Quem Foi Azenate na Bíblia?

Azenate ou Asenate, foi a esposa de José, o governador do Egito. De acordo com o texto bíblico, Azenate era filha de Potífera, sacerdote da cidade de Om no Egito. Mas por ser mencionada poucas vezes na Bíblia, não há muitas informações sobre a história de Azenate.

O nome Azenate tem derivação egípcia e seu significado é “pertencente a deusa Neite”. O seu nome obviamente indica a criação de Azenate em meio ao paganismo como filha de um sacerdote egípcio.

No panteão egípcio, Neite, a deusa associada ao nome Azenate, era a deusa da guerra e da caça. Além disso, Neite também era reconhecida como um tipo de divindade criadora e inventora e que também estava associada à proteção dos mortos. Na crença egípcia, Neite era criadora de deuses e homens, e supostamente a inventora do tecido.

Geralmente essa deusa era representada pela figura de uma mulher. Mas como o culto a Neite no Egito remontava ao período pré-dinástico, ela também já foi representada por outras formas como escaravelho, coruja, vaca etc.

A vida de Azenate

Tudo o que se sabe sobre a vida de Azenate é que ela era filha de um sacerdote egípcio. O nome do pai de Azenate, Potífera, faz referência ao deus Rá, pois significa “dádiva de Rá”. Rá era o deus do sol no Egito Antigo, e com o tempo se tornou uma das principais divindades egípcias.

Como filha de sacerdote, Azenate então pertencia à classe social alta no Egito, pois os sacerdotes eram representantes do Faraó. Inclusive, geralmente os filhos dos sacerdotes egípcios também acabavam se tornando sacerdotes. Mas no Egito Antigo, era muito raro que uma mulher exercesse o sacerdócio, mas ainda aparentemente era algo possível. De qualquer forma, nada é dito no texto bíblico que indique que Azenate também exercia o sacerdócio.

Como o pai de Azenate era sacerdote no templo da cidade de Om, talvez Azenate fosse natural dessa cidade. Om era o centro da religião solar, e era a mesma cidade que os gregos chamavam de Heliópolis e que fica a cerca de dez quilômetros da moderna cidade de Cairo. Portanto, o pai de Azenate era um sumo sacerdote dos mais proeminentes no antigo Egito.

O casamento de Azenate e José

O casamento entre Azenate e José ocorreu no contexto em que ele deu a interpretação dos sonhos de Faraó e foi feito governador do Egito para liderar a terra no enfrentamento do período de grande crise que se aproximava.

O texto bíblico diz que Faraó deu a José no Egito o nome Zafenate-Panéia, cujo significado exato é incerto. Em seguida, o texto também diz que Faraó foi quem deu Azenate por mulher a José. Mas não há qualquer detalhe sobre por que ou como Azenate foi escolhida por Faraó para ser dada como esposa a José.

Naquele tempo José tinha cerca de trinta anos de idade (Gênesis 41:46). A menos que os registros tenham omitido outros casamentos de José, ele teve apenas Azenate como esposa.

Os filhos de Azenate e José

A Bíblia também diz que durante os anos de fartura no Egito, Azenate deu à luz aos dois filhos de José. O filho primogênito de José e Azenate foi chamado de Manassés, que significa “aquele que faz esquecer”. O próprio José explicou o significado do nome de seu primeiro filho quando declarou: “Deus me fez esquecer de todos os meus trabalhos e de toda a casa de meu pai” (Gênesis 41:51).

O segundo filho de José e Azenate recebeu o nome Efraim. O significado desse nome transmite o sentido de “ser próspero”. Mais uma vez José também explicou o significado desse nome em sua declaração: “Deus me fez próspero na terra da minha aflição” (Gênesis 41:52).

Os dois filhos de Azenate se tornaram ancestrais de tribos em Israel, pois Jacó acabou dando porção dupla de sua bênção a José (Gênesis 48). Inclusive, apesar de Efraim ter sido o filho mais novo, ele recebeu a bênção principal ao invés de seu irmão.

No momento da bênção, José até tentou fazer com que Jacó desse a benção principal a Manassés, mas Jacó lhe explicou que embora Manassés se tornaria um povo numeroso, a descendência de Efraim seria ainda maior e mais importante.

E de fato a predição de Jacó foi confirmada na sequência da história bíblica, pois a tribo de Efraim se tornou muito proeminente, chegando a ser a mais emblemática entre as tribos do Norte. Inclusive, da descendência do filho mais novo de Azenate nasceram nomes notáveis da história bíblica, como Josué e a profetisa Débora.

O que aconteceu com Azenate?

Por fim, nada mais se sabe sobre a história de Azenate. A Bíblia não traz qualquer informação sobre sua morte, mas é certo que ela viveu toda sua vida no Egito ao lado de José.

No entanto, como ocorre com outros personagens bíblicos acerca de quem não se tem muitas informações, antigas lendas judaicas surgiram em torno de Azenate com o objetivo de preencher as lacunas sobre ela.

Sem dúvida a informação de que um hebreu, filho de Jacó, neto de Isaque, e bisneto de Abraão, pertencente a linhagem da aliança, tenha se casado com uma mulher que era filha de um dos mais importantes sacerdotes da religião egípcia daquele tempo, é algo que chama a atenção.

Uma das lendas mais conhecidas nesse sentido, sugere que Azenate supostamente renunciou a sua religião pagã quando se casou com José, e adotou o culto ao Deus de Israel. De fato, nós sabemos que a influência imediata de José no Egito foi muito grande, e não seria estranho que essa influência tenha impactado de alguma forma a vida religiosa de algumas pessoas, especialmente a de sua esposa. Mas de qualquer forma, não há como afirmar nada com exatidão nesse sentido.

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O apócrifo José e Azenate

A obra apócrifa José e Azenate traz uma história romântica e um tanto quanto fantasiosa a respeito de como José e Azenate se conheceram e ficaram juntos. Essa obra apócrifa é de autoria desconhecida e talvez tenha sido escrita em Alexandria entre o primeiro século antes de Cristo e o primeiro século depois de Cristo.

O conteúdo da obra pode ser dividido em duas partes principais. Na primeira parte, o romance de José e Azenate é descrito com detalhes de uma típica história de amor que mistura elementos de rejeição, arrependimento e paixão.

Nessa sessão é dito que Azenate era uma jovem virgem de dezoito anos quanto conheceu José, e que houve relutância das duas partes em iniciar o romance. No entanto, num contexto de eventos miraculosos, tanto José quanto Azenate aceitam um ao outro e Azenate acaba convertida ao Deus de José.

Já na segunda parte do livro, o casamento de José e Azenate enfrenta um desafio. Supostamente o filho de Faraó desejou ficar com Azenate e para isso ele tentou matar José. Na tentativa de obter sucesso em seu plano, o filho de Faraó tentou recrutar até mesmo os irmãos de José para ajudá-lo. Mas a narrativa termina com Faraó e seu filho morto, e José assumindo o trono do Egito de forma surpreendente.

Mas apesar dos detalhes específicos, essa obra não passa de uma narrativa ficcional produzida no contexto da diáspora judaica no mundo helenizado. É possível que o seu autor quisesse abordar temas importantes desse contexto, como por exemplo, a questão dos casamentos mistos.

De qualquer forma, jamais a lenda reproduzida por essa obra deve ser equiparada a confiabilidade do texto bíblico. Na verdade, a única informação realmente consistente a respeito da vida de Azenate é aquela registrada na Bíblia.

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