Como Foi a Morte de Jesus?

A morte de Jesus se deu por crucificação, e foi terrivelmente dolorosa e agoniante. Os quatro Evangelhos do Novo Testamento registram com muitos detalhes os eventos que estiveram relacionados a esse momento. Porém, de forma muito clara, o testemunho bíblico destaca que a morte de Jesus Cristo envolveu muito mais do que apenas sofrimentos físicos.

Apesar de existirem outras opiniões, é amplamente aceito pelos estudiosos que a morte de Jesus ocorreu numa sexta-feira da semana de Páscoa. Isso provavelmente aconteceu após três anos do início de seu ministério público. Então Jesus morreu com cerca de trinta e três anos.

Determinar o ano exato da morte de Jesus não é uma tarefa fácil, porque é sabido que há um erro de cálculo no calendário que usamos atualmente. Esse erro implica numa diferença entre quatro e seis anos. Isso significa que provavelmente Jesus nasceu entre 6 e 4 a.C., e, portanto, morreu entre 27 e 29 d.C.

Os acontecimentos antes da morte de Jesus

Antes de morrer na cruz, Jesus foi submetido a uma longa tortura. Primeiro, Ele foi preso na quinta-feira, quando foi traído por um de seus discípulos enquanto orava no Getsêmani. Depois, Jesus foi conduzido ao Sinédrio, que era um tipo de suprema corte judaica reunida em Jerusalém.

No Sinédrio, Jesus foi acusado de blasfêmia, e condenado através de falso testemunho. Mas o Sinédrio não tinha autonomia para condenar alguém à morte. Apenas o governo romano da província é que tinha essa autoridade. Então o Sinédrio formalizou a acusação contra Jesus e o entregou ao governador romano da Judeia, que naquele tempo era Pôncio Pilatos.

Provavelmente temendo um desdobramento político indesejado, Pilatos mostrou certa resistência em autorizar a morte de Jesus. Ele até enviou Jesus para o tetrarca da Galileia Herodes Antipas, mas novamente Jesus foi devolvido a Pilatos e ele teve de atender ao pedido dos judeus pela morte de Jesus.

Com a pena capital estabelecida, Jesus foi cruelmente açoitado. O instrumento usado era um açoite feito de madeira e couro que trazia em suas pontas ossos afiados, ganchos e peças de metal. As ponteiras desse tipo de açoite cravavam no corpo da vítima e arrancavam pedaços de carne, causando lesões tão profundas que comprometiam até mesmo os órgãos internos.

Além da tortura física, Jesus também sofreu tortura psicológica. Ele foi moralmente afrontado de diversas formas. A Bíblia diz que os soldados romanos não perderam a oportunidade de zombar de Jesus que foi identificado como o rei dos judeus.

Os soldados vestiram Jesus de modo a simular vestes reais, e colocaram sobre sua cabeça uma coroa de espinhos que certamente causou um intenso sangramento. Alguns estudiosos acreditam que o tipo de planta usada para confeccionar a coroa, possuía espinhos tão fortes e afiados que eram capazes de atingir os nervos da cabeça, resultado em dores muito agudas. Não satisfeitos, os soldados ainda cuspiram em Jesus e o espancaram na cabeça com um caniço.

A cruz como instrumento da morte de Jesus

Depois da seção de tortura, Jesus foi levado para sua morte. Naquele tempo a pena de morte devia ser aplicada fora dos limites da cidade. E de acordo com os textos bíblicos, Jesus precisou carregar seu próprio instrumento de execução. Geralmente os condenados à morte por crucificação carregavam apenas a trave horizontal da cruz, que era uma viga de madeira que pesava cerca de vinte quilos.

Mas parece que em alguns casos os condenados chegavam a arrastar a cruz completa que pesava cerca de oitenta quilos. Não é possível saber qual foi o caso de Jesus, mas sabemos que devido à flagelação que sofreu, Jesus não conseguiu carregar a cruz por todo o caminho e foi ajudado por Simão Cireneu.

Chegando ao local de sua morte, Jesus teve suas mãos e pés fixados na cruz com pregos de metal que tinham quase treze centímetros de comprimento. Isso causava grande sangramento e dor muito forte na vítima, que logo em seguida era erguida na cruz. Pilatos ainda mandou colocar na cruz de Jesus uma placa que o identificava publicamente como o rei dos judeus.

A morte na cruz era a mais humilhante e dolorosa que alguém podiam enfrentar naquele tempo. Provavelmente esse método de execução surgiu entre os persas, mas acabou sendo adotado pelos romanos. Inclusive, um cidadão romano jamais podia ser condenado à morte por crucificação. Na verdade, apenas os escravos e os piores criminosos é que eram condenados à morte de cruz.

