E Como Ouvirão Se Não Há Quem Pregue? O Que Isso Significa?

A pergunta “E como ouvirão se não há quem pregue?” indica o honroso papel do pregador no processo de proclamação da mensagem de salvação. As pessoas precisam ouvir o Evangelho para que possam crer, e alguém precisa pregar para que as pessoas possam ouvir. O significado da pergunta “E como ouvirão se não há quem pregue?” fala da necessidade da evangelização.

Esse questionamento faz parte de uma série de perguntas retóricas proposta pelo apóstolo Paulo em sua Carta aos Romanos. Ele escreve: “Como, porém, invocarão aquele em que não creram? E como crerão naquele de quem nada ouviram? E como ouvirão, se não há quem pregue? E como pregarão, se não forem enviados?” (Romanos 10:14,17). Essa série de perguntas consiste numa defesa contundente acerca da importância da obra missionária.

O contexto da pergunta: “E como ouvirão se não há quem pregue?”

O apóstolo fez essa série de perguntas dentro de uma seção em que ele expõe o fato de que os judeus rejeitaram a justiça do Senhor; e que Israel não pode alegar falta de oportunidade diante da revelação de Deus (Romanos 10:14-21).

Mas ao analisar o contexto mais amplo dessa passagem, é possível perceber que essa série de perguntas não se refere apenas a Israel, mas também a todo leitor dessa epístola. Essas perguntas falam de uma realidade comum a qualquer pessoa, judeu ou gentio (Romanos 10:12). Inclusive, alguns estudiosos entendem que talvez nessa parte o próprio apóstolo aproveita para apresentar de forma muito lógica e clara as razões pelas quais a igreja em Roma deveria enviá-lo em missão pela Espanha.

Também é interessante perceber que a pergunta “E como ouvirão se não há quem pregue?” faz parte de uma sequência de perguntas em ordem regressiva, que parte do efeito para a causa. O que motiva essa série de questionamentos é uma citação de uma profecia do profeta Joel: “Todo aquele que invocar o nome do Senhor será salvo” (Romanos 10:13; cf. Joel 2:32; Atos 9:14).

W. Hendriksen diz que Paulo apresenta nessa série de perguntas uma corrente de cinco elos que expressa um apelo contundente sobre o caráter primordial da evangelização. Uma pessoa só poderá ser salva se invocar o Senhor; mas alguém só poderá invocar o Senhor se crer n’Ele; então alguém só poderá crer no Senhor se ouvir falar dele; mas alguém só poderá ouvir do Senhor se houverem pregadores; e só haverá pregadores se forem enviados. Vamos entender melhor essa argumentação lógica a seguir.

Como, porém, invocarão aquele em que não creram?

Em primeiro lugar, o apóstolo Paulo basicamente questiona que é impossível que alguém seja salvo ao invocar o Senhor se não crer primeiro nele. Sim, obviamente ninguém pode recorrer a alguém em que não acredita.

Em outras palavras, logicamente isso significa que ninguém pode invocar o Senhor Jesus se não crer nele. Não há salvação sem fé em Jesus Cristo. Saiba mais sobre o que é a fé.

E como crerão naquele de quem nada ouviram?

Em segundo lugar, o apóstolo faz um questionamento que enfatiza que para que alguém possa crer no Senhor Jesus, e então invocá-lo, essa pessoa precisa antes ouvir dele. É interessante saber que a pergunta “E como crerão naquele de quem não ouviram falar?”, no texto grego dá o sentido de que o próprio Cristo é o verdadeiro pregador do Evangelho. Isso significa que o apóstolo questiona como alguém poderia crer em Cristo se não o tivesse ouvido falar.

Esse pequeno detalhe sublinha ainda mais o papel do pregador. O que Paulo quer dizer é que as pessoas creem em Cristo quando ouvem Ele próprio falar por intermédio de seus mensageiros. Isso também significa que a fé salvadora tem conteúdo; e seu conteúdo não é outro se não Cristo, a Palavra revelada de Deus.

