O Que a Bíblia Diz Sobre a Doação de Órgãos?

Algumas pessoas possuem dúvidas a respeito do que a Bíblia diz sobre a doação de órgãos. Será que um cristão pode doar órgãos? Seria a doação de órgãos um pecado? Neste estudo veremos como podemos entender essa questão à luz da Palavra de Deus.

O que é a doação de órgãos?

A doação de órgãos basicamente consiste num procedimento clínico onde uma pessoa, por livre vontade, aceita doar uma ou mais partes de seu corpo em benefício do próximo. Dependendo do órgão ou tecido, a doação pode ser feita em vida ou somente após a morte. Em vida, uma pessoa pode doar um de seus rins, medula óssea e parte de seu fígado e pulmão.

Já os demais tipos de doação são realizados após a confirmação da morte do paciente. Nesses casos algumas vezes há a possibilidade de doar órgãos como: coração, pâncreas, pulmão, rim e fígado. Também é possível doar alguns tecidos, como: córnea, pele, ossos, cartilagem, válvulas cardíacas etc.

Qualquer doação de órgãos tem o objetivo de auxiliar no tratamento do paciente receptor. Às vezes a doação do órgão ou tecido traz simplesmente maior qualidade de vida. Mas muitas vezes a doação de órgãos significa uma condição essencial para a sobrevida do paciente. Em outras palavras, em determinados casos se o transplantado não recebesse o órgão doado, fatalmente ele morreria.

No caso de uma doação de órgão em vida, o próprio doador é quem autoriza e se responsabiliza por tudo o que envolve o processo. Já quando a doação é feita após a morte do doador, cabe à família informar o desejo do ente querido falecido e autorizar a doação.

É sabido que no Brasil existem milhares de pessoas na fila de transplantes a espera de órgãos. Em contrapartida a isto, o déficit de doadores ainda é grande. Na maioria das vezes possíveis doações não são realizadas por motivos como: falta de esclarecimento sobre o procedimento; falha na conscientização da população; questionamentos éticos por parte de alguns; e dúvidas a respeito de implicações religiosas.

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A doação de órgãos e a Bíblia

A Bíblia não diz absolutamente nada a respeito da doação de órgãos especificamente. Obviamente isso se dá pelo fato de o transplante de órgãos ser algo muito recente. Nos tempos bíblicos a ideia de doação de órgãos era inconcebível por causa do estágio em que a ciência médica se encontrava.

Mas isto não significa que não há nada na Bíblia que nos ajude a entender este tema. A doação de órgãos certamente se enquadra nos preceitos bíblicos que norteiam o nosso relacionamento com o próximo.

A Bíblia é muito clara ao revelar a dignidade da vida humana criada à imagem de Deus. Ela também afirma que a vida do próximo vale tanto quanto a nossa própria vida. Jesus resumiu a Lei de Deus em dois grandes mandamentos fundamentais: o amor a Deus e o amor ao próximo. Esse amor ao próximo, no entanto, não é qualquer grau de amor. Esse amor é “amar ao próximo como a si mesmo”, não menos que isto (Marcos 12:30,31).

A doação de órgãos sem dúvida é uma grande expressão desse amor que enxerga a vida do próximo tão digna como a nossa própria vida. Jesus ainda falou mais sobre o amor abnegado em favor do próximo. Ele disse: “O meu mandamento é este: que vocês amem uns aos outros, assim como eu os amei. Ninguém tem maior amor do que este: de dar alguém a própria vida em favor de seus amigos” (João 15:12,13; cf. 1 João 3:16).

Claro que essas palavras de Jesus pertencem a um contexto completamente diferente da doação de órgãos. No entanto, elas se harmonizam a tal situação. Na maioria das vezes o doador de órgãos doa, ainda que não literalmente a própria vida, mas algo essencial à vida do próximo.

