Neemias Reconstrói os Muros de Jerusalém

A Bíblia registra que Neemias reconstruiu os muros de Jerusalém juntamente com o povo em apenas 52 dias. A obra de reconstrução dos muros ocorreu em 445 a.C. e foi um verdadeiro milagre operado por Deus.

Neemias foi alguém dedicado e comprometido com a vontade do Senhor. Mas embora ele tenha sido uma pessoa exemplar em muitos aspectos, todo o empreendimento de reconstrução dos muros de Jerusalém foi fruto da ação divina.

Para entendermos melhor o significado do que foi a reconstrução dos muros de Jerusalém no tempo de Neemias, é útil recuarmos um pouco mais na história do povo hebreu. Então, num panorama geral, vamos analisar o testemunho bíblico desde antes do momento em que Neemias reconstrói os muros de Jerusalém.

Por que os muros de Jerusalém foram destruídos?

A cidade de Jerusalém foi conquistada pelo rei Davi, que a transformou em sua capital política e religiosa. Enquanto duraram os reinados de Davi e de Salomão, o povo da aliança esteve unido num só reino com a capital em Jerusalém – naquele tempo uma cidade gloriosa.

Mas depois da morte do rei Salomão, a nação de Israel foi dividida em duas partes quando as tribos do norte resolveram se rebelar contra o governo de Jerusalém. Daí surgiram os reinos de Israel, ao norte, e de Judá, ao sul.

Ambos os reinos falharam em guardar os mandamentos do Senhor. O reino de Israel foi o primeiro a cair com sua capital em Samaria. Em 722 a.C. os assírios conquistaram o Reino do Norte e exilaram o povo (2 Reis 17).

Séculos depois, o mesmo também aconteceu com o reino de Judá. Entre 605 e 586 a.C. o exército da Babilônia sob a liderança do rei Nabucodonosor marchou contra o Reino do Sul e conquistou Jerusalém. Por causa de sua infidelidade ao Senhor, o reino de Judá foi arrasado.

Jerusalém foi invadida, saqueada e destruída, e a maior parte de seu povo foi levado cativo pelos babilônios. A partir de então teve início um longo período de cativeiro na Babilônia, e Jerusalém ficou praticamente abandonada em ruínas.

Durante o período de cativeiro, o poder de governo do maior império do mundo conhecido passou dos babilônios para os persas. Tudo isso, claro, ocorreu de acordo com o plano de Deus. O novo grande imperador era o rei Ciro, a quem Deus usou como um instrumento em sua mão para permitir que o seu povo finalmente retornasse à Jerusalém.

Em cerca de 539 a.C. o primeiro grupo de exilados retornou a Jerusalém sob a liderança de Zorobabel para reconstruir o templo e restabelecer o calendário nacional de Judá (Esdras 1-6). Mais tarde, em aproximadamente 458 a.C., Esdras liderou um segundo grupo. E finalmente em 445 a.C. ocorreu o terceiro retorno de exilados para a reconstrução dos muros de Jerusalém.

Neemias pede para reconstruir os muros de Jerusalém

O Império Persa tinha uma política liberal com relação às nações subjugadas. Mas isso não significava que distúrbios da ordem eram tolerados ou que os povos vassalos tinham vida fácil. Muito pelo contrário! O livro de Ester narra a perigosa perseguição enfrentada pelos judeus nesse período.

Porém, nos dias de Artaxerses I – que era filho do rei Assuero – o Senhor agiu em favor de conceder que os muros de Jerusalém fossem reconstruídos. Para tanto, ele usou Neemias, o copeiro de Artaxerxes I. A Bíblia diz que Neemias recebeu notícias sobre a situação de abandono que Jerusalém enfrentava. Os muros da cidade estavam destruídos, e seus portões estavam queimados.

Então Neemias ficou profundamente triste e orou e jejuou ao Senhor a esse respeito. Isso aconteceu no final de 446 a.C. Cerca de quatro meses depois, já em 445 a.C., o rei persa notou a tristeza de Neemias. Depois de explicar a Artaxerxes I que o motivo de sua tristeza era pelo fato de Jerusalém estar assolada, o imperador perguntou a Neemias qual era o seu pedido. O texto bíblico diz que Neemias orou ao Senhor e em seguida solicitou permissão a Artaxerxes I para retornar a Judá e reconstruir os muros de Jerusalém.

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A reconstrução dos muros de Jerusalém foi um milagre

O pedido de Neemias para reconstruir os muros de Jerusalém era complicado de muitas formas. Em primeiro lugar, naquela época os muros e os portões eram símbolos da força e da estabilidade de uma cidade. Então não raramente, quando uma cidade era conquistada tão logo seus portões eram retirados, e seus muros, derrubados. Isso significa que a reconstrução dos muros de Jerusalém podia ser interpretada como uma ameaça ao domínio central da Pérsia.

Em segundo lugar, parece que aborrecer um imperador persa era uma séria ameaça à vida. Isso explica o temor de Neemias quando Artaxerxes I lhe questionou sobre o seu semblante triste (Neemias 2:2). Então pedir que o imperador persa permitisse a reconstrução dos muros de uma cidade conquistada, e ainda financiasse a reconstrução, certamente era algo muito perigoso (Neemias 2:8).

Em terceiro lugar, Neemias ocupava uma posição importante na corte persa. Ele era responsável por servir o vinho do rei. Essa era uma grande responsabilidade, porque numa época em que havia muitas conspirações nas cortes, o copeiro era alguém que podia evitar que o rei fosse envenenado. O problema é que o pedido de Neemias implicava em sua ausência na corte de Artaxerxes I, algo que, de certa forma, parece ter preocupado o rei (Neemias 2:6).

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Neemias reconstrói os muros de Jerusalém

Mesmo com todas as impossibilidades, a reconstrução dos muros de Jerusalém foi autorizada. Isso não se deu por causa do carisma ou da importância de Neemias, mas porque a “boa mão de Deus” era com ele (Neemias 2:8).

Além disso, quando Neemias reconstruiu os muros de Jerusalém ele também precisou enfrentar muita oposição. Mesmo com a autorização do rei persa, Sambalate e Tobias, governadores d’além do Eufrates, não ficaram satisfeitos com o fato de Jerusalém ser reconstruída.

Mas toda oposição à reconstrução dos muros de Jerusalém fracassou. Os opositores foram derrotados não pelos méritos estratégicos de Neemias, mas porque Deus frustrou os desígnios deles (Neemias 4:15).

Por fim, em apenas 52 dias os muros de Jerusalém foram reconstruídos. Tudo isso aconteceu por causa da soberana mão do Senhor. Neemias foi um instrumento usado pelo Senhor, mas em última análise, foi Deus quem realizou tudo. O próprio Neemias reconhecia claramente essa verdade, e jamais quis a glória para si por ter liderado aquele empreendimento. Ele mantinha seus olhos o tempo todo na providência do Senhor no governo de todas as coisas e na execução do seu propósito através do esforço humano (Neemias 1:10; 2:8,18 7:5).

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