Leia diariamente estudos bíblicos, devocionais, esboços de pregações, parábolas de Jesus, artigos teológicos, curiosidades bíblicas, escola dominical (EBD) e muito mais!

O Que é Santificação? Qual o Significado da Santidade na Bíblia?

Santificação é um processo progressivo e contínuo operado por Deus na vida daquele que foi regenerado, convertido e justificado, no qual ele é ensinado e moldado a viver cada vez mais para Cristo numa vida de retidão conforme a vontade do Senhor, e a morrer dia após dia para o pecado, vencendo as tentações e as concupiscências de sua velha natureza.

Através da santificação, nosso ser é mudado gradualmente, de modo que somos habilitados a resistir aos hábitos e práticas pecaminosas da nossa carne, e buscarmos diligentemente um modo de vida semelhante à Cristo.

O que significa santificação ou santidade?

Palavras como “santificação”, “santificar” e “santidade”, derivam do vocábulo latino sanctus, “santo”, que por sua vez geralmente traduz os termos hebraico qadash, “separado”, “consagrado”; e grego hagiasmos, “consagração” e “purificação”.

O termo hebraico é utilizado no Antigo Testamento, aparecendo também como substantivo e adjetivo. Acredita-se que esse termo seja derivado de uma raiz hebraica que significa “separar” ou “cortar”.

Alguns também sugerem que existe outro aspecto no significado dessa raiz que transmite o sentido de “brilhar”. Se isto estiver correto, então esse vocábulo tanto pode enfatizar a ideia bíblica de separação, quanto à ideia de pureza, ambas pertencentes ao conceito de santidade.

Já o substantivo grego hagiasmos, e o verbo hagiazo, são os mais utilizados no Novo Testamento para se referir à santificação e santidade, e derivam do termo hagios, que também transmite a ideia de separação e consagração, assim como o termo hebraico empregado no Antigo Testamento.

De forma geral, quando tais termos são aplicados pelos autores bíblicos para se referir à santificação, o objetivo principal é transmitir a ideia de separação das práticas pecaminosas, e ao mesmo tempo de consagração e dedicação ao serviço de Deus, amando e vivendo aquilo que é justo e que está de acordo com sua vontade.

Os conceitos acerca da santificação

Ao longo da História da Igreja, muito já se foi discutido sobre o conceito de justificação segundo a Bíblia, especialmente durante e após a Reforma Protestante. Algumas linhas teológicas afirmam que a santificação ocorre de uma única vez, especialmente por meio do sacramento do batismo.

Outras insistem em confundir a santificação com a regeneração e a própria justificação. Há também aqueles que defendem o perfeccionismo na santificação, ou seja, entendem que o cristão pode chegar, ainda nessa vida terrena, a um estado de plena santificação que se traduz em um tipo de perfeição onde ele não pecará mais.

Com tudo, o ensino que mais se mostra fiel às Escrituras é aquele adotado pelos reformadores, onde a santificação é vista como um processo progressivo e inacabado nessa vida terrena. Dentro desse conceito, a santificação então pode ser vista em três aspectos:

  • Posicional: onde aquele que foi regenerado e justificado é visto por Deus como totalmente santificado em Cristo, ou seja, significa que ocorre uma separação instantânea e definitiva. Nesse sentido, os cristãos são descritos na Bíblia como santos e perfeitos, mas isso não significa que eles estejam imunes ao pecado. Essa verdade aponta para o próximo ponto, que revela a santificação como um processo longo e inacabado nessa vida terrena.
  • Experimental: a santificação que tem seu início com a regeneração e encontra sua base judicial na justificação, desenvolve-se como um processo gradual durante toda a vida do cristão.
  • Final: a santificação só alcançará seu estado pleno e perfeito quando a velha natureza for finalmente removida dos redimidos, e estes receberem o corpo glorificado, semelhante ao de Cristo.

Quem opera a santificação, Deus ou o homem?

