Os Cristãos Devem Comemorar o Natal?

A Bíblia não proíbe que o cristão comemore o Natal. Por outro lado, considerando que o verdadeiro sentido do Natal diz respeito ao nascimento de Jesus Cristo, temos de admitir que em nenhum lugar a Bíblia prescreve ao cristão a celebração desse dia. Por isso a questão de se um cristão pode comemorar o Natal ou não, é sempre muito debatida. Alguns cristãos são a favor da comemoração do Natal, enquanto outros são absolutamente contra.

São realmente muitos os argumentos utilizados tanto por aqueles cristãos que comemoram o Natal quanto por aqueles que rejeitam sua comemoração. Entre os cristãos que rejeitam a comemoração do Natal geralmente há o entendimento comum de que o Natal é uma festa de origem pagã e que traz elementos que refletem esse paganismo e passam longe da ideia de comemorar o nascimento de Jesus. Já os cristãos que comemoram o Natal, não entendem que essa seja uma festa essencialmente pagã; apesar de reconhecerem os desvios praticados ao longo dos tempos.

Aqui é válido mencionar que embora as posições mais extremas sobre esta questão sejam mais comuns entre os grupos religiosos classificados como “seitas”, há cristãos genuínos e comprometidos com a Palavra de Deus que realmente se posicionam de forma diferente neste ponto.

Portanto, há cristãos de diferentes tradições ­­(reformados, luteranos, pentecostais, etc.) que escolhem lados opostos nesse debate. Inclusive, a discussão sobre se os cristãos devem ou não celebrar o Natal remonta ao tempo da Reforma Protestante.

Naquele contexto de rompimento com certas tradições que tentavam se equiparar à autoridade da Escritura; bem como de reprovação de qualquer ocasião que podia ser usada para fomentar práticas idólatras, muitos líderes protestantes se esforçaram por abolir a celebração do Natal entendendo que essa data também se enquadrava no perfil do que devia ser deixado para trás. É por isso que apesar de ser mais comum encontrar oponentes da celebração do Natal em círculos neopentecostais, há também muitos cristãos contrários à comemoração do Natal em grupos históricos e reformados.

Alguns pontos importantes sobre a celebração do Natal

Em primeiro lugar, precisamos reconhecer que não há nenhuma evidência de que Jesus tenha nascido no mês de dezembro; e muito menos no dia 25, especificamente. É impossível que Jesus tenha nascido em dezembro? Obviamente não. Mas não podemos afirmar nada com exatidão nesse sentido.

Em segundo lugar, com relação ao dia 25, especificamente, a verdade é que essa data foi escolhida muito tempo depois dos dias do ministério de Jesus. Também parece que essa data substituiu antigas celebrações pagãs; além de ser a data do aniversário do imperador romano Constantino.

Em terceiro lugar, ao longo dos tempos muitos acréscimos foram feitos à celebração do Natal. Talvez alguns desses acréscimos foram motivados simplesmente por propósitos comerciais; mas é possível que outros tenham realmente traços pagãos. Seja como for, atualmente o Natal é sempre relacionado às figuras do Papai Noel, árvore de Natal, enfeites brilhantes, etc.

Em quarto lugar, de fato culturalmente o Natal se tornou uma verdadeira celebração ao consumismo. Nessa época do ano a maioria das pessoas está mais preocupada em consumir, ostentar e promover grandes festas do que rememorar o nascimento de Jesus.

Em quinto lugar, certamente não há uma ordem bíblica para que os cristãos celebrem o Natal numa data especial. Na verdade, com exceção do dia do Senhor que a Igreja é encorajada a se reunir, o Novo Testamento não estabelece um calendário de dias sagrados para os cristãos. Portanto, não há nenhuma justificativa bíblica para um cristão enxergar o dia 25 de dezembro, o dia de Natal, como um dia sagrado.

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Os cristãos devem comemorar o Natal ou não?

Diante dos pontos já abordados aqui, fica claro que infelizmente a visão popular do Natal é problemática. Mas isso não significa que o cristão não deva celebrar o Natal. Quando o apóstolo Paulo pregou em Atenas, ele se deparou com um altar dedicado ao “Deus Desconhecido”.

Curiosamente esse altar estava entre os muitos santuários da idolatria ateniense. Mas Paulo usou justamente aquele altar para apresentar aos habitantes de Atenas o verdadeiro Deus; a quem em certo sentido eles honravam sem conhecer (Atos 17:16-34).

De certa forma, esse mesmo princípio pode ser aplicado em relação à celebração do Natal. Ainda que seja verdade que essa data tenha substituído a data de algum festival pagão; ou ainda que agora essa seja uma data caracterizada por propósitos de exploração comercial; os crentes podem tomá-la e santificá-la, de modo a usá-la para proclamar aos pecadores a graça de Deus manifestada na pessoa do Salvador que eles não conhecem.

Sem dúvida o Natal é uma data muito propícia, evangelisticamente falando, para apresentar aos homens a verdade do Evangelho; para testemunhar ao mundo a respeito do maravilhoso mistério da Encarnação do Filho de Deus. O cristão que resolve ignorar radicalmente a celebração do Natal, perde a oportunidade de explicar ao mundo que o Natal não é sobre Papai Noel, árvores enfeitadas e banquetes, mas é sobre Deus ter sido visto em carne e osso habitando entre os homens (João 1:14).

Por fim, como a Bíblia não é específica nessa questão, parece que o mais correto é deixar esse tema no campo da liberdade cristã; pois a própria Bíblia abre a possibilidade de o cristão decidir celebrar ou não certas dadas especiais. Sobre isso, o importante é saber que, independentemente da posição adotada, tudo o que o cristão faz deve servir para a glória de Deus (Romanos 14:5,6).

Além do mais, dentro dos limites da liberdade cristã o crente deve saber que ele não é mais santo do que seus irmãos que pensam diferente dele. Portanto, o cristão que celebra o Natal no dia 25 de dezembro não é mais santo do que aquele que não celebra, e vice-versa.

Então à luz dessa verdade bíblica, o cristão pode aproveitar o dia 25 de dezembro para celebrar o dia do nascimento de Jesus; ou, se preferir, ele pode escolher qualquer outra data do ano para isso. Seja qual for sua opção, tudo deverá ser feito para a glória do Senhor; não para causar divisão entre seus irmãos na fé.

Mas para aqueles que queiram escolher outra data apenas com a finalidade de se desvencilharem do dia de Natal já estipulado tradicionalmente, o exemplo do apóstolo Paulo talvez seja realmente pertinente. Em Atenas Paulo não se propôs a construir um novo altar, mas se utilizou de um altar já construído para reprovar a idolatria daquela cidade e anunciar aos idólatras o único e verdadeiro Deus a quem eles deveriam adorar.

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