Dádiva, Privilégios e Responsabilidades na Nova Aliança

O capítulo 10 do livro de Hebreus fala da dádiva, privilégios e responsabilidades na Nova Aliança. Nesse capítulo o escritor bíblico continua sua exposição sobre a superioridade do sacerdócio de Cristo sobre o sacerdócio levítico. Além disso, ele ainda prossegue em ensino sobre como a Nova Aliança é superior e suplanta a Antiga Aliança.

A dádiva da Nova Aliança

O escritor de Hebreus ensina que a grande dádiva na Nova Aliança é a obra expiatória e redentora de Cristo. Ele se entregou em sacrifício uma vez por todas! Seu sacrifício é superior a todos os sacrifícios realizados na Antiga Aliança (Hebreus 10:1-18).

Os sacrifícios do sistema levítico eram humanos e transitórios. Eles eram repetidos dia após dia. Dessa forma, eles também resultavam numa recordação contínua dos pecados do povo. Isto significa que o sistema sacrifical levítico não fornecia uma solução definitiva para o problema do pecado. Saiba mais sobre como eram os sacrifícios no Antigo Testamento.

Consequentemente, ninguém poderia alcançar através desse sistema uma plena liberdade de consciência em relação à culpa do pecado (Hebreus 10:1-3). O próprio Antigo Testamento indica a ineficácia dos sacrifícios no sistema levítico (cf. 1 Samuel 15:22; Isaías 1:10-17; Amós 5:21-24; etc.). Na Antiga Aliança, esse sistema foi designado por Deus não com a finalidade de prover perdão definitivo e eliminar o pecado, mas para apontar para Cristo. Assim, esse sistema revelava a terrível condição pecaminosa do homem diante da santidade e justiça de Deus.

Então o autor de Hebreus interpreta o Salmo 40:6-8 indicado como o sistema sacrifical da Antiga Aliança tornava evidente a necessidade de uma Aliança superior, na qual o perdão total e completo pudesse ser providenciado (Hebreus 10:4).

Mas tudo isto foi alcançado em Jesus! A expiação feita por Cristo em favor de seu povo é divina e permanente. Por isto o autor escreve que a Lei apenas prenunciava os bens futuros. Ela era uma sombra, um reflexo pálido do que haveria de vir. Mas na Nova Aliança em Cristo, os bens que a Lei prenunciava tornam-se presente (Hebreus 9:11; 10:1).

O que era sombra, isto é, um reflexo pálido, torna-se realidade, ou seja, um reflexo claro e nítido. Já agora a Igreja experimenta os benefícios do tempo vindouro, ainda que estes benefícios alcançarão toda sua plenitude somente no retorno de Cristo na consumação dos séculos (Hebreus 6:5; 9:11; 10:1; 12:22-24). De uma vez por todas, o Sumo Sacerdote de uma ordem superior proveu salvação plena ao seu povo. Na Nova Aliança, os pecados jamais serão lembrados (Hebreus 8:12; 10;17).

  • Veja também: Quer melhorar o aproveitamento de suas aulas da EBD? Conheça um curso completo de formação para professores e líderes da Escola Bíblica Dominical. Conheça aqui! (Vagas Limitadas)

O privilégio da Nova Aliança

O escritor de Hebreus também explica que o grande privilégio na Nova Aliança é o acesso dos crentes à presença de Deus (Hebreus 10:19-25). Mais uma vez ele conecta esse privilégio desfrutado pelos redimidos com a superioridade do ministerio sacerdotal de Cristo (cf. Hebreus 8:1-6). Aqui não há qualquer mérito próprio do pecador. Todos os privilégios resultantes da Nova Aliança se fundamentam na pessoa e obra de Cristo.

Na Antiga Aliança, somente o sumo sacerdote podia entrar no Santo dos Santos do Tabernáculo terreno uma vez por ano. Mas por causa do sacrifício perfeito de Cristo, através de seu sangue derramado em nosso lugar, agora nós podemos entrar no santuário celestial com confiança e ousadia (Hebreus 10:19).

Mais uma vez é importante lembrar: o caminho para a presença de Deus não repousa em nossos próprios méritos e obras. Se hoje temos acesso ao Tabernáculo celestial, ao trono da graça, os méritos são de Cristo. Jesus é o caminho, a verdade e a vida (João 14:6). Ele é quem nos leva ao Pai, nos torna livres da escravidão do pecado, e nos concede uma vida de comunhão com Deus (Hebreus 10:20,21).

Por isto podemos ter plena certeza de fé, guardando firmemente a “confissão da esperança, sem vacilar, pois quem fez a promessa é fiel”. Logo, em nossa vida cristã devemos encorajar uns aos outros, e desfrutar da comunhão do Corpo de Cristo congregando com outros fieis enquanto aguardamos o maravilhoso dia da segunda vinda de Cristo (Hebreus 10:22-25).

Receber Estudos da Bíblia

Responsabilidades na Nova Aliança

Ao falar sobre a superioridade da Nova Aliança, o escritor neotestamentário também explica o quão desastroso é o estado daqueles que rejeitam essa revelação tão grandiosa. Aquele que recebe essa revelação, isto é, ouve e compreende o Evangelho de Cristo, e ainda assim o rejeita deliberadamente, é digno de severo castigo.

Isto acontece porque quem assim o faz, humilha o Filho de Deus, profana o sangue do sacrifical da Aliança e insulta o Espírito Santo (Hebreus 10:26). Para tal pessoa, diz o autor, “não resta sacrifícios pelos pecados” (Hebreus 10:27). Se essa pessoa rejeita e abandona o Cristo e seu sacrifício, que outro recurso ela poderia ter para alcançar o perdão de seus pecados?

Mas o Senhor julgará o seu povo (Hebreus 10:30; cf. Deuteronômio 32:35,36). Ele sabe distinguir quem é verdadeiramente d’Ele e quem é um apóstata. Depois dessa séria advertência, o escritor encerra o capítulo lembrando seus leitores que eles já tinham manifestado os frutos da graça. Eles demonstraram apoio mútuo, suportaram perseguições e entenderam que possuíam um patrimônio muito mais precioso e durável do que qualquer bem terreno (Hebreus 10:32-34).

Diante de tudo isto, ele aconselha seus leitores, entre os quais estamos incluídos, a não recuar, mas a fixar os olhos em Cristo, confiando plenamente n’Ele. Estamos mais perto do que nunca do galardão eterno! Devemos permanecer fiéis à Nova Aliança, pois mediante a fé em Cristo, podemos alcançar a promessa (Hebreus 10:35,36). Por isto o autor escreve, citando o profeta Habacuque, que em breve Cristo voltará. Todavia, o justo viverá pela fé, e o Senhor não se desagrada daquele que retrocede (Hebreus 10:37,38; cf. Habacuque 2:3,4).

Aqui mais uma vez é necessário que se repita: nada disto alcançamos pelo esforço próprio. Nunca seriamos capazes de nos manter firmes e não retroceder por nossas próprias habilidades. Por isto também o autor conclui: “Nós, porém, não somos dos que retrocedem para a perdição; somos, entretanto, da fé, para a conservação da alma” (Hebreus 10:39).

Essa fé, da qual pertencemos, não tem sua fonte em nós mesmos, mas em Deus (Efésios 2:8). Ele é quem mantém o seu povo firme até o dia final (1 Coríntios 1:8). A conclusão desse capítulo 10 também introduz o assunto do capítulo 11, onde o autor demonstra os efeitos da fé genuína. Que possamos sempre conservar em nossa mente a dádiva, os privilégios e as responsabilidades na Nova Aliança.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Close