A santificação é uma obra do Deus Triúno, geralmente atribuída nas Escrituras especialmente à pessoa do Espírito Santo (Romanos 8:11; 15:16; 1 Pedro 1:2). No entanto, o homem que foi regenerado também participa desse processo, não de forma independente, mas como um instrumento pela qual em parte o Espírito de Deus efetua essa obra.

Ao mesmo tempo em que a Bíblia afirma que a santificação é uma obra sobrenatural de Deus (Efésios 3:16; Colossenses 1:11; 1 Tessalonicenses 5:23; Hebreus 13:20,21), ela também aponta em várias exortações para a cooperação do homem nesse processo (Romanos 12:9,16,17; 1 Coríntios 6:9,10; Gálatas 5:16-23).

Essas duas verdades não se anulam ou se contradizem, ao contrário, se completam em perfeita harmonia, ainda que não possamos compreender completamente. Essa mesma questão acontece em outras doutrinas bíblicas, como a soberania de Deus e a responsabilidade humana.

O equilíbrio na santificação

A verdade bíblica de que Deus é quem opera a santificação e que o redimido também participa desse processo, exige que entendamos que deve haver um equilíbrio nessa relação. Infelizmente algumas pessoas priorizam ou supervalorizam um lado e ignoram o outro.

Por exemplo, há quem pense que como a santificação é uma obra operada por Deus, nós não precisamos fazer absolutamente nada com relação ao nosso desenvolvimento espiritual. Outros, por sua vez, enfatizam tanto a participação do próprio homem em seu crescimento espiritual, que acabam fazendo da santificação uma tentativa de justiça própria.

O primeiro grupo sem dúvida induz a irresponsabilidade e a falta de diligência na conduta cristã. O segundo grupo inevitavelmente conduz o cristão a um legalismo que distorce as doutrinas da graça.

Em sua Carta aos Filipenses, o apóstolo Paulo escreve exatamente sobre o equilíbrio que deve existir nesse processo: “[…] assim também operai a vossa salvação com temor e tremor; porque Deus é o que opera em vós tanto o querer como o efetuar, segundo a sua boa vontade” (Filipenses 2:12,13).

Perceba que o apóstolo, ao mesmo tempo em que aconselha acerca da necessidade do compromisso e esforço do crente em ter uma vida santa (“operai a vossa salvação com temor e tremor”), imediatamente ele também aponta para a verdade de que é Deus quem opera a obra, por mais que o homem esteja agindo (“porque Deus é o que opera em vós tanto o quer como o efetuar”).

Aqui basicamente o apóstolo está ensinando que a santidade exige esforço por parte do cristão em ser santo, mas até mesmo esse esforço na verdade está diretamente ligado ao soberano controle de Deus. O cristão trabalha, mas é Deus quem opera nele, de modo que o poder de Deus se manifesta inclusive em seu esforço.

Um exemplo prático dessa relação ocorre quando oramos a Deus ou meditamos em sua Palavra. Somos nós que oramos, assim como também somos nós que estudamos as Escrituras, mas foi o Espírito de Deus quem nos levou a amar as Escrituras e a se derramar em sua presença em oração.

Da mesma forma, quando demonstramos em nossa vida as virtudes que nos assemelham ao caráter de Cristo, como a fidelidade, longanimidade, mansidão, temperança, e outras; ao mesmo tempo percebemos que tais virtudes não tem origem em nós mesmos, mas provém do fruto do Espírito Santo gerado em nós (Gálatas 5).

Quem está apto à santificação?

Somente poderá ser santificado aquele que foi regenerado. Aqui é muito importante entender a diferença básica entre a santificação e a regeneração, pois muita gente confunde esses dois estágios distintos da obra da redenção.

A regeneração é uma obra operada exclusivamente por Deus no pecador, e que acontece uma única vez e de forma imediata. A regeneração é o novo nascimento, é quanto Deus vivifica o pecador que está morto em delitos e pecados (Efésios 2:1-4). Não há como alguém ser mais ou menos nascido, e é por isso que a regeneração é uma obra definitiva e completa.

