Qual a História da Perseguição aos Cristãos?

A perseguição aos cristãos sempre esteve presente na história da Igreja desde o seu começo. Na verdade, isso não poderia ser diferente, visto que os cristãos são chamados assim, “cristãos”, por serem seguidores de Cristo, Aquele que foi perseguido, torturado e crucificado. Inclusive, o próprio Senhor Jesus avisou a seus discípulos que tal como Ele havia sido perseguido, seus seguidores também sofreriam perseguições (João 15:20).

Algumas pessoas questionam qual o motivo da perseguição aos cristãos. A resposta para isso pode ser obtida à luz da verdade bíblica sobre esse assunto. Nós podemos dizer que a Bíblia apresenta de forma clara o que talvez possamos chamar de “teologia da perseguição”.

Como entender a perseguição aos cristãos?

O ponto inicial para compreender o motivo da perseguição aos cristãos ao longo da história da Igreja, é entender que a origem da perseguição contra os crentes é o ódio do mundo contra Deus. A Bíblia fala do homem caído como inimigo de Deus (Romanos 5:10). Em outras palavras, se o pecador tivesse o poder de matar a Deus, de fato Deus já estaria morto. A prova disso é que quando o Deus encarnado esteve neste mundo, os homens não pouparam sua vida.

Isso significa que a perseguição aos cristãos é uma tentativa do mundo de destruir a Deus e a sua obra. Se os cristãos são o povo de Deus, então aos olhos daqueles que são inimigos de Deus esse povo tem de sofrer. Basicamente este é o motivo da perseguição aos cristãos.

Mas na providência de Deus, a perseguição aos cristãos também possui um resultado positivo para a Igreja. Por mais estranho que pareça ser, os períodos em que a Igreja mais cresceu foram justamente aqueles períodos marcados pelas mais intensas perseguições. Tertuliano resumiu bem essa questão quando declarou: “O sangue dos mártires é a semente da Igreja”.

Nesse sentido, as perseguições também servem para separar os falsos crentes dos crentes verdadeiros. Diante das perseguições os crentes hipócritas recuam, porque sua fé nominal se apaga. Por outro lado, diante das perseguições os crentes verdadeiros avançam, porque sua fé genuína brilha ainda mais sob a luz de Cristo.

Na Bíblia os cristãos são identificados como “testemunhas” de Cristo (cf. Atos 1:8). O curioso é que a palavra “testemunha” traduz o grego martus, que é o mesmo termo de onde vem a palavra “mártir”. Os verdadeiros cristãos são testemunhas de Cristo que não têm suas vidas como mais preciosas que a causa do Evangelho. Os cristãos genuínos são mártires que jamais desistem.

Por isso podemos dizer que o martírio é um dom através do qual o cristão perseguido glorifica a Deus. Inácio de Antioquia tinha essa consciência quando declarou: “Sou trigo de Deus, e os dentes das feras hão de moer-me, para que possa ser oferecido como limpo pão de Cristo”.

As primeiras perseguições aos cristãos

As primeiras perseguições aos cristãos ocorreram logo nos anos iniciais da Igreja Primitiva, na era apostólica. Naquele tempo, a perseguição aos cristãos era promovida pelos judeus. Os líderes judaicos faziam de tudo para barrar o crescimento do Cristianismo.

Após o acontecimento no dia de Pentecostes, tão logo os apóstolos Pedro e João foram levados ao Sinédrio (Atos 4:1-22). Também foi durante a perseguição empreendida pelos judeus contra os cristãos, que o diácono Estêvão e o apóstolo Tiago foram mortos.

Nesse período, Paulo de Tarso também serviu como um agente da perseguição contra os crentes. Fariseu fervoroso, Paulo perseguiu implacavelmente os cristãos até o dia que teve um encontro com Cristo que o transformou de perseguidor a perseguido (Atos 9).

As perseguições iniciais trouxeram dificuldades aos cristãos. Muitos crentes tiveram que ser espalhados, e prisões e interrogatórios eram comuns na vida dos líderes da Igreja naquele tempo.

Mas mesmo assim ainda havia uma relativa paz, no sentido de que não havia uma perseguição oficial contra os cristãos. Isso porque o Império Romano não considerava os cristãos uma ameaçava. Na verdade, os romanos enxergavam o Cristianismo apenas como uma seita do Judaísmo.

Então embora fossem difíceis e tenham produzido seus mártires, as perseguições durante os primeiros anos da Igreja Cristã eram mais pontuais, sendo geralmente arquitetadas por judeus ou por residentes de certas localidades que se sentiam perturbados com a chegada do Evangelho — como às vezes ocorria durante as viagens missionárias de Paulo.

As perseguições imperiais

O crescimento da Igreja não passou despercebido pelo Império Romano. Após algumas décadas, os romanos começaram a perseguir os cristãos. Nesse sentido, a primeira perseguição aos cristãos proveniente de Roma foi liderada pelo imperador Nero no final da década de 60 d.C.

Excêntrico e psicologicamente instável, Nero culpou os cristãos pelo incêndio que destruiu Roma em 64 d.C. Isso porque havia um boato de que ele próprio havia sido o responsável pelo incêndio. E como os bairros cuja população era de maioria cristã não foram atingidos, Nero acusou os crentes.

