Estudo Bíblico de Êxodo 7

Êxodo 7 é o capítulo da Bíblia que registra o início das pragas que foram enviadas por Deus ao Egito. O estudo bíblico de Êxodo 7 mostra como Faraó foi endurecido mesmo diante dos sinais do poder do Senhor.

É importante saber que Êxodo 7 continua de forma natural a narrativa dos capítulos anteriores do livro de Êxodo. Em Êxodo 5 lemos a respeito da primeira vez que Moisés e Arão se apresentaram diante de Faraó e pediram que ele permitisse que os israelitas pudessem ir ao deserto cultuar ao Senhor. Mas o mesmo capítulo revela que Faraó não apenas se recusou a liberar os israelitas, como também aumentou a carga de trabalho sobre eles. Isso, obviamente, gerou descontentamento nos israelitas. Consequentemente, Moisés também desanimou do seu chamado.

Porém, no capítulo seguinte, Êxodo 6, Deus falou com Moisés e mais uma vez lhe garantiu que haveria de livrar os israelitas do Egito de forma milagrosa. Então no final do capítulo 6 o comissionamento de Moisés é reafirmado pelo Senhor, que também ordenou que ele falasse novamente a Faraó. É nesse ponto que a narrativa de Êxodo 7 tem início.

O esboço de Êxodo 7 pode ser organizado da seguinte maneira:

  • Deus fala com Moisés (Êxodo 7:1-5).
  • Moisés fala novamente a Faraó (Êxodo 7:6-13).
  • A primeira praga (Êxodo 7:14-21).
  • O resultado da primeira praga (Êxodo 7:22-25).

Deus fala com Moisés (Êxodo 7:1-5)

O texto de Êxodo 7 começa registrando as palavras do Senhor a Moisés na terra do Egito. Os primeiros versículos de Êxodo 7 é basicamente um resumo da missão de Moisés no Egito e enfatiza que realmente Moisés havia sido escolhido por Deus para a missão de liderar a saída dos israelitas daquelas terras. No texto bíblico o Senhor diz: “Vê que te constituí como Deus sobre Faraó” (Êxodo 7:1). Isso significa que Moisés estava agindo na qualidade de embaixador de Deus no Egito. As palavras de Moisés eram as palavras de Deus.

Mas Moisés já havia alegado que não sabia falar. Então, seu irmão Arão foi escolhido para ser o seu profeta (Êxodo 7:1). Portanto, enquanto Moisés era o porta-voz de Deus, Arão era o porta-voz de Moisés.

O texto bíblico também informa que Deus haveria de endurecer o coração de Faraó, e então manifestar os seus sinais e maravilhas na terra do Egito (Êxodo 7:3). Esses “sinais e maravilhas” se referiam às pragas que seriam enviadas ao Egito, bem como aos milagres de preservação dos israelitas enquanto as pragas estavam sendo derramadas.

Conforme Faraó se recusasse a ouvir a palavra de Deus através de Moisés e Arão, Deus colocaria a mão sobre o Egito e faria sair dali os filhos de Israel com grandes manifestações de juízo (Êxodo 7:4).

O fato de Deus dizer que endureceria o coração de Faraó não significava que Deus haveria de colocar o mal no coração do rei egípcio, mas que ele entregaria Faraó completamente à própria obstinação e perversidade de seu próprio coração. Então através da manifestação de seu poder ao tirar os israelitas do Egito, os egípcios não poderiam negar o envolvimento direto do Deus de Israel com a libertação daquele povo da escravidão (Êxodo 7:5).

Essa primeira parte de Êxodo 7 deixa muito claro a verdadeira exigência de Deus em relação à situação de Israel. Deus não queria que o povo saísse temporariamente do Egito, mas que o povo saísse definitivamente de lá.

Moisés fala novamente a Faraó (Êxodo 7:6-13)

Moisés e Arão fizeram conforme o Senhor lhes ordenou (Êxodo 7:6). Naquele tempo Moisés tinha oitenta anos de idade, enquanto que Arão tinha oitenta e três (Êxodo 7:7). Além disso, o Senhor também ordenou que quando Faraó pedisse por milagres, Moisés deveria mandar que Arão lançasse o seu bordão diante de Faraó, porque o bordão se transformaria numa serpente (Êxodo 7:9).

Moisés e Arão obedeceram às palavras do Senhor e se apresentaram diante de Faraó. E na presença de Faraó o bordão de Arão se transformou numa serpente. Mas Faraó mandou que seus mágicos e adivinhos egípcios fizessem a mesma coisa. Na religião panteísta dos egípcios, havia muitas pessoas que se ocupavam de mágicas, feitiçarias e encantamentos. Essas eram as pessoas consideradas entendidas de religião no Egito. Inclusive, o encantamento de serpentes era uma prática comum entre essas pessoas.

