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Daniel na Cova dos Leões: Por Que Daniel foi Lançado na Cova dos Leões?

Daniel na cova dos leões é uma das histórias mais conhecidas da Bíblia, e está registrada em Daniel 6. O profeta foi lançado na cova dos leões porque não deixou de adorar ao Deus de Israel, infringindo o decreto do governante da Babilônia.

O episódio de Daniel na cova dos leões ocorreu durante o governo de Dario, apesar de muitas pessoas equivocadamente pensarem que foi durante o reinado do rei Nabucodonosor. Nesse tempo, a Babilônia já havia sido conquistada pelo Império Medo-Persa, que ocasionou a morte do rei Belsazar.

A cova dos leões

Era comum entre os reis do primeiro milênio antes de Cristo manter leões em cativeiro. Apesar disso, não existe um relato detalhado de como eram essas covas que serviam para manter os felinos presos.

Com base em alguns detalhes, especialmente na narrativa do livro de Daniel, estudiosos sugerem que a cova dos leões era um tipo de buraco profundo, como um fosso, e no topo havia uma cobertura, talvez ao nível da terra, com uma pequena abertura, algo semelhante a uma cisterna. De acordo com o texto bíblico, parece que essa abertura no topo era alta a ponto de um homem não poder alcança-la e escapar por ela (Daniel 6:17).

Provavelmente também havia alguma forma de acesso à cova pelas laterais, como um tipo de porta por onde os animais porventura poderiam ser tirados ou colocados na cova. Talvez esse acesso lateral pudesse ser usado para alimentá-los também.

Algumas pessoas tentam especular quantos leões viviam em cada cova, mas não há qualquer dado realmente confiável nesse sentido. Há quem fale em um número de sete leões, mas tal informação é baseada num texto apócrifo que não desfruta de autoridade histórica.

Por que Daniel foi lançado na cova dos leões?

Daniel foi lançado na cova dos leões por dois motivos. O primeiro, diz respeito ao fato de ele ter contrariado um decreto real. Após a conquista da Babilônia pelos medo-persas, o profeta achou graça diante de Dario, o Medo.

Como consequência, ele começou a se destacar muito no império, tal como havia ocorrido durante os dias de Nabucodonosor. Daniel havia sido designado pelo rei para ser um dos três homens responsáveis por supervisionar cento e vinte governadores de províncias que ele tinha estabelecido.

Todavia, por dádiva Divina, Daniel se destacou entre os demais de tal forma que o rei teve vontade de colocá-lo como superior sobre todo o reino. Isso despertou a ira e a inveja dos demais presidentes e governadores, que procuravam de alguma forma derrubar Daniel.

Como não conseguiram acusá-lo em nada, eles tramaram um plano propondo ao rei que firmasse um decreto a qual proibia que qualquer pessoa, no período de trinta dias, fizesse qualquer petição a outro homem ou a algum deus a não ser ao próprio rei. Quem desobedecesse deveria ser lançado na cova dos leões.

Ao saber disso, o profeta entrou em sua casa e, em seu quarto, que tinha as janelas apontando para o lado de Jerusalém, orava e rendia graças diante de Deus três vezes ao dia, como costumava fazer (Daniel 6:10).

Quando aqueles homens flagraram Daniel orando a Deus, logo eles o acusaram formalmente, obrigando o rei a executar sobre ele a sentença prevista no decreto. Dario gostava de Daniel e até tentou achar uma maneira de livrá-lo da sentença, mas não conseguiu. Daniel foi lançado na cova dos leões e uma pedra foi colocada sobre a abertura da cova, sendo selada pelo próprio rei para que nada fosse alterado.

O segundo motivo que fez com que Daniel fosse lançado na cova dos leões está relacionado ao costume persa, o povo que governava a Babilônia naquele período. Os persas eram zoroastrianos, e consideravam o fogo sagrado.

Assim, eles entendiam que era completamente inapropriado executar alguém através do fogo, diferente dos babilônios que tinham na fornalha uma de suas principais forma de execução. O episódio envolvendo Sadraque, Mesaque e Abede-Nego na fornalha de fogo ilustra bem essa questão. É por isso que a sentença de morte contra Daniel consistiu em lançá-lo na cova dos leões.

O que aconteceu com Daniel na cova dos leões?

A Bíblia apenas informa que Daniel não sofreu dano algum enquanto esteve na cova dos leões. Na verdade, a narrativa bíblica enfoca nessa parte mais a pessoa do rei Dario, e não a de Daniel. Dario foi para o seu palácio e passou a noite em jejum e sem conseguir dormir, além de também ter dispensado qualquer tipo de distração (Daniel 6:18).

Apesar das pessoas dizerem que Daniel deitou em cima dos leões, fez de um deles seu travesseiro, se cobriu com suas jubas e outras coisas desse tipo, tudo o que realmente se sabe é que Daniel permaneceu na cova dos leões durante uma noite inteira, e que nada lhe aconteceu porque Deus enviou um anjo para fechar a boca dos leões.

