O Que é a Loucura da Pregação?

A expressão “loucura da pregação” significa que de acordo com os padrões de sabedoria do mundo, o Evangelho de Cristo é uma loucura. A pregação do Evangelho não se baseia em sabedoria de palavras humanas, mas inteiramente na cruz de Cristo.

Foi o apóstolo Paulo quem falou sobre a loucura da pregação ao escrever à igreja em Corinto. O versículo que traz essa expressão diz: “Visto como, na sabedoria de Deus, o mundo não o conheceu por sua própria sabedoria, aprouve Deus salvar os que creem pela loucura da pregação” (1 Coríntios 1:21).

Aqui é útil recorrer ao contexto da passagem que fala sobre a loucura da pregação. Muitos cristãos de Corinto eram obcecados pela exibição retórica. Eles realmente se preocupavam em valorizar um discurso eloquente. Inclusive, parece que algumas pessoas da igreja em Corinto criticavam o apóstolo Paulo porque ele não usava as técnicas de retórica que eles achavam mais adequadas (cf. 1 Coríntios 2:1; 2 Coríntios 11:5,6).

Então certos crentes coríntios estavam fascinados por sistemas filosóficos humanos. Alguns deles queriam uma pregação baseada num tipo de sabedoria humanista que trouxesse novas ideias. Por isso o apóstolo Paulo corrige esse tipo de comportamento indicando que a sabedoria humana é incapaz de fazer com que o homem conheça a Deus. Nenhum sistema filosófico humano pode prover uma solução para o problema do pecado e ressuscitar o pecador de seu estado de morte espiritual.

Mas Deus planejou resgatar os pecadores que nada podem fazer por si mesmos, através da pregação de uma mensagem que destrói qualquer tipo de lógica humana. Então ao terem contato com essa mensagem, os sábios do mundo a consideram loucura.

O que a loucura da pregação não é?

É importante entender que a frase “loucura da pregação” não faz referência especificamente ao ato de pregar. Tem gente que pensa que a Bíblia diz que a tarefa do pregador é loucura para os homens. Mas na verdade o que a Bíblia diz é que o conteúdo da genuína pregação, isto é, a mensagem da cruz de Cristo, é que é loucura para mundo.

Algumas pessoas também usam a expressão “loucura da pregação” para tentar justificar certas práticas estranhas ao ensino bíblico. Essas pessoas adotam estratégias e promovem verdadeiros espetáculos com a finalidade de atrair o povo. Então quando são questionadas sobre essas técnicas “inovadoras” que fogem completamente do propósito cristocêntrico da Palavra e do culto a Deus, essas pessoas alegam que muitos não entendem mesmo porque a pregação é loucura. Não é difícil perceber o quão erradas essas pessoas estão.

Mas o problema da igreja de Corinto com a genuína pregação persiste até os dias de hoje. As pessoas buscam uma mensagem diferenciada, um sermão inovador, algo que satisfaça seu ego. Mas não há como fazer da mensagem da cruz um produto naturalmente desejável aos olhos do pecador. O homem quer algo que o exalte, mas a loucura da pregação acaba por humilhá-lo ao mostrar sua miséria e incapacidade diante de sua necessidade de salvação.

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O que a loucura da pregação é?

A loucura da pregação é a mensagem do Cristo crucificado. Essa mensagem, porém, não fazia qualquer sentido, seja para judeus seja para gentios. Os judeus queriam ver sinais sobrenaturais que apontavam de alguma forma para uma supremacia de sua nação. Eles esperavam a revitalização do trono de Davi e um Messias conquistador com propósitos terrenos. Assim eles desprezaram o maior de todos os sinais; eles não reconheceram o Messias sofredor nascido de uma virgem numa manjedoura, crucificado e ressuscitado.

Por outro lado os gentios queriam uma mensagem cujo conteúdo fosse uma pura exposição da razão humana. Eles estavam interessados em novidades intelectuais, em novas ideias filosóficas. Dessa forma, a simplicidade da mensagem do Evangelho não era atraente; ao contrário, sob a ótica humana parecia ser insensatez. Para os gentios, falar que um homem que morreu como um escravo criminoso numa cruz é o Senhor e Salvador do mundo, só poderia ser loucura.

Por esse motivo a pregação do Cristo crucificado era uma pedra de tropeço para os judeus, e loucura para os gentios. Mas o apóstolo diz que Deus “aprouve salvar os que creem pela loucura da pregação”. Com isso Paulo fala sobre a soberania de Deus na salvação do pecador. Não são os sábios e intelectuais que são salvos, mas são aqueles a quem Deus chama de acordo com o beneplácito da sua vontade pela loucura da pregação do Cristo crucificado.

Por sua própria sabedoria, o homem jamais poderá ser salvo. A salvação é obra de Deus, e a forma como Deus opera a salvação é loucura para a mente pecaminosa do homem. S. Kistemaker diz que o mundo confia na sabedoria humana, mas o crente confia na loucura da pregação. Os redimidos recebem com fé o conteúdo divino do Evangelho e respondem com fé à sabedoria de Deus; os incrédulos, porém, rejeitam essa sabedoria e a chamam de loucura. A loucura da pregação para os incrédulos é poder e sabedoria de Deus para os salvos.

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