Estudo Bíblico do Salmo 4

O Salmo 4 fala sobre a confiança do crente em Deus no momento da angústia. O estudo bíblico do Salmo 4 registra não apenas a aflição do salmista, mas, sobretudo sua confiança inabalável no Senhor.

O título do Salmo 4 esclarece que o seu autor foi o rei Davi. O rei mais conhecido de Israel foi também o maior autor dos salmos bíblicos. O mesmo título também informa que o Salmo 4 foi direcionado ao “mestre de canto”, ou seja, ao ministro do louvor responsável pela adoração em Israel. De acordo com a instrução do título, esse salmo deveria ser acompanhado por instrumentos de cordas – como a harpa e a lira.

O Salmo 4 pode ser organizado em quatro partes principais:

  • A oração do salmista pedindo pelo auxílio divino (Salmo 4:1).
  • A denúncia contra os opositores (Salmo 4:2,3).
  • A conclamação por uma vida reta e piedosa diante de Deus (Salmo 4:4,5).
  • O louvor pelo cuidado e proteção do Senhor (Salmo 4:6-8).

O Salmo 4 tem muitas semelhanças com o Salmo 3. Ambos os salmos foram compostos por Davi em meio à aflição. Inclusive, alguns intérpretes abordam os dois salmos em conjunto, colocando o Salmo 3 como um salmo matutino e o Salmo 4 como um salmo noturno.

Enquanto que o Salmo 3 parece ter sido escrito durante o tempo de revolta de Absalão, não há uma indicação clara da ocasião exata na história de Davi em que o Salmo 4 foi escrito. Muitos intérpretes consideram que a situação era a mesma do Salmo 3, isto é, a revolta de Absalão.

Mas o importante é entender que tanto o Salmo 3 quanto o Salmo 4 trazem uma mensagem muito clara: Deus cuida daqueles que são seus! Aqueles que desfrutam de um relacionamento de aliança com o Senhor não têm motivos para temer.

A oração do salmista pedindo pelo auxílio divino (Salmo 4:1)

O Salmo 4 começa trazendo a oração do Salmista. Ele diz: “Responde-me quando clamo, ó Deus da minha justiça; na angústia, me tens aliviado; tem misericórdia de mim e ouve a minha oração” (Salmo 4:1).

É interessante perceber como o salmista se dirige a Deus com intimidade e ousadia. Ele precisava falar com alguém sobre o sofrimento, a angústia e a injustiça que o cercavam. Então ele recorreu ao Senhor; ele clamou ao Deus da sua justiça. Conforme a palavra do Senhor através do profeta Jeremias, Deus é a justiça de seu povo (Jeremias 23:6). Ele é o Deus justo que justifica os seus filhos.

No Salmo 4 Davi também deixa claro que sua oração não era vã; as palavras do seu clamor tinham um alvo. Davi estava orando ao Deus vivo que responde efetivamente a oração dos seus filhos. Por isso ele testifica que na angústia Deus lhe proveu alívio. Portanto, era razoável que mais uma vez ele pedisse pela misericórdia do Senhor. Isso também indica que o salmista reconhecia que o auxílio do Senhor não ocorre na base do merecimento, mas da misericórdia.

A palavra “angústia” traduz um termo hebraico que se refere a uma situação em que uma pessoa está encurralada. A ideia é a de um lugar apertado e sem saída. Isso contrasta com a palavra “alívio” que traduz um termo hebraico que transmite o sentido de “lugar espaçoso”.

A denúncia contra os opositores (Salmo 4:2,3)

No verso 2 do Salmo 4 o salmista demonstra seu descontentamento com aquelas pessoas que trocam a verdade de Deus pela mentira. Por isso ele escreve: “Ó homens, até quando tornareis a minha glória em vexame, e amareis a vaidade, e buscareis a mentira?” (Salmo 4:2). Essas pessoas se afastam de Deus e se apegam à vaidade, isto é, elas abraçam “coisas vazias”. O ímpio que elege para si falsos deuses pensa estar seguro, quando na verdade sua segurança não passa de ilusão.

Se este salmo foi escrito no período da revolta de Absalão, então pode ser que Davi tivesse em mente os homens que seguiram seu filho rebelde e traíram o rei instituído pelo Senhor em Israel.

Mas em seguida o salmista também traz uma admoestação que aponta para a necessidade e importância de uma vida piedosa diante de Deus. Nesse sentido ele diz: “Sabei, porém, que o Senhor distingue para si o piedoso; o Senhor me ouve quando eu clamo por Ele” (Salmo 4:3).

Os homens podem falhar em seu julgamento, mas Deus sabe distinguir muito bem o piedoso do ímpio. Aquele que recebe o amor de Deus não está na mesma condição daquele que rejeita o Seu amor.

A conclamação por uma vida reta e piedosa diante de Deus (Salmo 4:4,5)

Na sequência o salmista traz uma conhecida exortação: Irai-vos e não pequeis; consultai no travesseiro o coração e sossegai” (Salmo 4:4). Pode ser que nesse verso Davi tenha mudado a direção de suas palavras. Se no verso anterior ele estava se dirigindo aos seus opositores, aparentemente agora ele se dirige aos seus apoiadores. Isso explica por que ele parece estar aconselhando pessoas afoitas.

O que o salmista enfatiza é que o crente deve demonstrar uma ira santa contra o pecado; uma indignação contra àqueles que afrontam a vontade do Senhor. Mas o crente deve cuidar para que essa ira não se torne pecaminosa. Davi faz um apelo à sensatez e ao autocontrole. Antes de agir inflamado pela ira, o correto é pensar, sossegar e agir adequadamente. No Novo Testamento o apóstolo Paulo replica esse conselho (cf. Efésios 4:26).

Na conclusão dessa seção Davi traz um convite à confiança e à adoração a Deus com uma atitude reta. Ele diz: “Oferecei sacrifícios de justiça e confiai no Senhor” (Salmo 4:5).

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O louvor pelo cuidado proteção do Senhor (Salmo 4:6-8)

Na parte final do Salmo 4 Davi expressa o seu louvor ao Senhor. Primeiro Davi demonstra que o argumento dos céticos não se sustenta à luz da presença do Senhor. Ele observa: “Há muitos que dizem: Quem nos dará a conhecer o bem? Senhor, levanta sobre nós a luz do teu rosto” (Salmo 4:6).

Na primeira parte desse verso Davi faz referência justamente ao tipo de discurso dos pessimistas que repetidamente dizem que nada é bom e questionam se alguém poderá lhes tirar da situação desfavorável em que se encontram. Já na segunda parte Davi demonstra não estar preocupado com esse tipo de queixa; porque para ele o que realmente importa é a graciosa bênção do Senhor que cobre o Seu povo fiel.

Depois o salmista testemunha que a verdadeira alegria que vem do Senhor é superior a qualquer tipo de alegria por coisas terrenas: “Mais alegria me puseste no coração do que a alegria deles, quando lhes há fartura de cereal e de vinho” (Salmo 4:7).

Então finalmente Davi conclui o seu salmo expressando mais uma vez sua profunda confiança no Senhor: “Em paz me deito e logo pego no sono, porque, Senhor, só tu me fazes repousar seguro” (Salmo 4:8). Ele sabia que podia descansar tranquilo tendo a certeza de que sua vida estava segura em Deus.

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