Por outro lado, como vimos, a santificação é um processo gradual, que inclusive tem seu início a partir da regeneração. Uma boa maneira de entender a diferença entre a regeneração e a santificação, é saber que a regeneração é um novo nascimento, enquanto que a santificação é um crescimento.

Obviamente só poderá crescer e se desenvolver aquele que nasceu. Portanto, só poderá se santificar aquele que foi regenerado. Essa verdade também nos leva a rejeitar um entendimento que infelizmente é muito popular entre os cristãos da atualidade.

Muitos pensam que a santificação é a causa da salvação, no sentido de que é necessário se santificar para ser salvo. No entanto, é exatamente o contrário, ou seja, o cristão é santificado não para ser salvo, mas porque é salvo. Ele cresce espiritualmente não para nascer de novo, mas porque já nasceu de novo.

Como ocorre a santificação?

Já falamos que a santificação é uma obra operada por Deus, cujo cristão é participante desse processo. Assim, a santificação ocorre na vida interior do homem, de modo que ela naturalmente afeta o homem por inteiro, ou seja, corpo e alma, intelecto, vontade e afetos.

A Bíblia expõe a santificação sob duas linhas simultâneas:

  1. A mortificação do velho homem, a natureza pecaminosa: mesmo após ter sido regenerado, a natureza pecaminosa não é retirada do cristão, de modo que é através da santificação que essa velha natureza é subjugada e mortificada.
  2. O revestimento do novo ser, criado em Cristo para as boas obras: enquanto que a velha natureza vai sendo mortificada, crucificada com Cristo, o redimido é conduzido a um modo de vida em Cristo que agrada a Deus (Efésios 4:25-5:1).

Além disso, a santificação é realizada na vida do cristão através de vários meios que o Espírito Santo emprega, como: a leitura e o estudo da Palavra de Deus, a oração, os sacramentos, a comunhão entre os redimidos no Corpo de Cristo, a adoração, e o direcionamento providencial de Deus na vida do cristão.

As características da santificação

O autor Louis Berkhof, em sua Teologia Sistemática, destaca de forma objetiva algumas das principais características da santificação, das quais podemos citar resumidamente:

  • Deus é o autor da santificação, ainda que o homem tenha participação como instrumento através dos meios que Deus colocou a seu dispor.
  • A santificação tem lugar tanto na vida subconsciente como na vida consciente do homem. Na primeira, ela é uma operação imediata do Espírito Santo, enquanto que na segunda ela é um processo que depende do uso do exercício da fé e dos meios da graça durante a vida cristã.
  • A santificação é um processo longo, que perdurará toda a vida do cristão, de maneira que ainda assim ficará inacabada, ou seja, nessa vida terrena ela jamais alcançará a perfeição.
  • A santificação encontrará sua plena perfeição quando a vida do redimido tiver fim, ou no retorno de Jesus Cristo. A Bíblia diz que os redimidos que já morreram encontram-se inteiramente santificados. O escritor do livro de Hebreus fala deles como “justos aperfeiçoados” (Hebreus 12:23). Todavia, será por ocasião da ressurreição dos mortos que a santificação com relação ao corpo será completa, quando Cristo “transformará o nosso corpo de humilhação, para ser igual ao corpo de sua glória” (Filipenses 3:21).

Através da santificação é possível deixar de pecar?

Apesar da santificação ir mortificando a nossa natureza pecaminosa, ela não a exclui completamente. Os cristãos já foram libertos da culpa e do poder do pecado, mas ainda estão sujeitos a ele.

O apóstolo João escreve dizendo que “se dissermos que não pecamos, fazemo-lo mentiroso, e a sua palavra não está em nós” (1 João 1:10). Qualquer doutrina que ensine o perfeccionismo terreno não se sustenta à luz das Escrituras (1 Reis 8:46; Provérbios 20:9; Eclesiastes 7:20; Tiago 3:2; 1 João 1:8).

