Quem Eram os Filisteus?

Os filisteus eram um povo gentio que ocupava a costa sul da Palestina nos tempos bíblicos. Os filisteus são citados na Bíblia em muitas ocasiões sempre em oposição aos israelitas. O território ocupado pelos filisteus era chamado de Filístia ou simplesmente “terra ou região dos filisteus”.

O termo “filisteu” traduz o hebraico pelishti que na maioria das vezes aparece em sua forma plural, pelishtim. Provavelmente esse termo seja um tipo de adjetivo étnico derivado da designação territorial desse povo.

Mas não é possível determinar com exatidão o seu significado, visto que sua origem etimológica é desconhecida. É possível que a forma egípcia prst seja a primeira designação conhecida dos filisteus. Se for esse o caso, então esse termo indica que os filisteus foram um dos povos do mar que tentaram invadir o Egito durante o reinado de Ramessés III em aproximadamente 1200 a.C.

A origem dos filisteus

Os filisteus saíram de Casluim, da descendência de Mizraim, filho de Cam (Gênesis 10:14; 1 Crônicas 1:12). Possivelmente eles chegaram à Palestina vindo de Caftor, nome hebraico para Creta (cf. Amós 9:7).

Empreendimentos arqueológicos confirmam que os filisteus estavam entre os povos que tentaram invadir o Egito no final segundo milênio antes de Cristo. Esses povos são chamados nas inscrições egípcias de “povos do mar” e devastaram vários territórios. Resta pouca dúvida de que os filisteus eram os mais notáveis dentre esses povos. Foi durante esse período que os filisteus se estabeleceram ao sul de Canaã.

Referências a líderes filisteus no livro de Gênesis indicam que pequenos grupos desses povos do mar chegaram naquela região num período bem recuado, ainda na era patriarcal (Gênesis 20; 21, 26). Talvez isso tenha acontecido devido a uma possível expansão do comércio do mar Egeu já naquela época.

Com relação ao idioma falado pelos filisteus, pouco se sabe. É muito provável que a língua utilizada pelos filisteus se misturou com o dialeto cananeu. Mais tarde o dialeto praticado naquela região foi substituído pelo aramaico.

Filístia: a terra dos filisteus

O território dos filisteus, também chamado de Filístia, ficava localizado na faixa costeira ao sul do monte Carmelo, na costa sudoeste da Palestina. Apesar de ser um território relativamente pequeno, sua fronteira oriental se estendia até as colinas da Judéia.

Em geral, a região dos filisteus era uma terra muito fértil. Por esse motivo havia ali muitas aldeias e cidades populosas. A Filístia se centralizava especialmente em cinco cidades principais: Gaza, Asquelom, Asdode, Ecrom e Gate. Duas outras cidades mencionadas na Bíblia estavam associadas aos filisteus: Bete-Seã e Gerrar.

A religião dos filisteus

Os filisteus eram um povo pagão. Eles adoravam divindades semitas. Entre os deuses cultuados pelos filisteus estavam: Dagom, com templos em Gaza e Asdote (Juízes 16:21-30; 1 Samuel 5:1-5); Astorete com santuário em Asquelom; e Baal-Zebube, com um templo em Ecrom (2 Reis 1:2-6).

Todos esses deuses eram cultuados no antigo Oriente Próximo. Isso talvez signifique que os filisteus adotaram a religião que já existia em Cannaã. Como os filisteus foram integrados pela cultura cananeia, alguns de seus antigos templos ainda podiam ser vistos durante o período helenístico.

Pela narrativa bíblica, sabe-se que os filisteus ofereciam sacrifícios as suas divindades e recorriam a encantamentos quando se dirigiam à batalha (Juízes 16:23; 2 Samuel 5:21). Eles também tinham fama de adivinhadores (Isaías 2:6).

O governo e o exército filisteu

Politicamente, as cinco cidades principais dos filisteus seguiam um tipo de regime cidade-estado. Cada uma delas era governada por um líder denominado seren. Esses líderes eram os senhores dessas cidades.

De certa forma eles agiam de modo independente, mas numa ocasião de conflito externo eles se uniam. Além disso, os cinco governantes formavam um conselho que prezava pelo bem comum do povo. Caso fosse necessário, a decisão de qualquer senhor poderia ser anulada pelo conselho.

Em seu auge, o exército filisteu era o mais poderoso de Cannaã. Eles conseguiam reunir um contingente impressionante de soldados. Eles dominavam o ofício de produzir armas com metais. Suas tropas eram formadas por infantaria, arqueiros e condutores de bigas (cf. 1 Samuel 13:5; 29:2; 31:3). Além disso, gigantes e saqueadores também eram contados entre seus soldados. O conhecido Golias era um desses gigantes (1 Samuel 17:4-10).

