região sul (Js 4:19,20; 6:11,14; 10:1-43).
  • Foi em Gilgal que a geração que cresceu no deserto foi circuncidada (Js 5:1-8).
  • A primeira Páscoa celebrada em Canaã foi realizada em Gilgal (Js 5:10).
  • Foi em Gilgal que o maná cessou (Js 5:9,10).
  • Foi de Gilgal que Josué começou a distribuir os territórios conquistados entre as tribos de Israel (Js 14:6)
  • Na época dos juízes, o anjo do Senhor subiu de Gilgal a Boquim para julgar os esquecidos israelitas (Jz 2:1).
  • De Gilgal, Eúde retornou para matar Eglom, rei moabita, e conquistar a liberdade de Israel.
  • Samuel também costuma visitar Gilgal (1Sm 7:16).
  • Foi ali que o reinado de Saul foi confirmado com sacrifícios de regozijo (1Sm 11:14,15), porém foi ali que Saul também ofereceu sacrifício precipitado (1Sm 13:8-14).
  • Ainda sobre Saul, foi em Gilgal que ele e Samuel se separaram definitivamente, depois da desobediência de Saul em relação à guerra contra os amalequitas (1Sm 15:12-35).
  • Depois da revolta de Absalão, os judeus receberam Davi de volta a Gilgal (2Sm 19:15,40).
  • Elias e Eliseu passaram por Gilgal, antes de Elias ser arrebatado ao céu (2Rs 2:1). Tanto em Gilgal como em Betel havia centros de treinamento dos jovens profetas, e uma importante estrada ligava as duas cidades. Foi em Gilgal que Eliseu misturou um pouco de farinha na panela onde havia um caldo feito com frutos de uma trepadeira venenosa, e o veneno cessou (2Rs 4:38). Vale lembrar que alguns comentaristas consideram essa Gilgal diferente da citada no livro de Josué.
  • Foi durante o século 8 a.C., pelo menos durante o reinado do rei Uzias e o reinado do rei Ezequias, que Gilgal se tornou um centro de adoração formal e ritualística, e, tal como em Betel, foi condenado pelos profetas Amós (Am 4:4; 5:5) e Oséias (Os 4:15; 9:15; 12:11).
  • O Profeta Miqueias, usado por Deus, relembrou o povo sobre a viagem que Israel fez desde Sitim até Gilgal, ou seja, a travessia do rio Jordão para entrarem na Terra Prometida, enfatizando a evidência da justiça de Deus e de Seu poder salvador a favor deles (Mq 6:5).
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Onde ficava Gilgal?

Como já dissemos, há uma grande dificuldade sobre este assunto, pois não se sabe ao certo quantas “Gilgals” diferentes a Bíblia cita. Existem passagens onde, ao compará-las, parece clara a condição de que se referem a lugares diferentes, porém nada pode ser afirmado com plena exatidão.

Falando da Gilgal mais conhecida, ou seja, o primeiro acampamento dos Israelitas que serviu como base de operações do povo de Israel depois da travessia do Jordão, a própria Bíblia afirma que sua localização ficava a leste de Jericó, estando entre a cidade e o rio Jordão.

Apesar de a área ser, de certa forma, delimitada pela narrativa bíblica, a localização exata de Gilgal dentro desse perímetro é incerta. A sugestão mais aceita entre os estudiosos é que Gilgal esteja a cerca de 2 km a nordeste da Jericó do Antigo Testamento, ao norte de Khirbet El-Mefjir. Essa localização parece estar de acordo com Josué 4:19.

O principal proponente dessa sugestão foi o professor James Muilenburg que, para chegar a essa localização, considerou passagens do Antigo Testamento, bem como relatos de Flávio Josefo e Eusébio, além de resultados de uma escavação no local que revelou artigos de cerâmica que datam de aproximadamente 1200 a 600 a.C.

Em Josué 15:7, é citada uma certa Gilgal que ficava “à subida de Adumim”, na fronteira de Judá. Embora alguns discordem, provavelmente se trata da mesma Gilgal mencionada acima.

A mesma dificuldade ocorre em Josué 12:23, onde é mencionado um lugar chamado Gilgal em uma lista de reis conquistados, entre Dor e Tirza. Acredita-se que essa Gilgal poderia estar situada em Jiljulieh, à beira da planície de Sarom. Vale lembrar que nesse mesmo versículo, o texto da Septuaginta (versão grega do Antigo Testamento) ao invés de “Gilgal”, apresenta “Galiléia”.

Alguns estudiosos tentam localizar a Gilgal citada no livro de 2 Reis (2:1; 4:38) e a de Deuteronômio (11:30) nessa mesma região, a treze quilômetros de Betel, apesar de o argumento apresentado ser demasiadamente fraco.

O livro de Neemias (12:29) menciona um lugar chamado Bete-Gilgal, de onde vieram cantores para festa da dedicação dos muros de Jerusalém. Para alguns, esse lugar é a mesma Gilgal do livro de Josué, já para outros trata-se de um local completamente desconhecido.

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