O Que Significa Dizer Que Deus é Espírito e Invisível?

Quando a Bíblia diz que Deus é espírito, isso significa que Deus não possui corpo físico e que Ele não é igual a qualquer uma de Suas criaturas. Ele não é constituído de qualquer tipo de matéria presente na criação, e não está limitado a um local no espaço.

A espiritualidade é um dos atributos de Deus, um daqueles atributos que descrevem o Seu ser. Mas obviamente esse assunto está além da nossa capacidade intelectual, de modo que não podemos compreendê-lo plenamente. Falar da espiritualidade de Deus é falar de como Deus é; de que como o Seu ser é formado. Por isso a Bíblia afirma que Deus é espírito, mas não explica de forma exaustiva o que isso significa.

Sabemos, contudo, que dizer que Deus é espírito não quer dizer que Ele é meramente energia, uma força ou puro pensando. Deus é um ser pessoal, autoconsciente e autodeterminante, e que possui qualidades muito bem definidas. Louis Berkhof diz que o fato de Deus ser espírito indica que Ele tem um ser substancial exclusivamente Seu e distinto do mundo; e que este ser substancial é imaterial, invisível, e sem composição nem extensão (Teologia Sistemática, pág. 58).

Então dizer que Deus é espírito implica em afirmar simplesmente que Sua forma de existência é infinitamente superior a tudo o que conhecemos e que está relacionado ao mundo material. Além disso, o fato de Deus ser espírito significa que não devemos pensar n’Ele como possuindo tamanhos ou dimensões – ainda que essas dimensões sejam infinitas.

Como explica Wayne Grudem, a espiritualidade de Deus significa que Ele existe como um ser que não é feito de matéria alguma; que não possui partes ou dimensões; que é incapaz de ser percebido por nossos sentidos físicos, e é mais excelente que qualquer outra espécie de existência (Manual de Teologia Sistemática, pág. 90).

Como a Bíblia afirma que Deus é espírito?

O segundo mandamento dado por Deus ao Seu povo proíbe claramente a adoração a qualquer imagem que represente o que há no céu ou na terra (Êxodo 20:4). Portanto, isso já é uma advertência de que Deus é diferente de tudo o que existe no Reino da Criação, e que não há nada material que possa descrevê-lo.

Grudem afirma que pensar no ser de Deus em termos de qualquer outra coisa no universo criado é falsificá-lo, limitá-lo, é pensar nele como algo menor do que Ele realmente é. Embora a Criação reflita características do caráter de Deus – por exemplo: o homem foi criado à imagem e semelhança de Deus (Gênesis 1:27) –, tentar descrever Deus existindo de uma forma ou modo de ser que seja semelhante a qualquer coisa na Criação, é pensar n’Ele de modo terrivelmente ilusório e desonroso.

Também é importante entender, conforme observa Millard Erickson, que a doutrina da espiritualidade de Deus faz oposição à prática da idolatria e ao culto à natureza. Sendo espírito, Deus não pode ser representado por nenhum objeto ou figura física. Além disso, o fato de Ele não se limitar a um espaço geográfico também combate a ideia de que Deus pode ser contido ou controla por alguém (Teologia Sistemática, pág. 108).

Quando Jesus foi questionado pela mulher samaritana a respeito do lugar onde as pessoas deveriam adorar a Deus, o Senhor Jesus respondeu a ela que os verdadeiros adoradores haveriam de adorar o Pai em espírito e em verdade, “porque Deus é espírito, e importa que os que o adoram o adorem em espírito e em verdade” (João 4:19-24).

Durante seu sermão em Atenas, o apóstolo Paulo falou de forma implícita acerca da espiritualidade de Deus ao afirmar que “o Deus que fez o mundo e tudo o que nele existe, sendo Ele Senhor do céu e da terra, não habita em santuários feitos por mãos humanas” (Atos 17:24).

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Deus é espírito e invisível

A espiritualidade de Deus também está diretamente relacionada à Sua invisibilidade. Na Bíblia lemos: “Ao Rei dos séculos, imortal, invisível, ao único Deus seja honra e glória para todo o sempre. Amém” (1 Timóteo 1:17). O mesmo apóstolo ainda fala de Deus como sendo “o único que é imortal e habita em luz inacessível; a quem ninguém viu nem pode ver” (1 Timóteo 6:16). O próprio Senhor Jesus diz: “Ninguém viu o Pai, a não ser Aquele que vem de Deus; somente Ele viu ao Pai” (João 6:46).

Sendo espírito, invisível e infinitamente superior à nossa forma de existência, a essência total do ser de Deus não pode ser vista por nós. Apesar disso, muitas passagens bíblicas descrevem Deus como que possuindo aspectos físicos, tais como olhos, boca, mãos e pés. Isso, claro, não se trata de uma contradição bíblica, mas simplesmente do uso de uma linguagem antropomórfica que procura expressar a verdade de Deus de uma forma mais inteligível pelo uso de analogias humanas.

Além do mais, o Deus que é espírito e invisível falou ao seu povo muitas vezes de forma visível através de manifestações temporárias externas – as teofanias ocorridas nos tempos do Antigo Testamento (Gênesis 18:1-33; 32:28-20; Êxodo 13:21,22; Juízes 13:21,22 etc.).

Mas todas as manifestações exteriores visíveis do Deus invisível apontavam para a manifestação suprema de Deus na pessoa de Cristo. A Bíblia diz que “ninguém jamais viu a Deus, mas o Filho Unigênito, que está junto do Pai, o tornou conhecido” (João 1:18). Jesus Cristo é o resplendor da glória de Deus e a expressão exata do Seu ser (Hebreus 1:3). Ele é a imagem do Deus invisível (Colossenses 1:15). Por isso verdadeiramente Ele pôde dizer: Quem vê a mim vê o Pai (João 14:9).

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