O Que Queres Que Eu Te Faça?

“O que queres que eu te faça?” foi a pergunta que Jesus fez a Bartimeu à beira de um caminho em Jericó. Esta pergunta expressa não apenas a grande compaixão do Senhor Jesus para com aquele homem, mas também revela a verdade sobre como Cristo busca estabelecer um relacionamento com aqueles que reconhecem sua total dependência dele.

Contudo, essa pergunta do Senhor Jesus frequentemente é utilizada por muitas pessoas de uma forma estranha às Escrituras. Essas pessoas aplicam essa pergunta como um tipo de princípio que serve de base para um ensino perigoso que diz que nosso Senhor irá nos conceder absolutamente tudo o que pedirmos a Ele. A ideia é que a pergunta: “O que queres que eu te faça?”, supostamente abre a possibilidade de recebermos qualquer coisa que desejarmos.

Mas o próprio contexto da cura do cego Bartimeu mostra que esse tipo de entendimento é completamente equivocado. Além disso, esse tipo de interpretação distorce o verdadeiro sentido do texto bíblico e tira o foco das verdadeiras lições que podemos aprender com ele.

O que queres que eu te faça?

Será que havia necessidade de Jesus fazer essa pergunta a Bartimeu? Ora, aquele homem era um cego que mendigava à beira do caminho. Quando soube que Jesus estava por ali começou a gritar por Ele desesperadamente rogando por sua misericórdia.

Então obviamente o cego não estava gritando porque queria que Jesus lhe desse uma esmola. Isso ele poderia conseguir de qualquer pessoa que estivesse passando por aquele caminho. Inclusive, Bartimeu também clamou por Jesus chamando-lhe de “Filho de Davi”. Isso significa que seus gritos tinham destinatário certo. Ele não estava clamando por qualquer uma das pessoas ricas e poderosas que moravam em Jericó, mas ele clamava por Aquele cuja vinda foi anunciada pelos profetas e que poderia lhe dar muito mais do que qualquer ajuda financeira.

Tudo isso significa que Jesus sabia exatamente o que Bartimeu queria dele. Mas mesmo assim Ele perguntou: “O que queres que eu te faça?”. Embora nosso Deus conheça as nossas necessidades, Ele deseja que nos acheguemos a Ele em oração contando-lhe o que precisamos. O apóstolo Pedro escreve que devemos confiar no Senhor e lançar sobre Ele toda a nossa ansiedade, porque Ele tem cuidado de nós (1 Pedro 5:7).

Assim, a pergunta: “O que queres que eu te faça?” nos ensina que nosso Senhor não é simplesmente um fazedor de milagres, mas é um Deus que estabelece uma comunhão pessoal com seus filhos e se preocupa providencialmente com cada um deles.

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Mestre, eu quero ver!

Diante da pergunta: “O que queres que eu te faça?”, o cego de Jericó respondeu de forma muito clara: “Mestre, eu quero ver!” (Marcos 10:51). Perceba que sua resposta foi a expressão sincera daquilo que ele mais queria em sua vida.

Aqui vale lembrar que Bartimeu não foi o único que escutou essa mesma pergunta de Jesus. Pouco antes, o Senhor Jesus Cristo fez essa pergunta a dois de seus discípulos, Tiago e João (Marcos 10:36). Mas a resposta deles foi completamente diferente da resposta do homem cego. Na verdade foi uma resposta muito mais parecida com o comportamento de muitos crentes da atualidade. Eles pediram audaciosamente para desfrutarem de uma posição exaltada no Reino de Deus; como se tivessem o direito de reivindicar isso.

Ao comentar a resposta de Bartimeu, o teólogo R. C. Sproul observa que o pobre homem cego não pediu status, não pediu glória. Ele não pediu para ser exaltado no reino de Deus, e muito menos para escapar de sua situação de pobreza. Ele apenas implorou ao Senhor por algo que quase todos os seres humanos já possuem.

Também, ao se dirigir a Jesus, Bartimeu colocou de forma muito nítida a realidade de sua indignidade e sua total submissão a Ele. Primeiro, ele clamou por misericórdia, pois sabia que não era merecedor do favor divino. Depois, ele chama Jesus de raboni – que era um título muito mais significativo do que o usual rabi. Esse título demonstrava que ele reconhecia Jesus como Mestre e Senhor.

Infelizmente grande parte dos crentes esta muito distante da sensibilidade de Bartimeu. Eles pensam que podem reivindicar, declarar e determinar as bênçãos divinas sobre suas vidas. Presunçosamente eles tratam Deus como se fosse um mordomo, e não como Mestre e Senhor. Eles entendem a pergunta: “O que queres que eu te faça?” como um direito adquirido, e não como uma expressão da misericórdia graciosa de Deus que é derrama de forma imerecida aos pecadores.

O problema dessas pessoas é muito mais sério do que o problema do cego de Jericó. Elas enxergam fisicamente, mas são cegas espiritualmente.

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