O Que é o Pecado Para Morte?

O pecado para morte é um tipo de pecado mencionado na Bíblia pelo apóstolo João (1 João 5:16). João diz que não adianta interceder a Deus sobre aquele que comete o pecado para a morte.

O apóstolo João fala sobre o pecado para morte num contexto em que ele trata acerca da importância e eficácia da intercessão. O apóstolo diz que se pedirmos alguma coisa segundo a vontade de Deus, Ele nos ouve (1 João 5:14).

É nesse contexto que João faz uma distinção entre o que ele chama de “pecado não para morte” e “pecado para morte”. Então ele explica que “se alguém vir a seu irmão cometer pecado não para morte, pedirá, e Deus lhe dará vida; aos que não pecam para morte. Há pecado para morte,e por esse não digo que rogue” (1 João 5:16).

Mas esse versículo que fala sobre o pecado para morte é reconhecido como um dos mais difíceis de interpretar. Por causa dessa dificuldade, não há unanimidade entre os estudiosos quanto ao seu significado.

A grande questão discutida pelos intérpretes diz respeito a que tipo de morte João se refere. Será a morte física ou a morte eterna? Com base nessa discussão, existem diferentes pontos de vista sobre o que é o pecado para morte. Aqui citaremos os dois principais.

1. O pecado para morte diz respeito à disciplina de Deus

Quem defende este ponto de vista diz que o pecado para morte é aquele pecado consciente e até premeditado no qual o cristão persiste em desobediência a Deus. Então o Senhor acaba por discipliná-lo com a morte física. João dizer que a interseção não é eficaz nesse tipo de caso. Isso significa que a disciplina de Deus com a morte física ao transgressor é inevitável. O cristão chegou a um limite em que Deus não permitirá que ele continue vivendo em seu estado de desobediência.

John MacAthur prefere adotar esta posição. Ele explica que o contraste entre as expressões “pecado para morte” e “pecado não para morte” indica uma distinção entre pecados que podem levar à morte física e outros pecados; mas sem que isso implique numa identificação específica de um determinado pecado em particular.

Entre outros autores, W. W. Wiersbe também endossa esta interpretação. Ele diz que o versículo de 1 João 5:16 é uma advertência de que o pecado pode levar à morte física. Wiersbe ainda chama a atenção para o versículo seguinte que diz: “Toda injustiça é pecado; e há pecado que não é para morte” (1 João 5:17). Para ele, esse versículo é uma indicação de que apesar de todos os pecados serem abomináveis para Deus, alguns pecados têm consequências mais graves do que outros.

Geralmente os estudiosos que defendem este ponto de vista mencionam os vários casos citados na Bíblia em que Deus puniu diretamente ou imediatamente com a morte física algumas pessoas que cometeram certos pecados. Alguns exemplos no Antigo Testamento são: Nadabe e Abiú, filhos de Arão (Levítico 10:1-7); Corá e seu clã (Números 16); Acã (Josué 6-7); Uzá (2 Samuel 6); etc. Já no Novo Testamento há os casos de Ananias e Safira (Atos 5:1-11) e de alguns crentes de Corinto que desprezaram o significado da Ceia do Senhor (1 Coríntios 11:30).

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2. O pecado para morte diz respeito à apostasia

Este ponto de vista identifica o pecado para morte com a apostasia que leva à morte espiritual eterna. Isso quer dizer que o pecado para a morte está relacionado ao pecado imperdoável citado pelo Senhor Jesus (Mateus 12:31,32). A apostasia é caracterizada pela negação deliberada de Jesus Cristo e pela conseqüente blasfêmia contra o Espírito Santo.

Então a intercessão por quem está envolvido com o pecado para morte é inútil, porque essa pessoa jamais poderá ser restaurada (cf. Hebreus 6:4-6). Falando de uma situação similar, o escritor de Hebreus basicamente diz que para quem comete a apostasia já não resta sacrifício pelos pecados; mas há somente uma horrível expectação de juízo. Isso porque essa pessoa pisou o Filho de Deus, profanou o sangue da Aliança e ultrajou o Espírito da graça (Hebreus 10:26-29).

Esta interpretação parece se harmonizar melhor ao contexto da primeira carta de João. Sobre isto, S. Kistemaker observa que em sua epístola João contrasta o crente que possui a vida eterna com aquelas pessoas que negam que Jesus Cristo é o Filho de Deus (1 João 2:22,23; 3:13-15).

Essas pessoas não compartilham da comunhão com o Pai e com o Filho; elas são no máximo crentes nominais que, apesar de terem recebido esclarecimento acerca do Evangelho, se introduzido na comunidade cristã, e até participado dos meios de graça, jamais pertenceram realmente à verdadeira Igreja de Cristo (João 1:13; 2:19; 4:12).

Aqui vale lembrar que em sua epístola o apóstolo João estava combatendo justamente esse tipo de pecado. Muitas pessoas negavam de forma persistente e inflexível a encarnação do Filho de Deus. Os destinatários de João presenciavam a ação dos falsos mestres que com seus ensinos gnósticos tentavam atacar a verdade do Evangelho. A situação era tão grave que João chama essas pessoas de “anticristos” (1 João 2:18,19).

Teólogos como João Calvino, W. Hendriksen, John Stott, entre outros, defendem esta posição de que o pecado para morte significa a apostasia e diz respeito à morte eterna.

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