O Que Era o Dia da Expiação (Yom Kippur)?

O Dia da Expiação era a data mais importante do calendário dos israelitas no Antigo Testamento. Esse era o dia em que a expiação anual pelos pecados do povo de Israel era feita, tanto corporativa como individualmente. O cerimonial incluía até a purificação do próprio Tabernáculo (Levítico 16:16). O Dia da Expiação acontecia no décimo dia do sétimo mês do calendário judaico (entre setembro e outubro).

Ainda hoje o Dia da Expiação é uma data sagrada para o judaísmo e é conhecida como Yom Kippur. Mas sua observância atualmente ocorre de forma bem diferente daquela que ocorria nos tempos bíblicos.

O Dia da Expiação envolvia rituais muito rígidos e significativos, além do oferecimento de vários sacrifícios. O Dia da Expiação foi instituído pelo próprio Deus através de uma ordenança dada a Moisés.

A Bíblia diz que isso aconteceu depois que os dois filhos de Arão morreram ao se apresentar diante de Deus de forma irreverente e inadequada (Levítico 16:1). Deus proibiu a entrada no Santo dos Santos. A exceção ocorria justamente no Dia da Expiação. Nesse dia, o sumo sacerdote tinha a oportunidade de ir além do véu no Santuário onde estava a Arca da Aliança; mas não sem uma oferta de sangue (Levítico 16:3).

O que acontecia no Dia da Expiação?

Os detalhes acerca de tudo o que acontecia no Dia da Expiação estão registrados no livro de Levítico (Levítico 16:1-34; 23:26-32; cf. Êxodo 30:10; Levítico 23:26-32). Nessa data havia uma convocação de jejum nacional, que começava na tarde do nono dia e durava até o entardecer do décimo dia.

O ritual do Dia da Expiação era dividido em dois atos principais. Um era em favor do sacerdócio, e o outro em favor de toda nação de Israel. Uma semana antes dessa data, o sumo sacerdote já se deslocava de sua própria casa para o Tabernáculo. Então no Dia da Expiação os acontecimentos se davam da seguinte forma:

  • O sumo sacerdote se lavava na pia do átrio e trocava seu traje regular por uma roupa especial de linho branco (Levítico 16:4).
  • O sumo sacerdote oferecia um novilho como oferta pelo pecado dele próprio e da sua família (Levítico 16:3,6,11).
  • O sumo sacerdote entrava no Santo dos Santos com o sangue do novilho. Então ele aspergia o sangue do novilho sete vezes sobre o propiciatório que ficava sobre a Arca da Aliança. Além disso, ele também carregava o incensário com brasas tiradas do altar. O incenso servia como uma nuvem que cobria o propiciatório e evitava que o sumo sacerdote morresse pelo contado com a presença de Deus (Levítico 16:12-14).
  • O sumo sacerdote voltava ao átrio e tomava dois bodes que tinham sido separados. Então ele lançava sorte sobre eles. O objetivo disso era determinar qual bode seria imolado como oferta pelo pecado e qual seria o bode emissário enviado ao deserto (Levítico 16:7,8).
  • O sumo sacerdote sacrificava o bode determinado como oferta pelo pecado do povo. Em seguida ele entrava mais uma vez no Santo dos Santos e aspergia o sangue sobre o propiciatório. Depois ele saía para o Lugar Santo e também salpicava-o com sangue (Levítico 15-17; cf. Êxodo 30:10).
  • O sumo sacerdote retornava ao átrio até o altar do holocausto e purificava-o com o sangue do novilho e do bode (Levítico 16:18,19).
  • O sumo sacerdote impunha as mãos sobre o bode emissário e confessava os pecados do povo. Na sequência ele enviava o bode emissário ao deserto (Levítico 16:20-22).
  • Depois de enviar o bode emissário ao deserto, o sumo sacerdote tirava sua roupa especial que devia ser usada apenas no Dia da Expiação. Então ele se lavava e colocava sua veste regular de sumo sacerdote (Levítico 16:23,24).
  • O sumo sacerdote oferecia em holocausto dois carneiros para si e para o povo, e a gordura do sacrifício pelo pecado era queimada (Levítico 16:24,25).
  • A pessoa responsável por levar o bode emissário também devia purificar-se para que pudesse entrar no arraial (Levítico 16:26).
  • O novilho e o bode que tinham sido sacrificados pelo pecado eram levados para fora do arraial para que pudessem ser queimados. Por fim, a pessoa responsável por queimar o novilho e o bode também precisava se purificar (Levítico 16:27).
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O significado do Dia da Expiação

As ações realizadas pelo sumo sacerdote durante o Dia da Expiação serviam para expiar o pecado dos israelitas arrependidos. Os sacrifícios oferecidos tinham por objetivo purificar não somente os adoradores, mas também o santuário terreno.

Mas todo o cerimonial do Dia da Expiação tinha um alcance limitado. Ele não oferecia expiação definitiva pelo pecado do povo. Nesse sentido ele apontava para uma realidade maior; ele anunciava uma expiação perfeita e definitiva.

O Novo Testamento deixa muito claro de que forma o significado do Dia da Expiação apontava para Cristo. Foi na crucificação de Jesus que se cumpriu o simbolismo do Dia da Expiação. Isso também significa que o perdão derramado sobre os crentes israelitas no Dia da Expiação não estava fundamentado essencialmente em algum sacrifício animal, mas estava baseado no sacrifício último do qual todos os outros anunciavam.

Em outras palavras, todos os sacrifícios expiatórios realizados no Dia da Expiação tipificavam o sacrifício perfeito do Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo. Um exemplo disso é a cerimônia envolvendo os dois bodes. Ambos os bodes eram vistos como duas partes de uma só oferta. Então à luz do Novo Testamento, percebemos como aquela cerimônia falava vividamente do ministério redentor do Filho de Deus.

Tal como o bode imolado como oferta pelo pecado dos israelitas, Cristo foi sacrificado pelo pecado do seu povo. Da mesma forma, tal como o bode emissário que simbolicamente levava os pecados dos israelitas para o deserto, ou mesmo como os corpos dos animais sacrificados no Dia da Expiação que eram queimados fora do arraial, Cristo foi levado para além dos muros de Jerusalém, carregando sobre si os pecados daqueles a quem Ele redimiu.  (Hebreus 13:11-13).

O Novo Testamento também nos diz que o sumo sacerdote que entrava no Santuário terreno prefigurava Cristo que entrou no Santuário celestial. Mas diferentemente do sumo sacerdote de Israel, Cristo não entrou no Santuário por sangue de bodes ou novilhos. Ele entrou no Santuário Celestial por seu próprio sangue (Hebreus 9:12). Além disso, sua entrada no Santuário foi permanente, e não apenas durante um único dia, uma vez por ano.

Por fim, no Dia da Expiação somente o sumo sacerdote podia entrar no Santo dos Santos e se achegar diante do propiciatório que cobria a Arca. A Arca da Aliança era o símbolo máximo da presença de Deus no meio do seu povo; era a representação do trono de Deus na terra. Mas a partir do verdadeiro Dia da Expiação que se deu no Calvário, Cristo abriu o acesso ao Santo dos Santos de uma vez por todas. Agora os redimidos podem se achegar confiantes diante do trono da graça (Hebreus 4:16).

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