A História do Rei Josias na Bíblia

Josias foi um rei de Judá que reinou aproximadamente por 31 anos, entre 640 a.C. e 609 a.C. A história do rei Josias na Bíblia está registrada nos livros de 2 Reis, capítulos 22 e 23, e 2 Crônicas, capítulos 34 e 35, além de outras referências nos livros dos profetas Jeremias e Sofonias.

Quando se fala em quem foi Josias, logo se faz referência as reformas promovidas por ele, que foram, sem dúvida, a marca de seu reinado. O nome Josias significa “Javé sustenta”, do original Yo’shiyahu, ou Yo’shiyah.

O rei Josias

Josias era filho de Amom e neto de Manassés. Ambos foram reis de Judá, mas seus reinados foram caracterizados por grande apostasia. Embora tenha mostrado arrependimento no final de sua vida, Manassés foi um dos piores reis da história do Reino de Sul, e seu filho, Amom, seguiu pelo mesmo caminho.

Josias se tonou rei quando tinha 8 anos de idade em aproximadamente 640 ou 639 a.C., com a interferência do “povo da terra”, um movimento popular que também foi o responsável por eliminar os assassinos de seu pai (2Rs 21:24; 2Cr 33:25).

O nascimento do rei Josias, bem como a escolha de seu nome, foram previstos na época de Jeroboão I (1Rs 13:2).

O reinado do rei Josias

O rei Josias foi um dos bons reis de Judá. Diferente de seu pai e avô, Josias prezou pelo culto ao verdadeiro Deus. O cronista escreveu dizendo que no oitavo ano de seu reinado, ou seja, quando tinha 16 anos de idade, o rei “começou a buscar o Deus de Davi, seu pai” (2Cr 34:3). Josias era descendente do rei Davi.

No décimo segundo ano de seu reinado, portanto com aproximadamente 20 anos de idade, o rei Josias deu início efetivamente às reformas em Jerusalém e Judá, alcançando, inclusive, o norte de Israel. É interessante saber que o profeta Jeremias começou seu ministério como profeta durante o reinado de Josias, no décimo terceiro ano, em aproximadamente 626 a.C. (Jr 1:2).

As reformas do rei Josias

Embora pode-se dizer que as reformas promovidas pelo rei Josias tiveram suas raízes fixadas quando ele pessoalmente abandonou a idolatria e o politeísmo que dominavam a religião corrupta de Judá naquela época (2Cr 34:3), tais reformas começaram a impactar a nação quatro anos depois, e alcançou seu clímax no décimo oitavo ano de seu reinado, quando o livro da Lei foi encontrado (2Rs 22:8; 2Cr 34:14,15).

O rei havia interrompido a adoração aos falsos deuses em Judá, destruindo altares que serviam ao paganismo. Ele também providenciou que o Templo recebesse os reparos necessários, e foi durante essa época que o sumo sacerdote Hilquias encontrou o livro da Lei no Templo.

Os estudiosos debatem sobre o que teria sido exatamente o “livro da Lei”. A melhor hipótese é que ele tenha sido o livro de Deuteronômio, ou pelo menos uma obra que continha esse livro como parte fundamental.

Seja como for, o que se sabe é que esse livro foi muito importante na sequência das reformas de Josias. Quando o livro foi encontrado e Josias teve ciência de seu conteúdo, ele entendeu que o povo havia estado em terrível rebeldia contra Deus, e por isso seria alvo do juízo divino. Então rapidamente ele pediu que o Senhor fosse consultado, ou seja, ele queria ouvir um parecer profético, e na ocasião a profetisa Hulda foi procurada.

A mensagem de Deus através de Hulda esclarecia que o povo realmente seria castigado devido ao pecado, porém tal castigo seria adiado para após os dias de Josias, visto seu arrependimento sincero e zelo para com o culto a Deus.

Assim, houve em Judá a renovação da aliança, a centralização da adoração em Jerusalém, e a purificação da nação com a eliminação de toda forma de adoração pagã (2Rs 23:19,20; 2Cr 34:67). O rei Josias também organizou a maior celebração da Páscoa desde o tempo dos juízes (2Cr 35:18). Antes dele, o rei Ezequias também promoveu uma reforma e a celebração da Páscoa, porém a reforma liderada por Josias foi mais completa e extensa (cf. 2Rs 23:13).

Apesar de tudo isso, o profeta Jeremias deixou claro que tais reformas foram apenas superficiais e temporárias (Jr 2-6; 11), ou seja, não houve no povo um arrependimento genuíno e duradouro, inclusive, com o povo voltando rapidamente à idolatria após a sua morte. O profeta Jeremias também demonstrou apreço quando escreveu sobre a justiça durante o reinado de Josias (Jr 22).

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A morte do rei Josias

A morte de Josias ocorreu de forma trágica e precoce na batalha de Megido em 609 a.C. Naquela época os assírios estavam em conflito contra os babilônios, e o Faraó Neco II, do Egito, estava liderando uma empreitada para tentar ajudar os assírios em Harã.

De forma imprudente e insensata, o rei Josias considerou as manobras do rei do Egito como representando ameaças ao seu reino, e inconsequentemente lhe fez oposição e acabou sendo morto (2Rs 23:25-30-; 2Cr 35:20-24).

O rei Josias foi sucedido por Joacaz, seu filho, porém este reinou durante apenas 3 meses e foi exilado por Neco II, que colocou em seu lugar como rei de Judá Jeoaquim, seu irmão. Nesse momento a independência política de Judá foi completamente comprometida, ficando sob o domínio do Egito.

Os eventos seguintes da história daquele povo acabaram culminando no exílio na Babilônia, onde o juízo de Deus foi derramado, e pelas mãos do rei Nabucodonosor Jerusalém foi destruída. Com base nisso, pode-se dizer que o rei Josias foi o último monarca bom e comprometido com a adoração a Deus antes do cativeiro.

O escritor do livro de 2 Reis, falando sobre ele, escreveu que no Reino do Sul “antes dele não houve rei semelhante, que se convertesse ao Senhor com todo o seu coração, e com toda a sua alma, e com todas as suas forças, conforme toda a Lei de Moisés; e, depois dele, nunca se levantou outro tal” (2 Rs 23:25). Além de Jeremias e Hulda, o rei Josias também foi contemporâneo do profeta Sofonias.

Mais tarde, no Novo Testamento, o rei Josias aparece como um dos nomes citados na genealogia de Jesus registrada pelo apóstolo Mateus (Mt 1). Além dele, a Bíblia também menciona outro Josias que foi um judeu contemporâneo do profeta Zacarias (Zc 6:10).

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