Entrando no Tabernáculo: o Pátio

O átrio é uma área ampla e descoberta cercada por paredes ou outras construções. Então o átrio significa basicamente um pátio. A primeira vez que a palavra átrio é citada na Bíblia diz respeito ao pátio do Tabernáculo. Entrando no Tabernáculo, o pátio era a área que dava acesso às suas dependências internas. Quando o Templo de Jerusalém foi construído, havia pátios nele também.

O pátio do Tabernáculo

Deus deu instruções específicas a Moisés acerca de como haveria de ser construído o pátio do Tabernáculo (Êxodo 27:9-19). O pátio tinha um formato retangular de aproximadamente quarenta e cinco metros de comprimento e vinte e dois metros de largura.

O pátio era envolto por cortinas de linho fino retorcido com cerca de quase dois e metros e meio de altura. Essas cortinas eram sustentadas por cinqüenta e seis colunas que rodeavam toda área. As bases das colunas eram de bronze, e os ganchos e as vergas eram de prata. Provavelmente as colunas ficavam fixadas em seu lugar através de pequenas estacas e cordas que davam sustentação.

Havia uma porta que dava acesso à parte interna do pátio do Tabernáculo. A porta do átrio era uma abertura de aproximadamente nove metros que ficava do lado leste. A porta era coberta por um reposteiro, ou seja, uma cortina que servia de porta. O reposteiro era feito de tecido azul, púrpura e carmesim, com linho fino retorcido que exigiu o trabalho de um bordador. O reposteiro da porta do pátio do Tabernáculo era sustentado por quatro colunas (Êxodo 27:16).

Dentro do pátio do Tabernáculo ficava o santuário propriamente dito, isto é, a tenda que continha o Santo Lugar e o Santo dos Santos, que era o lugar mais íntimo onde estava a Arca da Aliança. Apenas o sumo sacerdote tinha permissão de entrar no Santo dos Santos uma vez por ano.

O restante do átrio era um pátio aberto na frente da tenda. Nesse pátio ficavam a bacia de bronze e o altar do holocausto. Esse pátio aberto servia como um espaço público onde os adoradores judeus podiam se reunir e oferecer sacrifícios. As cortinas serviam para separar o pátio do Tabernáculo do acampamento de Israel que estava assentado ao seu redor.

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O pátio do Templo

No Tabernáculo havia apenas um pátio exterior fechado por cortinas. Mas o Templo de Salomão contava com dois pátios. Havia o grande pátio exterior que circulava todo o Templo. Nele ficavam o grande altar e o mar de fundição (1 Reis 7:23-26). Esse pátio exterior era usado pelos adoradores que iam até o Templo.

Mas também havia o pátio interior, marcado com três ordens de pedras cortadas e uma ordem de vigas de cedro. Parece que esse pátio interior era parte do pátio exterior, mas seu acesso provavelmente estava restringido apenas aos sacerdotes, pois era conhecido como “pátio dos sacerdotes” (2 Crônicas 4:9). Esse átrio também era chamado de “átrio superior” (Jeremias 36:10).

Nos tempos de Jesus, o pátio exterior do Templo de Herodes foi transformado num verdadeiro mercado para o comércio de animais para os sacrifícios, e também um mercado de câmbio para os peregrinos. O Senhor Jesus confrontou todo esse comércio corrupto (João 2:13-17). Parece que Jesus também ensinava no pátio exterior (João 10:23). Depois, no tempo da Igreja Primitiva, os primeiros cristãos costumavam frequentar o átrio do Templo (cf. Atos 3:11; 5:12).

O deleite da adoração nos átrios

Como foi dito, o pátio ou átrio do Tabernáculo, e depois do Templo, era o lugar onde os adoradores se dirigiam para prestar culto ao Senhor na Antiga Aliança. Ali eles oravam, louvavam e traziam suas ofertas a Deus.

Muitas passagens bíblicas relacionam os átrios com o prazer e o privilégio da adoração ao Senhor. Aqui podemos citar o conhecido verso de um dos salmos dos filhos de Corá: “Pois um dia nos teus átrios vale mais que mil; prefiro estar à porta da casa do meu Deus, a permanecer nas tendas da perversidade” (Salmos 84:10).

O rei Davi, por exemplo, declara: “Tributai ao Senhor a glória devida ao seu nome; trazei oferendas e entrai nos seus átrios; adorai o Senhor na beleza da sua santidade” (1 Crônicas 16:29). Em outra ocasião ele ainda diz: “Bem-aventurado aquele a quem escolhes e aproximas de ti, para que assista nos teus átrios; ficaremos satisfeitos com a bondade de tua casa, o teu santo templo” (Salmos 65:4; cf. Salmos 96:8; 100:4; 116:19; 135:2).

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Entrando no Tabernáculo: Cristo e o pátio

Ao mesmo tempo em que os átrios significavam o privilégio do povo em poder vir adorar a Deus, eles também eram um lembrete constante da separação que havia entre a presença santa de Deus e os pecadores. os adoradores podiam entrar nos átrios, mas não podiam adentrar no santuário; eles jamais podiam cruzar as cortinas do Santo Lugar e jamais podiam ousar passar pelo véu e ter acesso ao Santo dos Santos.

Mas os profetas anunciaram a chegada de um tempo em que muitas nações haveriam de se ajuntar ao Senhor e ser o seu povo (Zacarias 2:11; cf. Ageu 2:1-9). Apesar de posteriormente os gentios convertidos ao judaísmo terem recebido permissão de acessar os átrios do Templo, essas promessas apontavam para uma realidade muito superior e gloriosa.

Na verdade essas promessas se cumprem em Cristo. Com sua encarnação, o Filho de Deus se tornou o novo Templo que dá acesso a Deus e reúne judeus e gentios em um só Corpo (cf. Efésios 2:17-22). Através da obra expiatória de Cristo, agora os crentes não têm acesso limitado apenas aos pátios de um Tabernáculo ou Templo terreno. Cristo é Sumo Sacerdote que ministra no Tabernáculo celestial, e pelos méritos d’Ele os redimidos podem entrar no verdadeiro e eterno Santo dos Santos, e se achegar com confiança diretamente ao trono da graça (Hebreus 4:16; 10:19-21).

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