E como ouvirão, se não há quem pregue?

Em terceiro lugar, o apóstolo faz outro questionamento que indica que para que alguém possa ouvir de Cristo, e então crer nele e invocá-lo, é necessário que haja um pregador. É justamente nesse ponto que lemos a pergunta: “E como ouvirão se não há quem pregue?”.

O termo grego traduzido pelo verbo “pregar” significa literalmente o anuncio de uma mensagem por meio de um arauto. Nos tempos antigos o arauto tinha uma tarefa fundamental. Ele era o responsável por proclamar publicamente as notícias importantes ao povo. Se não havia um arauto, as pessoas ficavam completamente desinformadas.

A pergunta “E como ouvirão, se não há quem pregue?” também revela o maravilhoso privilégio que o crente possui de, em certo sentido, ser participante da obra da redenção como arauto do Evangelho de Cristo. Tem muita gente que pensa que o cristão deve evangelizar somente porque Jesus ordenou. Essas pessoas enxergam o evangelismo como obrigação, e não como privilégio.

Se quisesse, Deus poderia ter anunciado a sua Palavra sem qualquer participação humana. Mas como diz R. C. Sproul, Deus nos deu o privilégio indescritível de participar de seu programa majestoso da redenção, que Ele planejou desde a fundação do mundo.

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E como pregarão, se não forem enviados?

Por último, o apóstolo diz que para que as pessoas ouçam, creiam e invoquem o Senhor através da pregação da Palavra, é necessário que existam pregadores comissionados. Pregar é anunciar, é proclamar a mensagem. W. Hendriksen diz que a pregação é a ardente proclamação das grandes notícias iniciadas em Deus.

Os estudiosos discutem sobre qual é o tipo de envio que Paulo se refere aqui. Ele tanto pode estar falando num sentido mais estrito quanto num sentido mais abrangente. No sentido mais estrito, ele pode muito bem estar falando de si mesmo na qualidade de apóstolo comissionado diretamente por Cristo, assim como os outros doze apóstolos. Já no sentido mais abrangente, ele pode também incluir aqui os representantes das comunidades cristãs que eram enviados como missionários.

Seja como for, o princípio é verdadeiro nos dois casos. Os verdadeiros apóstolos eram enviados pelo próprio Cristo e não necessitavam de qualquer outro tipo de endosso. Já os missionários eram enviados pelas igrejas como representantes delas na tarefa de proclamar o Evangelho. Essa última comissão por parte das igrejas continua até hoje, pois a missão de pregar o Evangelho permanecerá necessária até o último dia. Dessa forma, todos os cristãos verdadeiros devem estar envolvidos nessa missão; uns sendo enviados e outros sendo os responsáveis por enviar e garantir o suporte aos que foram enviados.

A importância de pregar para que as pessoas ouçam

Sem dúvida a pergunta “E como ouvirão, se não há quem pregue?”, e toda a sequência de perguntas feitas por Paulo, traz uma reflexão muito grande sobre a responsabilidade de cada cristão com a evangelização. John Stott chama a atenção para isso dizendo que a essência do argumento do apóstolo é a seguinte: Cristo envia seus mensageiros; os mensageiros pregam; as pessoas ouvem; os ouvintes creem; os que creem invocam; e os que invocam são salvos.

Isso significa que se ninguém for enviado, não haverá pregadores do Evangelho. Então se o Evangelho não for pregado, os pecadores jamais ouvirão a Cristo e sua mensagem. Se as pessoas não ouvirem, elas nunca creram na pessoa e obra do Filho de Deus enviado ao mundo; e se elas não crerem no Evangelho de Cristo, jamais invocarão o seu nome e serão salvas. Portanto, a pergunta “E como ouvirão, se não há quem pregue?” deve estar sempre na mente de todo cristão verdadeiro.

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