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A doação de órgãos e a ressurreição

Um dos maiores dilemas para alguns cristãos sobre a doação de órgãos está relacionado à doutrina da ressurreição. Algumas pessoas acreditam que a doação de órgãos pode ser um problema no momento da ressurreição do corpo no última dia. Se um coração, um pulmão ou qualquer outro órgão for doado, como ficará o doador quando tiver seu corpo ressuscitado por ocasião da volta de Cristo?

Obviamente a doação de órgãos não implica em nenhuma dificuldade nesse sentido. Em primeiro lugar, ainda que em certo aspecto haverá alguma continuidade entre o nosso corpo atual e o corpo ressurreto no que diz respeito à identidade, em outro aspecto eles serão essencialmente diferentes. Realmente são os nossos corpos que serão ressuscitados! Porém, esses corpos se levantarão em glória, tornando-se semelhantes ao corpo glorioso de Cristo (Romanos 8:11; Filipenses 3:21).

Portanto, os corpos ressurretos serão perfeitos e incorruptíveis. O apóstolo Paulo escreve que a carne e o sangue não podem herdar o reino de Deus, nem a corrupção herdar a incorrupção. Então o que é corruptível se revestirá de incorruptibilidade, e o que é mortal se revestirá da imortalidade (1 Coríntios 15:42-54).

Em segundo lugar, embora não sejamos capazes de compreender como tudo isso se dará, devemos ser confortados na certeza de que nosso Deus Todo-Poderoso saberá conduzir todas essas coisas com perfeição. O fato de alguém ter doado seus órgãos definitivamente não será um problema para Deus no momento de ressuscitar o seu corpo.

Além disso, milhões e milhões de pessoas, por inúmeros fatores, já tiveram seus corpos completamente dissolvidos. Ainda assim todas elas ressuscitarão no último dia; seja para a vida eterna, seja para a vergonha eterna (Daniel 12:2). O Deus que criou todas as coisas saberá exatamente como ressuscitá-las.

O mesmo também pode ser dito das pessoas que nasceram deficientes ou aquelas que foram amputadas ao longo de suas vidas. Certamente seus membros não estarão em falta no corpo ressuscitado. Assim, a doutrina da ressurreição não é um impedimento para a doação de órgãos.

Ética Cristã e doação de órgãos: doar ou não doar órgãos é pecado?

Sabemos que a ética cristã é fundamentada nas Escrituras. Como foi dito, ainda que a Bíblia não trate especificamente sobre a doação de órgãos, não há nada nela que nos leve a concluir que doar órgãos é errado.

Em vez disso, a Bíblia por muitas vezes incentiva e indica a importância da doação ao próximo. Inclusive, esse tema permeou todo o ministério de Jesus Cristo. Por isto o apóstolo Paulo relembra as palavras do Mestre: “Há maior felicidade em dar do que em receber” (Atos 20:35). Com toda certeza a doação de órgãos é uma das formas mais notáveis de se doar algo a alguém.

Então a ética cristã de maneira alguma se opõe a doação de órgãos. Porém, há que se ressaltar que a doação de órgãos não tornará alguém mais digno ou menos digno da salvação eterna. Nesse sentido, a única doação que garante nossa redenção foi aquela realizada por Jesus na cruz. Ele não apenas doou seu corpo para ser castigado em nosso favor, mas, principalmente, suportou a ira de Deus em nosso lugar.

Também é importante dizer que se doar órgãos não é um pecado, não doar também não deve ser visto como um. Algumas pessoas até podem recorrer à questão da negligência à necessidade do próximo para falar que a não doação de órgãos configura um tipo de pecado. Mas a melhor posição é entender que essa decisão deve ficar no campo da liberdade cristã.

Sem dúvida a ética cristã apoia e incentiva a doação de órgãos com base em preceitos bíblicos gerais. Mas ela também não torna essa decisão obrigatória. Cada um deve orar a Deus, conversar com seus familiares e tomar a melhor decisão de acordo com a sua consciência.

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