O texto bíblico simplesmente diz que os sábios de Faraó conseguiram também fazer o mesmo através de suas ciências ocultas (Êxodo 7:11). Com isso, o texto não explica exatamente como eles conseguiram fazer isso; se foi através de ilusão de ótica, de algum truque de manipulação ou por qualquer outro tipo de artifício. Além do mais, a Bíblia ainda fala da possibilidade da realização de supostos milagres pela ação de espíritos malignos (cf. Apocalipse 16:14).

Seja como for, o que é certo é que os bordões daqueles encantadores se transformaram em serpentes. Mas o texto bíblico também diz que o bordão de Arão devorou os bordões dos mágicos de Faraó (Êxodo 7:12). Aqueles sábios dependiam dos truques de suas ciências ocultas. Mas Arão dependia totalmente do poder divino, incomparavelmente superior a qualquer outra manifestação de poder.

O texto do livro de Êxodo não informa os nomes desses sábios de Faraó. Mas é bem possível que eles fossem os mesmos citados pelo apóstolo Paulo cujos nomes eram Janes e Jambres (2 Timóteo 3:8). Paulo diz que da mesma forma que àqueles feiticeiros resistiram a Moisés, os falsos mestres também resistem à verdade de Deus.

A primeira praga (Êxodo 7:14-21)

Mesmo após o sinal do poder de Deus ao transformar o bordão de Arão numa serpente, e depois fazer com que aquele bordão devorasse os bordões dos sábios egípcios, ainda assim o coração de Faraó se endureceu e ele não ouviu o que Moisés e Arão lhe falaram (Êxodo 7:13).

Então o Senhor ordenou que Moisés fosse se encontrar com Faraó pela manhã, quando ele haveria de sair para ir ao rio Nilo. Talvez Faraó fosse ao Nilo para se lavar ou para participar de algum ritual religioso. Moisés deveria espera-lo na beira do rio. Deus também falou que Moisés tomasse o bordão que havia se tornado em serpente, e anunciasse a Faraó que pelo fato de ele não ouvir o apelo de liberar os israelitas, as águas do rio Nilo seriam feridas, e se tornariam em sangue, trazendo morte ao rio e escassez de água aos egípcios (Êxodo 7:14-18).

Deus também ordenou que Moisés falasse para Arão estender o seu bordão sobre as águas do Egito para que todas elas – rios, canais, lagoas e reservatórios – se tornassem em sangue (Êxodo 7:19). A Bíblia diz que Moisés e Arão fizeram conforme a ordem do Senhor. Tudo isso aconteceu bem diante de Faraó e de seus oficiais. E foi assim que caiu a primeira das dez pragas sobre o Egito (Êxodo 7:20).

Algumas pessoas tentam encontrar uma explicação natural para esse acontecimento. Mas o texto bíblico não permite qualquer outra interpretação que não seja aquela que coloca esse fenômeno como um ato de Deus. Inclusive, o texto diz: “Nisto saberás que eu sou o Senhor: com este bordão que tenho na mão ferirei as águas do rio, e se tornarão em sangue” (Êxodo 7:17). É fácil perceber neste versículo que seria o próprio Deus quem realizaria aquele milagre.

Além disso, qualquer tentativa de dizer que as águas do rio Nilo ficaram apenas avermelhadas devido à mistura com argila vermelha, também não se sustenta semanticamente. A palavra “sangue” traduz um termo hebraico que sempre indica o sangue como uma substância, e não apenas uma cor vermelha.

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O resultado da primeira praga (Êxodo 7:22-25)

A primeira praga que atingiu as águas do Egito, principalmente o rio Nilo e seus braços, foi um golpe certeiro na religião e na economia egípcia. Isso porque o rio Nilo era basicamente a fonte de vida do Egito que se desenvolveu às suas margens. O Nilo era o grande recurso econômico do Egito ao tornar possível a agricultura naquela terra.

Por tudo isso o Nilo era reverenciado como uma divindade nas terras egípcias. Então ao tornar o Nilo e as águas do Egito em sangue, o Senhor revelou sua superioridade absoluta sobre Faraó e o panteão egípcio.

Mas essa primeira praga não fez com que Faraó reconsiderasse sua posição. Na verdade, o texto bíblico diz que os feiticeiros de Faraó também conseguiram repetir aquele sinal, e isso fez com que o coração de Faraó se endurecesse (Êxodo 7:22). Então Faraó simplesmente se virou e foi para sua casa. Enquanto isso, os egípcios começaram a cavar poços junto ao rio, para que pudessem conseguir água potável (Êxodo 7:23,24).

É interessante notar que o fato de os magos egípcios terem conseguido mostrar a Faraó que também podiam reproduzir aquele sinal, não significava exatamente uma demonstração de poder. Isso porque se de fato eles fossem capazes de fazer alguma coisa realmente poderosa, então eles teriam procurado reverter àquela maldição, e não simplesmente imitá-la.

Por fim, o texto de Êxodo 7 termina informando que depois de as águas do Egito terem se tornado sangue, passaram-se sete dias até que a segunda advertência do Senhor a Faraó fosse dada e, consequentemente, a segunda praga fosse derramada no Egito (Êxodo 7:25).

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