Por Que “Ninguém Subiu ao Céu, Senão Aquele que Desceu do Céu”?

O versículo que diz que “ninguém subiu ao céu, senão aquele que desceu do céu” indica a autoridade do Senhor Jesus a respeito da obra da salvação. O significado desse versículo é uma declaração da divindade de Cristo.

Algumas pessoas, no entanto, usam esse versículo de forma equivocada e fora de seu contexto para contestar algumas doutrinas bíblicas importantes, como por exemplo, a doutrina da imortalidade da alma que afirma que os salvos quando morrem vão estar com Cristo. O apóstolo Paulo, por exemplo, diz que desejava partir para estar com Cristo (Filipenses 1:20-23). Então as pessoas questionam como ele poderia dizer isso se o próprio Jesus havia afirmado que “ninguém subiu ao céu, senão aquele que desceu do céu”.

Outras pessoas, por sua vez, usam esse mesmo versículo para rejeitar as passagens bíblicas que afirmam que, na história da humanidade, duas pessoas foram levadas por Deus sem terem provado a morte: Enoque e Elias (Gênesis 5:24; Hebreus 11:5). A ideia é que Enoque e o profeta Elias jamais poderiam ter sido arrebatados, porque ninguém subiu ao céu, senão aquele que desceu do céu.

Mas é claro que não há qualquer contradição bíblica nesse tema. Inclusive, o próprio Senhor Jesus na ocasião da crucificação, prometeu que o ladrão arrependido ao seu lado estaria juntamente com Ele no paraíso (Lucas 23:43). Na verdade, é preciso apenas interpretar a declaração de Jesus de que “ninguém subiu ao céu, senão aquele que desceu do céu”, à luz do seu contexto.

Quando Jesus disse: “ninguém subiu ao céu, senão aquele que desceu do céu”?

A frase: “ninguém subiu ao céu, senão aquele que desceu do céu” está registrada num versículo que faz parte do discurso de Jesus a Nicodemos, um fariseu estudioso da Lei que era membro do Sinédrio (João 3:1).

O texto informa que Nicodemos tinha algumas inquietações sobre a pessoa de Jesus, pois ele havia percebido que era impossível que Jesus realizasse tantos sinais se Ele não fosse da parte de Deus. Então Nicodemos procurou Jesus durante a noite para tentar encontrar respostas para os seus questionamentos.

Mas talvez para a surpresa de Nicodemos, a resposta de Jesus foi a de que “ninguém pode ver o Reino de Deus, se não nascer de novo” (João 3:3). Parece até que Jesus estava mudando de assunto, mas não estava. Nicodemos queria saber mais sobre a pessoa e a obra de Cristo, e Jesus estava simplesmente afirmando que a compreensão sobre essas coisas dependia de uma mudança radical no homem; tão radical que Jesus diz que o homem precisa nascer de novo.

Mas nesse ponto Nicodemos não conseguiu compreender o ensino de Jesus, mesmo sendo um mestre em Israel. Por mais que ele fosse um estudioso dedicado e tivesse contato com os rabinos mais influentes de sua época, ele jamais tinha ouvido algo semelhante. Para ele, não fazia qualquer sentido um homem já velho entrar novamente no ventre de sua mãe e renascer.

Foi então que Jesus se propôs a explicar a Nicodemos o que de fato Ele estava ensinando, e foi no meio de sua explicação que Jesus falou que “ninguém subiu ao céu, senão aquele que desceu do céu”.

Por que Jesus disse: “ninguém subiu ao céu, senão aquele que desceu do céu”?

O texto bíblico mostra de forma muito clara que o fariseu Nicodemos não estava conseguindo processar o ensino de Jesus sobre o novo nascimento. Parece que ele estava interpretando esse ensino da perspectiva humana, quando na verdade sua verdadeira compreensão só podia ser obtida da perspectiva espiritual.

Inclusive, a expressão “nascer de novo” no grego também pode significar “nascer do alto” ou “nascer de cima”. E esse era o sentido pretendido por Jesus, visto que Ele mesmo esclarece na sequência de seu ensino que “nascer de novo” ou “nascer do alto” significa ser “nascido do Espírito” (João 3:7,8).

Mas mesmo assim Nicodemos ainda não estava conseguindo compreender essa questão, por isso ele perguntou a Jesus: “Como pode ser isso?” (João 3:9). Diante da pergunta de Nicodemos Jesus também lhe fez uma pergunta: “Tu és mestre de Israel e não sabes isso?” (João 3:10). Então na sequência Jesus deixou muito claro a Nicodemos que ele e os demais membros do Sinédrio não aceitavam nem mesmo as coisas que acontecem na esfera da experiência humana na terra das quais Jesus falava, então obviamente também não podiam aceitar as coisas celestiais (João 3:12).

Nicodemos podia até pensar em questionar sob qual autoridade Jesus podia falar das coisas celestiais. Mas antes de mais nada, Jesus tratou de colocar diante de Nicodemos a sua verdadeira autoridade. E foi nesse ponto que Ele declarou: “Ora, ninguém subiu ao céu, senão o que desceu do céu, o Filho do Homem, que está no céu” (João 3:13).

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Uma declaração da divindade de Cristo

É fácil entender a declaração: “ninguém subiu ao céu, senão aquele que desceu do céu”, quando percebemos que Jesus estava ensinando sobre a necessidade de o homem nascer de novo, isto é, nascer do alto. Esse nascimento do alto não é obra humana, mas é obra divina. O novo nascimento não tem origem na terra, mas tem origem no céu. Nascer de novo é nascer do Espírito, ou seja, é nascer de Deus (cf. 1 João 3:9; 5:4).

Então ao falar a Nicodemos que “ninguém subiu ao céu, senão aquele que desceu do céu”, Jesus estava mostrando abertamente a Nicodemos que Ele podia falar de coisas tão elevadas porque Ele próprio vinha de onde o novo nascimento procede. Isso quer dizer que Jesus estava declarando sua divindade a Nicodemos.

Em outras palavras, Jesus estava dizendo a Nicodemos que Ele tinha total autoridade para ensinar aquelas coisas, visto que Ele próprio havia estado no céu numa posição que homem algum jamais esteve.

É como se basicamente Jesus estivesse dizendo: “Nicodemos, vou te falar que o homem precisa nascer do alto, precisa nascer de Deus. Você pode ser mestre em Israel, mas não sabe dessas coisas. Eu, por outro lado, tenho autoridade para falar isso porque eu vim do alto; eu vim da sala do trono de Deus, do lugar de onde as deliberações celestiais acontecem e de onde emana a obra da redenção; um lugar que mestre algum de Israel jamais esteve. Mas eu estive presente ali, quando o decreto divino concernente à salvação foi expedido ainda na eternidade. Por isso tenho autoridade para falar o que estou falando a você hoje”.

Portanto, o versículo que diz que “ninguém subiu ao céu, senão aquele que desceu do céu” deve sempre ser interpretado à luz de seu contexto. Dessa forma, ele não contradiz de modo algum a doutrina bíblica de que os redimidos podem estar com Cristo após a morte; nem mesmo tem qualquer coisa a ver com o fato de a Bíblia dizer que Enoque e Elias foram arrebatados sem terem provado a morte.

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