Então os cristãos passaram a ser perseguidos e mortos de várias formas. Alguns cristãos foram decapitados, outros crucificados, outros devorados por feras, e ainda outros foram usados como “luminárias humanas” ao serem incendiados nos postes que iluminavam os jardins e ruas da cidade. Foi durante a perseguição sob Nero que os apóstolos Paulo e Pedro foram mortos pela causa do Evangelho.

Quando Nero morreu, o seu decreto que autorizava a perseguição aos cristãos continuou válido, mas na prática a Igreja experimentou um tempo de tranquilidade. Essa tranquilidade foi interrompida no final do governo do imperador Tito Flávio Domiciano.

Principalmente na década de 90 d.C., os cristãos foram vistos como um problema pelo governo de Domiciano pelo fato de eles se recusarem a prestar culto ao imperador. Então em algumas cidades do Império Romano os crentes foram perseguidos. Alguns eram mortos, enquanto outros eram presos ou exilados. Foi durante a perseguição sob Domiciano que o apóstolo João foi exilado na Ilha de Patmos.

Com a morte de Domiciano, novamente a perseguição aos cristãos diminuiu. Durante os governos de Trajano e Adriano, o Cristianismo ainda continuava proibido, mas não havia uma perseguição intensamente ativa. Os cristãos eram perseguidos apenas quando alguém resolvia denunciá-los oficialmente. Mesmo assim alguns cristãos foram martirizados durante esse período, inclusive alguns Pais da Igreja, como Inácio de Antioquia, Policarpo, bispo de Esmirna e Justino Mártir.

As grandes perseguições

A relativa paz que a Igreja experimentou no século 2 d.C. chegou ao fim no século 3 d.C. com o governo do imperador Décio. Mas enquanto as perseguições anteriores sob Nero e Domiciano foram mais localizadas, a perseguição promovida por Décio se estendeu por todo o império.

O imperador Décio impôs os sacrifícios aos deuses romanos e perseguiu, confiscou propriedades, prendeu, exilou, torturou e matou os cristãos que se recusaram a obedecer à sua ordem. Naquele tempo os cristãos foram reputados como ateus, porque eles se recusavam a adorar os deuses mitológicos e persuadiam outras pessoas a fazerem o mesmo.

A perseguição continuou depois de Décio, mas com menor severidade entre os governos de Galo e Valeriano, até que foi quase que extinta durante o governo de Galiano, quando o Cristianismo passou a ser tolerado de forma não oficial.

Mas no final do século 3 d.C. e início do século 4 d.C., durante os governos de Diocleciano e Galério, os cristãos foram brutalmente perseguidos. O imperador Diocleciano desejou trazer a antiga glória de Roma e promoveu a maior perseguição de todas contra os cristãos. A perseguição aos cristãos durante seu governo foi cruel, sistematizada e abrangeu todo o território romano.

Diocleciano ordenou a destruição dos edifícios cristãos, a proibição dos cultos, a queima das Escrituras, a prisão, a tortura e a extinção de qualquer direito legal dos cristãos. Por fim, Diocleciano fez com que todo aquele que se recusasse a sacrificar aos deuses romanos recebesse a pena de morte.

Mas mesmo assim foi durante as perseguições imperais que a Igreja cresceu muito e se organizou de forma católica, isto é, universal, contando com um Cânon completo (Antigo e Novo Testamentos), com um credo bem definido e com uma liderança oficial.

E depois de praticamente trezentos anos de muita perseguição, os cristãos passaram a professar sua fé num contexto de paz, quando o imperador Constantino, após tomar o poder de Roma, assinou o Édito de Milão que colocou fim a qualquer perseguição aos cristãos no Império Romano.

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Quando a perseguição aos cristãos chegará ao fim?

Os cristãos não foram perseguidos apenas nos primeiros séculos. O tempo passou e os cristãos continuam sendo perseguidos até os dias de hoje. Em alguns lugares a perseguição aos cristãos é mais velada e de caráter moral. Já em outros lugares essa perseguição é física, direta e violenta.

Estima-se que atualmente mais de duzentos milhões de cristãos estejam sendo diretamente perseguidos, fazendo do Cristianismo a religião mais perseguida no mundo. Por tudo isso o Cristianismo é a religião que mais produziu mártires.

No entanto, os impérios e poderes perseguidores caíram, mas o povo de Deus continuou inabalável; e essa verdade permanece válida para o presente e para o futuro. Durante as perseguições na época da Igreja Primitiva, os cristãos não oraram a Deus pedindo por proteção, mas oraram pedindo por coragem (Atos 4:24-30). Essa ainda é a mesma oração dos crentes perseguidos ao redor do mundo.

Todo esse vigor e perseverança não vem de outro lugar se não do próprio Deus. Os crentes sabem que Deus é quem mantém o seu povo firme até o fim (1 Coríntios 1:8). Mesmo assim, isso não impede que os cristãos orem a Deus perguntando: Até quando?

A própria Bíblia, no entanto, responde a essa pergunta apontando para a providência de Deus que governa todas as coisas. Os santos devem repousar na soberania de Deus sabendo que a perseguição aos cristãos chegará ao fim quando se completar o número daqueles devem ser mortos pela causa do Evangelho (Apocalipse 6:9-11). Quando esse dia chegar, o povo de Deus será vindicado e o mundo conhecerá a ira do Cordeiro (Apocalipse 6:15-17).

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