Eutanásia é Pecado na Bíblia?

A eutanásia é pecado segundo os princípios bíblicos. A Bíblia afirma que matar é pecado, como está claramente expresso no sexto mandamento (Êxodo 20:13). Mas para entendermos como o cristão deve tratar a questão da eutanásia à luz da Palavra de Deus, antes é importante conceituar o que de fato é a eutanásia.

A eutanásia consiste no ato de acelerar a morte de um doente em estado terminal, ou de uma pessoa que é afligida por um sofrimento físico intenso e irreversível. A eutanásia também é conhecida como suicídio ou morte assistida. O significado da palavra eutanásia transmite um sentido de “morte agradável” ou “boa morte”.

De forma complementar à discussão sobre a pena de morte, muitas vezes surge a questão da eutanásia. No entanto, jamais devemos confundir uma coisa com a outra. Se a Bíblia não proíbe a pena de morte em casos legítimos de aplicação da justiça por uma autoridade capaz, o mesmo não se pode dizer da eutanásia.

Há algum caso de eutanásia na Bíblia?

Não há um versículo bíblico específico que registra um episódio semelhante aos casos modernos de eutanásia. Algumas pessoas usam o relato de um amalequita sobre a morte do rei Saul como um possível caso e eutanásia. O homem descendente dos amalequitas disse a Davi que havia encontrado Saul ainda vivo na montanha de Gilboa. Então supostamente Saul, já ferido e cansado da batalha, teria pedido para que o amalequita o matasse para que seu sofrimento fosse abreviado e ele não caísse nas mãos do exército inimigo (2 Samuel 1:5-16).

Mas na verdade o homem amalequita apenas estava alegando ter matado Saul na tentativa de agradar o novo rei. Provavelmente ele pensava que poderia ser recompensado por reivindicar a morte de Saul. O que realmente aconteceu na ocasião da morte de Saul está registrado no último capítulo de 1 Samuel. Definitivamente não houve um caso de eutanásia, mas um suicídio por parte de Saul (1 Samuel 31; cf. 2 Samuel 4:10). O amalequita que disse ter aplicado um tipo de eutanásia a Saul simplesmente havia alcançado seu corpo antes dos filisteus.

Então o que a Bíblia diz sobre a eutanásia?

Mas a ausência de um versículo específico sobre a eutanásia não significa que a Bíblia aprova essa prática. Muito pelo contrário! A Bíblia diz que a vida é um dom de Deus e a intenção premeditada e deliberada de tirá-la, configura um grave pecado. Certamente a eutanásia não se encaixa como uma exceção permissiva frente aos mandamentos divinos acerca da preservação da vida e da dignidade humana.

Algumas pessoas tentando até equiparar a eutanásia à aplicação da pena de morte. Mas uma coisa não tem nada a ver com outra. Enquanto a pena de morte era permitida nos tempos bíblicos como forma de preservar a justiça e a ordem, a eutanásia jamais aparece como uma forma legitima de abreviar os dias de uma pessoa na terra.

A prática da eutanásia é completamente contrária à verdade bíblica! A eutanásia é uma aplicação da pena de morte a um inocente. Nesse caso a eutanásia quebra o sexto mandamento, pois é um assassinato.

O salmista escreve que antes que ele nascesse, todos os seus dias já tinham sido escritos no livro do Senhor (Salmo 139:16). Isso está de acordo com o ensino bíblico de que Deus é quem tem o poder sobre a vida e a morte. Deus sabe quando uma vida deve começar, bem como sabe quando ela deve terminar.

A eutanásia e a ética cristã

Jamais a ética cristã estará de acordo com a eutanásia. Na verdade a eutanásia pertence àquele tipo de ética naturalística que defende a eliminação dos mais fracos, doentes, velhos e inválidos.

Mas a ética cristã não ignora a realidade de que há situações de terrível dor e sofrimento. Mesmo assim, os cristãos não devem ver a eutanásia como uma alternativa. Há personagens bíblicos que padeceram grande dor e sofrimento físico, mas não se valeram da eutanásia para por fim à sua condição. A história de Jó talvez seja o exemplo mais conhecido nesse sentido (Jó 2:9).

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O cristão e a eutanásia

Então o que o cristão deve fazer diante de situações onde há grande dor e sofrimento, sem que os princípios bíblicos sejam violados?

Esta pergunta envolve muitas situações complicadíssimas, especialmente do ponto de vista ético. Será que procedimentos invasivos e dolorosos, que não tenham o objetivo curativo, mas simplesmente paliativo numa fase irreversível, poderiam ser evitados? Aparelhos que mantém uma pessoa viva de forma artificial num estado irreversível poderiam ser desligados? Manobras de ressuscitação em doentes terminais poderiam ser rejeitadas?

Podemos responder a tais perguntas da seguinte forma. O cristão sempre deve decidir a favor da vida. Mas não é errado deixar com que a vida siga seu curso natural. Por tanto, nas situações acima, não há como dizer que biblicamente haveria a configuração da eutanásia.

Na tentativa de evitar o sofrimento, a eutanásia elimina a vida de uma pessoa de forma prematura. Mas quando se permite que a própria vida encontre seu fim certo, não há implicações morais ou alguma transgressão dos mandamentos do Senhor. Deus é poderoso para curar e reverter qualquer situação impossível, se Ele assim quiser. Então nosso papel como cristão é orar a Deus, sabendo que sua soberana vontade será sempre cumprida, independentemente do que aconteça.

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