Estudo Bíblico de Gênesis 32

Gênesis 32 registra o encontro de Jacó com Deus no vau de Jaboque. O estudo bíblico de Gênesis 32 ainda mostra o primeiro contato de Jacó com seu irmão Esaú numa tentativa de reconciliação após anos de desentendimento.

O esboço bíblico de Gênesis 32 pode ser organizado assim:

  • Jacó vê os anjos de Deus (Gênesis 32:1,2).
  • A busca da reconciliação com Esaú (Gênesis 32:3-5).
  • Jacó teme a reação de Esaú (Gênesis 32:6-8).
  • A oração a Deus e inicio dos preparativos para encontrar Esaú (Gênesis 32:9-21).
  • Jacó luta com Deus no vau de Jaboque (Gênesis 32:22-32).

Jacó vê os anjos de Deus (Gênesis 32:1,2)

Após o encontro tenso com Labão na montanha de Gileade, Jacó seguiu viagem rumo é terra de seus pais (Gênesis 31). Ele havia passado as últimas décadas servindo seu astuto sogro e se escondendo da ira de seu irmão por causa dos eventos narrados em Gênesis 27.

Em certo ponto do caminho, o texto bíblico diz que anjos de Deus saíram ao encontro de Jacó (Gênesis 32:1). Aqui vale lembrar que essa era a segunda vez que Jacó estava tendo alguma experiência com os anjos do Senhor. Em Betel ele já havia contemplado os anjos de Deus subindo e descendo por uma escada que ligava o céu e a terra (Gênesis 28).

Então tanto na saída quanto no retorno à Terra Prometida Jacó viu os anjos do Senhor. Obviamente era uma clara demonstração da presença protetora de Deus para com ele. Deus é fiel à sua promessa e esteve com Jacó apesar de suas falhas e imperfeições. O texto bíblico ainda diz que Jacó chamou àquele lugar onde os anjos do Senhor lhe saíram ao encontro de Maanaim, que significa “acampamento duplo”, pois ali ele tinha visto o “acampamento de Deus”.

A busca da reconciliação com Esaú (Gênesis 32:3-8)

Depois de ter contemplado os anjos de Deus, Jacó enviou mensageiros a seu irmão, Esaú, que estava na terra de Seir, no território de Edom (Gênesis 32:3). Ele pediu que seus mensageiros dissessem o seguinte a Esaú: “Teu servo Jacó manda dizer isto: Como peregrino morei com Labão, em cuja companhia fiquei até agora. Tenho bois, jumentos, rebanhos, servos e servas; mando comunicá-lo a meu senhor, para lograr mercê à sua presença” (Gênesis 32:4,5).

É notável a forma humilde com que Jacó se dirigiu a seu irmão. Anteriormente Jacó havia comprado o direito de primogenitura de Esaú e enganado Isaque para ser abençoado em seu lugar. Mas agora em sua mensagem ele tinha adotado uma posição servil em relação a seu irmão que havia sido seu rival durante muito tempo. Isso mostra como seu caráter havia mudado.

Quando os mensageiros de Jacó retornaram, eles lhe disseram que Esaú iria a seu encontro acompanhado por quatrocentos homens (Gênesis 32:6). Essa informação fez com que Jacó ficasse temeroso.

Aqui fica claro o medo como uma reação natural da debilidade humana. Embora Deus lhe tivesse prometido proteção, e ele próprio experimentado do cuidado divino, ainda assim Jacó se atemorizou diante da força militar de Esaú. Jacó dividiu sua comitiva em dois grupos para que se caso os homens de Esaú atacassem um grupo, o outro grupo tivesse a chance de escapar.

Jacó ora a Deus e inicia os preparativos para encontrar Esaú (Gênesis 32:9-21).

Mas tão logo o temor de Jacó deu lugar à confiança em Deus. Ele orou ao Senhor e relembrou as promessas pactuais. Além disso, ele reconheceu sua indignidade diante das misericórdias e fidelidade de Deus. Em sua oração, Jacó ainda confessou estar com medo de Esaú, mas declarou confiar a cima de tudo nas promessas do Senhor (Gênesis 32:9-12).

No começo de sua história registrada na Bíblia, Jacó não é apresentado como um homem de oração; ao contrário, ele surge no relato bíblico como um homem enganador e dissimulado. Mas durante o tempo em que Jacó esteve em Padã-Harã, Deus trabalhou em seu caráter. Frequentemente Deus aperfeiçoa a fé de seus filhos e molda o caráter deles através de sofrimentos e provações.

Depois, Jacó separou presentes para enviar através de seus servos a Esaú antes de ele encontrá-lo pessoalmente. A palavra hebraica empregada pelo escritor bíblico indica que esses presentes eram um tipo de tributo pago a alguém superior. O presente era realmente bem generoso, pois consistia em quinhentos e cinquenta animais (Gênesis 32:13-19).

A atitude de Jacó também revela que ele havia entendido que tinha pecado contra Esaú. Por isso ele dizia consigo mesmo: “Eu o aplacarei com o presente que me antecede, depois o verei; porventura me aceitará a presença” (Gênesis 32:20). A palavra “aplacarei” traduz uma expressão hebraica que significa o acobertamento da culpa.

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Jacó luta com Deus no vau de Jaboque (Gênesis 32:22-32).

Gênesis 32 diz que naquela mesma noite Jacó tomou sua família e atravessou o vau de Jaboque. Mas embora suas esposas, filhos e servas tenham passado pelo ribeiro, Jacó ficou para trás sozinho. Ali ele ficou lutando com um homem misterioso até ao romper do dia (Gênesis 32:22-24).

A sequência do texto de Gênesis 32 explica que aquele encontro no vau de Jaboque não era nada normal. Tratava-se de uma teofania, ou seja, o homem que lutava com Jacó era, na verdade, uma manifestação visível do próprio Deus.

Isso quer dizer que Deus apareceu a Jacó em forma humana e ajustou a sua força à força dele durante o embate. Num certo momento a Bíblia diz que o homem tocou na articulação da coxa de Jacó e deslocou sua junta (Gênesis 32:25). Isso fez com que Jacó perdesse suas forças naturais. Mas Jacó agarrou-se a ele e rogou por sua bênção.

Como resultado, Jacó foi abençoado e teve seu nome trocado de Jacó para Israel. O significado do novo nome do patriarca não apenas revelava a verdadeira natureza daquele encontro no vau de Jaboque, mas também demonstrava que ele havia sido transformado espiritualmente e amadurecido na fé. Isso fica claro em Gênesis 32:28: “Já não te chamarás Jacó, e sim Israel, pois como príncipe lutaste com Deus e com os homens e prevaleceste”.

A sequência do texto bíblico mostra que Jacó realmente entendeu o que aconteceu ali naquela noite. Por isso ele chamou aquele lugar de Peniel, pois disse: “Vi a Deus face a face, e a minha vida foi salva” (Gênesis 32:30). Claro que tudo isso também foi um grande encorajamento para Jacó. Ele teve sua vida preservada num encontro face a face com Deus, então não fazia sentido temer se encontrar face a face com Esaú.

Alguns estudiosos preferem interpretar essa porção do texto de Gênesis 32 de forma espiritualizada. Segundo eles, a luta de Jacó com Deus ocorreu apenas no campo da oração. Mas outros estudiosos interpretam esses versículos de forma literal, visto que nada no texto de Gênesis 32 sugere uma abordagem simbólica. Inclusive, o próprio escritor bíblico observa que a tradição judaica posterior também considerou essa experiência um evento histórico e literal (Gênesis 32:32).

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