A Glória da Segunda Casa Será Maior do Que a da Primeira?

A glória da segunda casa será maior do que a da primeira. Esta é uma frase muito conhecida entre os cristãos e também muito utilizada nas mais diversas situações. Muitos a utilizam nos apelos para a construção de um novos prédios, ou muitas vezes, na própria inauguração de tais prédios, com o objetivo de dizer: “Este será muito melhor do que o outro”.

Também é bastante comum a aplicação dessa frase no sentido de conquistas e realizações, algo característico do tipo de mensagem triunfalista e antropocêntrica que infelizmente está enraizada em muitos dos que se intitulam cristãos na atualidade.

Campanhas sobre “a glória da segunda casa” não faltam. Até mesmo hinos já foram compostos falando sobre isto, mas claro, “a glória” da segunda casa que será maior do que a da primeira sempre se refere às bênçãos e vitórias que um povo acostumado a determinar coisas a Deus irá conseguir.

O que significa dizer que a glória da segunda casa será maior do que a da primeira?

Primeiramente precisamos saber que essa “segunda casa” na verdade é o “segundo Templo” que foi construído em Jerusalém, e a frase original traz a expressão “esta última casa” ao invés de “segunda casa”. Esta frase está registrada no livro do profeta Ageu (2:9), e faz parte da série de quatro mensagens proféticas da parte de Deus que ele trouxe ao povo. O contexto histórico se refere ao momento pós-exílico, pouco tempo depois que o povo havia retornado a Jerusalém.

Por volta de 538 a.C., assim que tiveram a permissão para voltar a sua pátria, o povo judeu ficou animado com a possibilidade de reconstruir o Templo. Entretanto, devido a algumas oposições externas o projeto de reconstrução do Templo ficou abandonado e o povo desanimado.

O povo começou a se preocupar mais com o conforto pessoal do que com as coisas de Deus. Foi nesse cenário decadente que Deus levantou o profeta Ageu para profetizar. A profecia de Ageu data do ano 520 a.C.

O profeta chamou o povo ao arrependimento, e os conclamou a retomarem a reconstrução do Templo, e, a partir do versículo 12 do capítulo 1, vemos que o povo deu ouvido à voz do Senhor por intermédio de Ageu.

No capítulo 2 do livro de Ageu, quase um mês depois da primeira mensagem que Ageu trouxe da parte do Senhor, encontramos mais uma palavra de encorajamento. Quando os construtores retomaram o projeto de reconstrução do Templo, aparentemente houve uma grande frustração, pois começaram a comparar a construção atual com o Templo anterior, o mesmo que foi construído nos dias de Salomão (Ag 2:1-3).

O primeiro Templo era magnífico, era extraordinário em riquezas, e o segundo Templo parecia ser infinitamente inferior. A realidade do povo também já não era a mesma. Nos dias de Salomão, o reino estava unido e havia grande prosperidade, mas nos dias de Ageu o povo tinha acabado de sair do exílio e faltavam recursos. Diante de tal realidade, o povo ficava cada vez mais desanimado.

Então o Senhor começou a encorajar aquele povo, começando pela liderança, na pessoa de Zorobabel, governante de Judá, e Josué, filho de Jozadaque, o sumo sacerdote. Os líderes são enfatizados na profecia de Ageu porque cabia a eles iniciar a obra.

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Tamanha era a necessidade de um encorajamento, que no versículo 4 lemos uma tripla repetição da expressão “sê forte“. Deus também lembra o povo da aliança que havia sido feita no êxodo do Egito, e garante que da mesma forma com que esteve presente entre o povo durante a peregrinação no deserto, também estaria com eles nesse momento.

É interessante que no versículo 1 do capítulo 2, podemos perceber que a palavra do Senhor veio a Ageu exatamente no último dia da Festa dos Tabernáculos, uma festa onde o povo celebrava a provisão recebida de Deus durante o período em que estiveram no deserto e as bênçãos da colheita. Vale dizer que o último dia era o mais importante, o mais solene. Saiba mais sobre as festas judaicas.

Também devemos nos lembrar de que foi no último dia da Festa dos Tabernáculos que o primeiro Templo foi dedicado. Mais ainda, tempos depois, no último dia da mesma festividade, Jesus se levantou e proclamou: “Se alguém tem sede, venha a mim, e beba. Quem crê em mim, como diz a Escritura, rios de água viva correrão do seu ventre” (João 7:37b,38). Aqui podemos entender que profecia de Ageu era bem mais profunda do que até então eles poderiam imaginar.

Nos versículos 6 e 7, o profeta falou sobre um abalo universal que Deus faria ocorrer. De forma primária, tal profecia se refere à verdade de que é Deus quem tem o controle de todas as coisas em suas mãos, e, após essas palavras, nunca mais houve estabilidade política. Todos os grandes impérios caíram.

Entretanto, quando lemos essa promessa à luz do Novo Testamento, percebemos que o abalo final do céu e da terra acontecerá na volta de Cristo (Hb 12:26-28), e a profecia encontrará seu cumprimento pleno quando os santos herdarão as riquezas da nova terra (cf. Mt 5:5; 19:28,29; 25:34; 1Co 3:21; 4:8).

Com base nesse entendimento, no versículo 9 lemos: “A glória desta última casa será maior do que a da primeira, diz o Senhor dos Exércitos, e neste lugar darei a paz, diz o Senhor dos Exércitos“.

A promessa de Deus nesse versículo se refere ao fato de que aquele Templo seria o Templo dos últimos dias, ou seja, o Templo em que o Messias adentraria. Se o primeiro Templo foi esplendoroso em riqueza, esse seria esplendoroso em glória. Se no primeiro Tempo podia ser visto muito ouro e prata, nesse segundo Templo o dono do ouro e da prata é quem poderia ser visto.

A promessa de que a “glória desta última casa será maior do que a da primeira” foi finalmente cumprida em Cristo, a maior manifestação da glória e da presença de Deus. O apóstolo Paulo, na Carta aos Efésios, nos ensina que a glória de Cristo é vista em sua Igreja, o templo de Deus (Ef 2:21; 3:20,21).

Sobre a paz que é prometida também no versículo 9, podemos entender que não se referia apenas aos resultados dos esforços da restauração, mas uma paz infinitamente maior. A palavra paz em hebraico não implica somente na ausência de conflitos, mas num sentimento de total prosperidade e bem-estar.

Assim, o Novo Testamento nos mostra que trata-se da paz que Cristo nos deu (Jo 14:27), conquistada no calvário, uma paz que excede todo o entendimento (Fp 4:7), e que guarda os nossos corações e as nossas mentes. Essa paz nos reconciliou com Deus.

Finalmente, toda essa profecia se cumprirá em sua plenitude no momento em que o Deus Todo-Poderoso e o Cordeiro serão eles próprios o Templo da Nova Jerusalém, a noiva do Cordeiro, no novo céu e nova terra.

Portanto, a interpretação correta da frase “a glória desta última casa será maior que a da primeira” se refere diretamente a Cristo e ao significado de sua obra redentora, e não a qualquer outra aplicação que remeta a bens e prosperidades materiais.

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