Na cruz, o condenado ficava despido e exposto publicamente. Ele sofria de câimbras muito fortes, dor de cabeça intensa e muita sede, enquanto perdia sangue através dos ferimentos nas mãos, nos pés e no restante do corpo. Os estudiosos dizem que dependendo do local da execução, aves de rapina podiam começar a arrancar partes do corpo da vítima ainda vida.

A morte por crucificação era lenta e podia durar horas e até dias, e geralmente ocorria por asfixia, hemorragia ou ataque cardíaco devido à exaustão. Inclusive, em alguns casos os condenados tinham suas pernas quebradas para acelerar o processo de morte — isso aconteceu com os dois ladrões que foram crucificados com Jesus.

O momento da morte de Jesus

O Senhor Jesus foi levado à morte ao lado de dois criminosos. Ofereceram a Jesus uma mistura de vinho e mirra, que foi recusada por Ele. Quando já estava crucificado, os soldados também ofereceram a Jesus vinagre numa esponja. Jesus levou cerca de seis horas para morrer, das nove horas da manhã até às três horas da tarde.

A morte de Jesus foi acompanhada por algumas pessoas próximas a Ele, como sua mãe e outras mulheres que participaram de seu ministério. Dentre os discípulos, parece que o apóstolo João foi o único que esteve perto de Jesus durante sua morte. Mas enquanto algumas pessoas sofriam por ver Jesus morrer, outras continuavam proferindo insultos contra Ele.

Enquanto Jesus estava na cruz, Ele falou pelo menos sete frases que apontavam para sua plena humanidade, sua plena divindade, e para o propósito de sua obra redentora. E durante a crucificação, alguns fenômenos extraordinários aconteceram, como as densas trevas que duraram cerca de três horas, um grande tremor de terra, e a partição do véu do templo de alto a baixo.

Fisiologicamente, não é possível determinar se Jesus morreu por asfixia, ataque cardíaco ou choque hemorrágico. Mas o que sabemos é que isso aconteceu logo após Ele entregar seu espírito nas mãos do Pai (Lucas 23:46). Além disso, algumas pessoas que acompanharam a crucificação conseguiram entender que Jesus Cristo era mesmo o Filho de Deus (Mateus 27:54).

Para verificar a morte de Jesus, um soldado cravou uma lança em um dos lados de seu corpo, fazendo sair do ferimento sangue e água. Como nenhum corpo devia estar na cruz durante o sábado, o corpo de Jesus foi retirado dali na própria sexta-feira para ser sepultado.

Os corpos dos criminosos que morriam crucificados, muitas vezes eram jogados em valas ou deixados no próprio local da morte para serem comidos por animais. Porém, diferentemente de outros condenados, Jesus teve seu corpo preservado e sepultado num túmulo novo, de onde se levantou ressuscitado ao terceiro dia.

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O significado da morte de Jesus

Sem dúvida a morte de Jesus foi terrível. Sua dor e agonia são difíceis de imaginar. Mas antes dele e depois dele, outras pessoas também foram crucificadas. Inclusive, quando Jerusalém caiu diante dos romanos décadas depois da morte de Jesus, muitos judeus acabaram sendo crucificados.

Isso indica que o sofrimento de Jesus significou muito mais do que simplesmente o tormento físico. Em sua morte, Ele suportou algo que homem algum jamais poderia suportar. A morte de Jesus revelou o furor da ira de Deus. A dor mais excruciante que Jesus teve de enfrentar durante sua morte, foi a dor da separação e do abandono.

Fazendo-se maldito, Ele trocou um trono de glória por uma cruz de madeira. E ao receber sobre si todo o nosso pecado, ali na cruz Ele foi abandonado pelo Pai; ali Ele experimentou o terror do inferno em lugar da comunhão celeste. A pior dor que alguém pode sofrer é a dor de ser abandonado por Deus, e na cruz Jesus experimentou essa dor em toda sua intensidade.

No entanto, ao mesmo tempo em que a morte de Jesus revelou a manifestação do juízo de Deus contra o pecado, sua morte também revelou a extraordinária manifestação da graça de Deus e a profundidade do amor divino. É incrível saber que a morte de Jesus não aconteceu para que Deus pudesse nos amar. Ao contrário disso, a morte de Jesus aconteceu porque Deus, pelo beneplácito de sua vontade, decidiu nos amar ainda antes que o mundo existisse.

É por isso que a morte de Jesus não foi apenas um incidente que aconteceu a quase dois mil anos, mas foi o cumprimento de um decreto estabelecido na eternidade. Portanto, a morte de Jesus foi a manifestação em nosso tempo do Cordeiro imaculado que foi conhecido antes da fundação do mundo. E a boa notícia é que o seu precioso sangue foi derramado por amor de nós (cf. 1 Pedro 1:19,20).

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