Qual a Diferença Entre Discípulo e Apóstolo?

A diferença entre discípulo e apóstolo é algo que gera curiosidade em muitos leitores da Bíblia. Especialmente pelo fato de alguns homens serem chamados de discípulos em determinados textos bíblicos, e depois, em outras partes da Bíblia, esses mesmos homens serem identificados como apóstolos, algumas pessoas ficam em dúvida sobre essa questão.

A primeira coisa a ser considerada é que realmente discípulos e apóstolos não são exatamente a mesma coisa. Inclusive, é fácil entender qual a diferença entre discípulo e apóstolo quando se busca o significado dos termos bíblicos traduzidos por essas duas palavras.

Os significados de “discípulo” e “apóstolo”

A palavra “discípulo” na Bíblia traduz o grego mathetes, que significa “aprendiz”, “aluno” ou “pupilo”. Esse termo grego é usado mais de duzentas vezes apenas nos cinco primeiros livros do Novo Testamento.

Então, basicamente um discípulo é uma pessoa que se dispõe a aprender de alguém, ou seja, um estudante que se submete ao ensino de um mestre. Uma coisa interessante é que nas epístolas bíblicas do Novo Testamento, outra palavra é empregada com o objetivo de transmitir um significado parecido a esse. A palavra em questão é o grego tnimetes, que identifica um seguidor ou imitador de alguém.

Já a palavra “apóstolo” também tem origem grega e indica uma pessoa que é enviada por alguém como um tipo de delegado ou mensageiro. Em outras palavras, o apóstolo é um representante de outra pessoa que age sob a ordem e a autoridade de quem o enviou.

Quem podia ser discípulo e apóstolo?

Uma coisa que muitas pessoas não sabem, é que as palavras “discípulo” e “apóstolo” são aplicadas na Bíblia tanto em seu sentido mais amplo como em seu sentido mais estrito.

No sentido mais amplo, a Bíblia fala de um grande número de pessoas que seguiam o Senhor Jesus. Essas pessoas eram seus discípulos. Inclusive, o Evangelho de Lucas registra uma ocasião em que Jesus deu uma tarefa a um grupo de setenta discípulos (Lucas 10). O membro do Sinédrio José de Arimatéia, por exemplo, eram discípulos secreto de Jesus (João 19:38). O mesmo pode ter ocorrido com o fariseu Nicodemos (cf. João 19:38-42).

Além disso, Jesus não era o único que tinha discípulos naquele tempo. Por exemplo: João Batista, os fariseus e outros grupos também tinham os seus discípulos (cf. Mateus 9:14; 22:16; etc.).

Também num sentido mais amplo, a palavra a “apóstolo” é empregada para falar de vários cristãos que se envolveram com a obra do Senhor no tempo da Igreja Primitiva. Esses crentes eram enviados pela liderança da Igreja com o propósito de desempenhar determinadas funções.

Então como representantes não apenas daqueles que exerciam o ministério de liderança nos primeiros anos da Igreja Cristã, mas também das próprias comunidades locais, esses cristãos que serviam basicamente como delegados, também são chamados de “apóstolos” no texto bíblico. É nesse sentido que a Bíblia se refere a Silas, Barnabé, Timóteo e outros, como apóstolos.

Mas no sentido estrito, nos textos bíblicos a palavra “discípulo” se refere especialmente cada um daqueles homens que foram chamados por Jesus para compor o grupo dos Doze. Por isso falamos em “doze discípulos de Jesus”.

Esses homens foram seguidores próximos e aprendizes de Jesus durante todo o seu ministério terreno. Nesse tempo, eles foram disciplinados, moldados e aperfeiçoados para que pudesse cumprir uma missão muito especial após a ascensão de Jesus ao Céu depois da ressurreição.

Em outras palavras, esses discípulos foram preparados por Cristo para serem suas testemunhas e continuarem o seu ministério na terra liderando sua Igreja. A aplicação estrita da palavra “apóstolo” tem a ver justamente com isso.

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Discípulos que se tornaram apóstolos

Com exceção de Judas Iscariotes, o discípulo traidor, todos os outros discípulos se tornaram apóstolos. Então é assim que a palavra “apóstolo” é empregada em seu sentido estrito na Bíblia, designando então os onze discípulos originais e também a Matias — que foi escolhido posteriormente para compor o grupo dos Doze no lugar de Judas Iscariotes (Atos 1).

Esses homens foram escolhidos por Deus para lançarem os fundamentos da Igreja (Efésios 2:20). Ao lado deles, o Senhor também escolheu, chamou e comissionou o apóstolo Paulo que ficou conhecido como o “apóstolo dos gentios”. Então nesse sentido estrito, Paulo foi o último a ser chamado de apóstolo na Bíblia. Inclusive, o próprio Paulo sabia disso (1 Coríntios 15:8). Isso quer dizer não existem mais apóstolos no sentido estrito da palavra.

Aplicação prática da diferença entre discípulo e apóstolo

Então em resumo, o discípulo é um aprendiz, enquanto que o apóstolo é alguém preparado e enviado numa missão como representante de uma autoridade superior. Portanto, numa aplicação prática, antes de ser apóstolo é preciso ser discípulo. Primeiro é preciso aprender e ter o preparo adequado para desempenhar uma missão de forma apropriada.

Embora seja verdade que a Bíblia destaca o grupo daqueles que foram escolhidos pelo Senhor para serem os primeiros líderes de sua Igreja na terra como discípulos e apóstolos de um tipo que não se repete mais; também é verdade que, de forma geral, todos os cristãos somos chamados para as duas posições.

Nós somos chamados a seguir Jesus como seus fiéis discípulos; e consequentemente também somos chamados a servi-lo como seus apóstolos testemunhando diante do mundo a respeito das obras grandiosas d’Aquele que nos chamou das trevas para sua maravilhosa luz (1 Pedro 2:9).

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