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Os filisteus e o povo de Israel

Os primeiros filisteus que aparecem relacionados à história do povo hebreu datam do período patriarcal. Os patriarcas Abraão e Isaque tiveram contato com certos filisteus, sendo dois reis que se chamavam Abimeleque e um general por nome de Ficol (Gênesis 20; 21; 26). É possível que o primeiro Abimeleque fosse pai ou avô do segundo.

Os filisteus são mencionados novamente na narrativa bíblica no período de peregrinação dos israelitas pelo deserto. Naquela época eles já estavam bem estabelecidos na faixa litorânea entre o Egito e Gaza. Por esse motivo Moisés fez um pequeno desvio de percurso para evitar “o caminho da terra dos filisteus” (Êxodo 13:17; cf. Êxodo 23:31; Deuteronômio 2:23).

Durante o período dos juízes

Quando os israelitas entraram na Terra Prometida, não houve qualquer combate contra os filisteus. No final da vida e liderança de Josué, os filisteus já viviam em suas cinco principais cidades (Josué 13:1-3).

Foi no tempo dos juízes, após a morte de Josué, que os filisteus despontaram como terríveis inimigos dos israelitas. Sangar chegou a expulsá-los, mas isso foi apenas temporário (Juízes 3:31). Com o tempo, os israelitas chagaram até a cultuar os deuses filisteus. Em muitas ocasiões os filisteus serviram de ferramenta nas mãos do Senhor para castigar a infidelidade de seu povo (cf. Juízes 3:2,3).

Os filisteus são citados com destaque nos dias de Sansão, o grande herói entre os juízes de Israel. Durante aquele tempo provavelmente havia certa coexistência entre os israelitas e os filisteus. Sansão chegou a se casar com uma mulher filistéia.

Usado pelo Espírito do Senhor, Sansão também castigou os filisteus. Com uma queixada de jumento, ele foi capaz de matar mil deles. Mas seu grande feito contra os filisteus se deu por ocasião de sua morte. Ele destruiu o templo filisteu em Gaza e matou muitos dos principais líderes filisteus (Juízes 13-16).

Durante a liderança de Eli, os israelitas sofreram uma pesada derrota para os filisteus. Eles capturaram a Arca da Aliança e destruíram o santuário de Siló (1 Samuel 4). Depois de um tempo, o profeta Samuel foi quem liderou o povo de Israel numa vitoriosa batalha contra eles (1 Samuel 7:7-14).

Durante a monarquia em Israel

O embate entre filisteus e israelitas se estendeu no período da monarquia em Israel. Na verdade é possível que muito da reivindicação dos israelitas a favor de um rei se deu pela constante pressão dos filisteus.

Logo que Saul foi ungido a rei por Samuel, ele conquistou uma importante vitória contra os filisteus (1 Samuel 14). Mas aquela vitória não foi suficiente para enfraquecer definitivamente aquele povo hostil. Tempos depois, os filisteus eram capazes de amedrontar os israelitas com seu exército que emprega certos gigantes. Foi nesse contexto que Davi derrotou e matou o icônico gigante Golias (1 Samuel 17; 18).

Davi coexistiu durante algum tempo com os filisteus de Gate. Ele até manteve uma escolta formada por filisteus. Saul e alguns de seus filhos encontraram a morte numa desastrosa batalha contra esse povo (1 Samuel 29).

Depois, já durante seu reinado em Israel, Davi tratou de impor pesadas derrotas aos filisteus. Dessa forma eles foram expulsos da região das montanhas e se tornaram bastante limitados (1 Samuel 5-8).

Os filisteus não foram um problema durante o restante do reinado de Davi e o reinado de Salomão. Somente após a divisão do reino de Israel que eles conseguiram obter alguma recuperação e novamente tentaram atacar Judá. Eles até conseguiram ganhar alguns territórios temporariamente durante o reinado de Acaz. Mas já com Ezequias, os filisteus foram submetidos a uma tremenda derrota (2 Reis 18:8).

A destruição dos filisteus

O profeta Isaías profetizou acerca de como os assírios julgariam os filisteus (Isaías 14:28-32). Depois, o profeta Jeremias também profetizou sobre sua iminente destruição (Jeremias 47). Primeiro eles foram subjugados pela Assíria, e depois acabaram sendo pressionados pelo Egito. O Faraó Neco praticamente os destruiu quando capturou Gaza em aproximadamente 609 a.C.

Após esse episódio, os filisteus aparecem em inscrições históricas como aliados do Egito contra o exército de Nabucodonosor. Porém, depois da batalha que ocorreu em Carquemis em 605 a.C. onde Nabucodonosor derrotou as tropas egípcias, os filisteus foram deportados pelos babilônicos e perderam completamente sua soberania e liberdade.

Os filisteus são mencionados uma última vez na Bíblia pelo profeta Zacarias após o cativeiro babilônico (Zacarias 9:5,6). Já durante o período helenístico, as principais cidades da Filístia são citadas como sendo habitadas por uma população mista.

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