A História das Filhas de Ló

As filhas de Ló ficaram conhecidas na Bíblia por terem gerado de forma pecaminosa os ancestrais de dois povos inimigos dos israelitas. A história das filhas de Ló está registrada no Antigo Testamento no livro de Gênesis (Gênesis 19:30-38).

As duas filhas de Ló aparecem na narrativa bíblica no capítulo que registra a destruição das cidades de Sodoma e Gomorra. Mas a Bíblia não menciona seus nomes; tampouco fornece qualquer detalhe adicional sobre as filhas de Ló além do fato de que elas eram virgens enquanto moravam em Sodoma.

Alguns livros apócrifos tentam atribuir nomes às filhas de Ló. O falso Livro de Jasar, por exemplo, diz que Ló teve uma filha chamada Paltith, mas que ela não era uma das duas filhas que acompanharam Ló para fora de Sodoma. Supostamente essa filha de Ló foi morta queimada pelos habitantes de Sodoma por ter ajudado um homem estrangeiro que estava passando fome.

O problema com esse relato é que ele está registrado num livro que não possui qualquer credibilidade. É verdade que a Bíblia cita um escrito intitulado Livro de Jasar, mas esse livro foi perdido e nada tem a ver com o Livro de Jasar que circula na atualidade.

Portanto, é seguro afirmar que essa história da filha de Ló não passa de uma lenda presente num livro de ficção. Tudo o que realmente se sabe sobre as filhas de Ló é aquilo que está registrado na Escritura.

Quantas filhas Ló teve?

O texto bíblico do livro de Gênesis fala de forma clara sobre duas filhas de Ló. Essas mulheres, inclusive, eram virgens (Gênesis 19:8). Porém, o mesmo capítulo bíblico fala que tinha genros. O problema é que nesse ponto o texto hebraico pode ser traduzido tanto de modo a indicar que esses genros eram os homens que ainda iam se casar com as filhas de Ló; como também pode indicar que eles já tinham se casado com elas (Gênesis 19:14).

Diante disso, há basicamente duas interpretações. Alguns poucos comentaristas sugerem que talvez esses genros citados no texto bíblicos não fossem necessariamente os pretendentes das duas filhas virgens de Ló. Então quem pensa assim sugere que Ló tinha mais filhas, e que essas filhas casadas acabaram ficando junto de seus maridos em Sodoma.

Inclusive, alguns comentaristas chegam a conjecturar que a mulher de Ló não conseguiu se desprender de Sodoma justamente porque ela deixou parte de sua família na cidade. Conduto, esse tipo de argumentação não passa de especulação e não conta com qualquer evidência bíblica.

Já a maioria dos estudiosos entende que esses genros citados no texto bíblico eram os homens a quem as filhas de Ló foram prometidas em matrimônio. Em outras palavras, Ló tinha somente duas filhas que ainda eram virgens, mas que já estavam oficialmente comprometidas com homens de Sodoma conforme os costumes do antigo Oriente Próximo, faltando apenas a consumação do casamento.

O pecado das filhas de Ló

As filhas de Ló são retratadas na Bíblia de modo a ilustrar o legado de um homem que havia se tornado patético. Embora Ló tivesse caminhado ao lado de seu tio Abraão, ele escolheu se acomodar na perversa cidade de Sodoma.

Quando Deus decidiu destruir Sodoma, a Bíblia diz que por amor a Abraão o Senhor livrou Ló (Gênesis 19:29). Em outras palavras, o fato de Ló e suas filhas terem escapado de Sodoma foi uma pura demonstração da misericórdia divina.

Mas mesmo diante do aviso do juízo de Deus, Ló se mostrou relutante em sair da cidade. Embora Ló se afligisse com a imoralidade de Sodoma, os anjos do Senhor precisaram pegá-lo pela mão para arrastá-lo para fora da cidade. Em seguida, insistentemente Ló pediu para que ele pudesse seguir seu próprio caminho. Foi assim que Ló e suas duas filhas foram parar na pequena cidade de Zoar.

Porém, o texto bíblico diz que por algum motivo Ló teve medo de permanecer em Zoar e passou a viver numa caverna nas montanhas juntamente com suas filhas. Alguns comentaristas sugerem que talvez Ló tenha identificado em Zoar o mesmo padrão de comportamento de Sodoma, e temeu pelo juízo de Deus. Se este tiver sido o caso, então Ló não confiou na garantia do Senhor de que aquela cidade não seria destruída.

Foi durante o período em que estiveram morando na caverna que as filhas de Ló combinaram de embriagar o próprio pai para que pudessem ter filhos com ele. Elas julgaram que Ló já estava muito velho e que sua descendência seria perdida, pois, de acordo com elas, não havia homens para possuí-las “segundo o costume de toda a terra” (Gênesis 19:31). Naquele tempo os casamentos eram arranjados, mas as filhas de Ló não tinham mais conexões sociais para conseguirem maridos.

O plano pecaminoso das filhas de Ló foi executado, e ambas se deitaram com o próprio pai sem que ele percebesse por causa de embriaguez. Nesse ponto Ló já não tinha mais autoridade e respeito dentro de sua própria casa.

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A descendência das filhas de Ló

A filha mais velha de Ló deu à luz a Moabe, que é o pai dos moabitas; enquanto que a filha mais nova deu à luz a Bem-Ami, que é o ancestral dos amonitas. Tanto os moabitas quanto os amonitas, foram inimigos implacáveis dos israelitas. Esses dois povos estiveram envolvidos na mais terrível sedução carnal que trouxe grande imoralidade para dentro de Israel (Números 25).

Mas misericordiosamente Deus protegeu a linhagem de Ló, apesar de sua origem questionável (Deuteronômio 2:16-19). Porém, chegou o tempo em que os dois povos foram rejeitados por Deus por causa de sua oposição a Israel (Deuteronômio 23:3-6).

Diante de tudo isso, o que se nota é que a história das filhas de Ló foi marcada pela falta de fé. Elas não confiaram que Deus podia lhes prover os meios adequados para que finalmente pudessem ser mães. Então elas agiram de forma egoísta na base da autoconsideração, e não se importaram com a medida do pecado que estavam prestes a cometer. As filhas de Ló são um exemplo daquelas pessoas só se preocupam em fazem o que é certo a seus próprios olhos; que buscam o prazer e a satisfação a qualquer custo.

Por fim, mesmo nessa história de horror é possível ver o brilho da graça de Deus. Isso fica claro na pessoa de Rute, uma descendente das filhas de Ló que, em virtude de sua fé, foi recebida em Judá e se tornou a ancestral do rei Davi e, finalmente, de Jesus Cristo (Rute 4:18-22; Mateus 1:5).

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