No dia seguinte, bem de manhã, o rei foi com pressa à cova dos leões, e chegando lá chamou por Daniel com voz triste. Quando soube que o profeta estava vivo, imediatamente mandou tirá-lo de lá, e ordenou que todos aqueles homens que tinham acusado Daniel fossem lançados, juntamente com suas famílias, na cova dos leões. O texto bíblico informa que antes mesmo que tivessem chegado ao fundo da cova, os leões já tinham atacado todos eles (Daniel 6:24).

Quantas vezes Daniel foi lançado na cova dos leões?

A Bíblia afirma que Daniel foi lançado na cova dos leões apenas uma vez, permanecendo nela durante uma noite inteira. No entanto, existe um registro considerado como não inspirado incluso na Septuaginta, que conta a história de uma segunda suposta condenação de Daniel à cova dos leões.

Segundo essa narrativa que não pertence ao livro canônico original de Daniel, mas que foi escrita entre 200 e 100 a.C., Daniel foi lançado na cova dos leões após o povo pressionar o rei, e ali permaneceu durante seis dias.

Durante esse período, ele teria recebido, inclusive, a visita do profeta Habacuque que foi transportado miraculosamente até a cova para prover alimento. De acordo com o texto, Daniel teria sido libertado da cova dos leões no sétimo dia, e seus acusadores lançados em seu lugar.

Esse relato pertence ao que parece ser um conjunto de histórias exageradamente lendárias, atribuídas, talvez por alguma tradição oral, à história de Daniel na Babilônia. Nem os judeus e nem a Igreja Reformada consideraram essa adição como parte inspirada do cânon do Antigo Testamento.

O que aprendemos com Daniel na cova dos leões?

Certamente o episódio de Daniel na cova dos leões nos ensina sobre a soberania de Deus na forma com que Ele governa todas as coisas nos mínimos detalhes. Nada foge do controle do Deus de Israel, Ele é o Senhor da História.

Nosso Deus possui poder absoluto sobre tudo e todos. Ele controla não só a natureza, mas os reinos e os reis e todo Universo. Aquele que abriu o mar para o povo de Israel passar é o mesmo que fez com que as muralhas de Jericó ruíssem, preservou o profeta Jonas no ventre de um grande peixe, livrou três de seus servos da morte em uma fornalha de fogo e fechou a boca dos leões naquela cova.

Tamanha demonstração de poder fez com que até mesmo aquele rei pagão reconhecesse de forma oficial em um decreto que o Deus de Daniel é o Deus vivo e eterno, cujo reino é indestrutível, e seu domínio inextinguível. “Ele livra, e salva, e faz sinais e maravilhas no céu e na terra; foi Ele quem livrou a Daniel do poder dos leões” (Daniel 6:27).

Além disso, também aprendemos com Daniel a sermos corajosos nas situações mais extremas, e não negar ao Senhor mesmo que nossa própria vida dependa disso. Mesmo com o decreto acerca da cova dos leões vigente, Daniel não tentou se esconder, ao contrário, ficou em seu próprio lugar, e fez o mesmo que de costume já fazia: orou a Deus e rendeu-lhe graças.

Para Daniel, a cova dos leões era um ambiente muito mais agradável do que o conforto de um palácio sem poder orar a Deus. Daniel colocou a honra de Deus acima de seu próprio bem-estar, e sua vida com Ele acima de sua própria vida terrena. Diante da riqueza de sua comunhão com Deus, do tesouro de poder confiar no Criador dos céus e da terra, a cova dos leões era um preço muito pequeno a se pagar.

Daniel foi libertado da cova dos leões, mas muitos outros homens justos e tementes a Deus não escaparam do sofrimento de uma condenação cruel. Abel foi morto por seu próprio irmão, a tradição afirma que o profeta Isaías foi serrado ao meio. Estêvão foi apedrejado, o apóstolo Pedro foi crucificado de cabeça para baixo e Paulo de Tarso foi decapitado.

Isso significa que se Deus prover o livramento fechando a boca dos leões, Ele é o Deus Todo-Poderoso, mas se Ele permitir que um de seus servos seja devorado por leões como muitos cristãos do primeiro século experimentaram, Ele ainda continua sendo o único e verdadeiro Deus, o Onipotente pelo século dos séculos. Aqui cabe a declaração de Jó: “Ainda que ele me mate, nele esperarei” (Jó 13:15).

No final, tanto Daniel que foi livrado da cova dos leões como todos aqueles que morreram por não negarem ao Senhor, são recepcionados pelo mesmo Deus e amparados em seus braços para todo o sempre. Os que são libertados da cova dos leões e os que morrem nela sendo fieis a Deus, recebem a mesma promessa: “O vencedor herdará tudo isto, e eu serei seu Deus e ele será meu filho” (Apocalipse 21:7).

Aplicativo de Estudo Bíblico

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