Quem Eram os Samaritanos? O Que Significa “Samaritano”?

O significado de “samaritano” diz respeito aos habitantes da cidade de Samaria. Os samaritanos eram um povo mestiço, formado da mistura de israelitas com outros povos. O povo samaritano é citado na Bíblia desde o Antigo Testamento até o Novo Testamento, no tempo de Jesus.

O termo “samaritano” aparece no Antigo Testamento uma única vez em 2 Reis 17:29 para se referir aos habitantes do Reino do Norte. Mas a história do povo que vivia em Samaria é amplamente descrita em muitas passagens bíblicas do Antigo Testamento.

Além disso, registros extrabíblicos desde o século 8 a.C. já usavam a palavra “samaritano” referindo-se aos residentes do Reino do Norte. Já em escritos posteriores e também no Novo Testamento, o termo “samaritano” é aplicado principalmente para designar uma pessoa natural da região de Samaria e denotar sua posição religiosa.

A origem dos samaritanos

O povo samaritano teve origem na época da monarquia em Israel. O rei Davi e o rei Salomão reinaram num reino unificado, ou seja, num reino que reunia as doze tribos de Israel. Mas após a morte do rei Salomão, a nação de Israel foi dividida em dois reinos. Eram eles: o Reino do Norte de Israel com capital em Samaria; e o Reino do Sul de Judá com capital em Jerusalém.

O Reino do Norte foi marcado por governantes que foram maus perante o Senhor. Práticas contrárias à Palavra de Deus rapidamente se alastraram entre os israelitas. Como julgamento contra o pecado, Deus permitiu que o Reino do Norte sofresse opressão de outros povos. Então gradativamente o Reino do Norte foi sendo conquistado pelos assírios.

Quando Israel tentou se rebelar contra o domínio assírio, o rei Salmanaser V sitiou Samaria. O rei assírio acabou morrendo nesse período e foi sucedido por Sargão II, e Samaria foi conquistada totalmente. Muitos cidadãos foram deportados de Samaria, enquanto que exilados de outras partes do Império Assírio foram levados para morar na antiga capital do Reino do Norte.

Os novos habitantes trouxeram para Samaria suas práticas idólatras. Logo a população israelita que havia permanecido em Samaria começou a se misturar com os estrangeiros, principalmente por meio do casamento. Consequentemente deu-se origem a um povo misto e sincrético, características que marcaram os samaritanos a partir daí.

A religião dos samaritanos

Mesmo antes da invasão da Assíria, o povo de Samaria já tinha problemas com misturas raciais, sociais e religiosas. Mas ainda assim os samaritanos tinham construído seus próprios centros religiosos em competição com o Templo em Jerusalém.

No entanto, obviamente foi após o completo domínio assírio que essas misturas se intensificaram. Muitos dos remanescentes de Samaria não demoraram em abraçar os costumes pagãos.

Naquele tempo começou haver muitos ataques de leões na região de Samaria. Então as autoridades assírias associaram aqueles ataques a uma punição divina. Seja como for, os leões frequentemente eram usados por Deus como instrumentos de juízo (cf. 1 Reis 13:24; 20:36; Amós 3:12).

Por isto, um sacerdote que tinha sido deportado de Samaria retornou àquela região para servir em Betel e ensinar ao povo a temer ao Senhor (2 Reis 17:25-28). Contudo, os imigrantes não se converteram totalmente à adoração a Deus; pelo contrário, eles continuaram com suas práticas religiosas (2 Reis 17:29-33). Então na prática, os samaritanos durante um bom tempo misturou a religião judaica com conceitos pagãos.

Mas nos tempos do Novo Testamento os samaritanos eram extremamente monoteístas. Na observância de alguns pontos da lei de Moisés eles eram até mais rígidos que os judeus. Oficialmente os samaritanos consideravam somente o Pentateuco como Escritura genuína e desprezavam o restante dos escritos do Antigo Testamento.

Para os samaritanos, Moisés era o verdadeiro profeta. Eles advogavam que o Monte Gerizim era o autêntico local de adoração instituído por Deus, e não o Monte Sião em Jerusalém. Inclusive, os samaritanos fizeram uma releitura de algumas passagens do Pentateuco sob esta perspectiva.

Os samaritanos criam num único Deus e também esperavam a vinda de um Messias. Eles chamavam o Messias de Thaheb, que provavelmente significa “restaurador”. A escatologia dos samaritanos defendia um dia vindouro de julgamento e recompensa. Parece que eles também criam na existência dos anjos e na imortalidade da alma; mas é difícil determinar se eles criam na ressurreição.

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O que aconteceu com os samaritanos

Nos séculos seguintes à tomada de Samaria, os samaritanos passaram por muitas coisas. Alguns samaritanos até visitavam o Templo de Jerusalém para adorar a Deus (Jeremias 41:5). Mas no tempo da reconstrução de Jerusalém após o cativeiro babilônico, os samaritanos fizeram oposição à obra.

No período helenístico, muitos samaritanos ainda resistiam na cidade de Samaria. Mas foi também nesse período que vários samaritanos foram deportados para Siquém. Durante o governo do selêucida Antíoco IV Epifânio, o templo samaritano em Gerizim foi dedicado ao deus Zeus Xenios; e mais tarde o templo acabou sendo destruído totalmente por João Hircano.

Mas a destruição do templo em Gerizim não significou o fim dos samaritanos como um grupo religioso. Eles continuaram se reunindo regularmente para adorar. A rivalidade entre judeus e samaritanos persistiu durante os anos seguintes, sendo registrada no Novo Testamento. Samaritanos e judeus eram hostis uns com os outros.

Mas o Senhor Jesus Cristo não compartilhava da hostilidade entre judeus e samaritanos. Ele visitou a região dos samaritanos e seu diálogo com a mulher samaritana na beira de um poço revela sua hospitalidade para com aquele grupo (João 4:9). Inclusive, uma das parábolas de Jesus mais conhecidas coloca um samaritano como exemplo de alguém que soube amar ao próximo conforme Deus ordenou (Lucas 10:30-37). Saiba mais sobre a Parábola do Bom Samaritano.

Após sua ressurreição, o Senhor Jesus comissionou seus seguidores a anunciarem o Evangelho inclusive entre os samaritanos (Atos 1:8). O livro de Atos registra como o Evangelho cresceu entre os samaritanos, especialmente após o martírio de Estêvão. O diácono Filipe foi um importante evangelista entre os samaritanos (Atos 8:5-21).

Assim como os judeus, os samaritanos também sofreram com a opressão romana. Nos séculos seguintes, os samaritanos também enfrentaram duras perseguições, principalmente por se recusarem a se converter ao Islamismo. Contudo, uma pequena comunidade samaritana resistiu e perdura até hoje na Palestina.

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