Portanto, há uma luta constante na vida do cristão entre a carne e o Espírito (Romanos 7:7-26; Gálatas 5:16-24; Filipenses 3:10-14). Apesar disso, agora, como nova criatura, o cristão vive uma vida de santificação conforme a vontade de Deus.

Assim, o pecado não é mais o padrão em sua vida, ou seja, não é mais aquilo que o caracteriza, pois ele não sente mais prazer na prática do pecado. Dessa forma, podemos dizer que o pecado ocorre na vida do redimido como um acidente de percurso em sua caminhada cristã.

É por isso que os verdadeiros cristãos confessam e oram a Deus em arrependimento pelo perdão de seus pecados (1 João 1:9). A boa notícia é que a graça de Deus, através das Escrituras, ensina, repreende e corrige os redimidos, para que estes sejam aperfeiçoados (Tito 2:11-15; cf. 2 Timóteo 3:16). Saiba mais sobre como vencer o pecado.

A santificação não é legalismo ou uma aparente espiritualidade

Infelizmente a santificação é vista por muita gente sob as lentes distorcidas do legalismo. Geralmente esse legalismo se expressa por meio de usos e costumes, e outras práticas que apenas possuem aparência de piedade (Colossenses 2:23).

Na verdade a santificação não é simplesmente se abster de uma série de coisas consideradas impróprias, adotar o paletó e a gravata como uniforme, andar com saias e vestidos que arrastam no chão, manter o comprimento adequado do cabelo e outras coisas mais. Além disso, a santidade também não está implícita na ostentação de vários dons espirituais.

Do que adianta andar de terno o tempo todo, mas ser um mentiroso? Andar com uma saia três vezes maior que o seu tamanho, mas ter a mente dominada por pensamentos impuros? Ter aparência de espiritual desmaiando de tanto jejuar, mas ser alguém que promove discórdias, inimizades e dissensões? Alegar revelar e profetizar em nome de Deus, mas ser um invejoso, ganancioso e destemperado?

É claro que alguém que nasceu de novo e vive uma vida que agrada a Deus, jamais agirá ou se vestirá de uma maneira lasciva, sensual ou reprovável, que contradiz sua nova natureza. Nem mesmo será achado em lugares ou situações impróprias para aquele busca ser cada vez mais parecido com Cristo, afinal, este é guiado pelo Espírito Santo e nunca será por Ele conduzido a tais lugares ou situações.

É preciso entender que santificação é mortificar o velho homem, e não maquiá-lo com uma aparente espiritualidade. Se vestir de cristão, pregar em nome de Jesus, expulsar demônios e realizar milagres, até mesmo os não regenerados conseguem fazer (Mateus 7:23). Mas “revestir-se do novo homem, criado para ser semelhante a Deus em justiça e em santidade provenientes da verdade” (Efésios 4:24), é apenas para aqueles que verdadeiramente nasceram de novo.

A importância da santificação

O escritor de Hebreus destaca que sem a santificação ninguém verá o Senhor (Hebreus 12:14). Já falamos que isso não significa que alguém pode alcançar a salvação porque se santifica, mas que a santificação é inevitável na vida dos cristãos genuínos, “porque desde o princípio Deus os escolheu para serem salvos mediante a obra santificadora do Espírito Santo” (2 Tessalonicenses 2:23).

O apóstolo Pedro também escreve que os redimidos foram “eleitos segundo a presciência de Deus Pai, em santificação do Espírito, para a obediência e aspersão do sangue de Jesus Cristo” (1 Pedro 1:2), assim como o autor de Hebreus que diz que Cristo é quem santifica os santificados (Hebreus 2:11).

Portanto, a santificação reflete de forma visível a regeneração, ou seja, ela demonstra de forma clara que alguém nasceu de novo, é nova criatura sendo conforme à imagem de Cristo, seguindo seus passos e desejando ardentemente o dia em que finalmente poderá contemplar a sua face.

Aplicativo de Estudo Bíblico

Deixe uma resposta

Seu endereço de email não será publicado.