Estudo Bíblico do Salmo 5

O Salmo 5 é uma oração a Deus pedindo por sua proteção. O estudo bíblico do Salmo 5 mostra como o salmista colocou seus inimigos diante de Deus e suplicou pela intervenção divina.

O autor do Salmo 5 foi o rei Davi. Mas não é possível saber o contexto histórico em que esse salmo foi escrito. O que se sabe é que esse salmo surgiu como um lamento num momento de aflição, onde o salmista estava sendo atacado pelas palavras ardilosas de seus inimigos.

Por causa da forma como o salmista menciona a dissimulação de seus adversários que faziam planos para derrubá-lo, alguns intérpretes acreditam que Davi pode ter escrito esse salmo antes de fugir de Jerusalém no começo da revolta de Absalão.

O título do salmo também indica que ele foi recebido pelo mestre de canto e devia ser executado na adoração em Israel acompanhado de flautas.

Como sugestão, podemos organizar um esboço do Salmo 5 em três partes principais.

  • O clamor por intervenção divina (Salmo 5:1-3).
  • A grandeza da justiça e da misericórdia de Deus (Salmo 5:4-7).
  • A diferença entre os perversos e os servos de Deus (Salmo 5:8-12).

O clamor por intervenção divina (Salmo 5:1-3)

O Salmo 5 começa com as primeiras palavras do clamor matutino do salmista pela intervenção divina. Ele pede para que o Senhor ouça as suas palavras e atenda o seu gemido. Com isso o salmista pede para que Deus o ajude com aquelas questões que tem tomado os seus pensamentos mais íntimos (Salmo 5:1).

O modo como Davi se dirige a Deus nesse salmo deixa claro que ele recorre ao relacionamento da aliança. Por isso ele diz: “Escuta, Rei meu e Deus meu” (Salmo 5:2). Ele sabia que não estava pedindo socorro a qualquer um. Embora fosse o rei de Israel, Davi reconhecia que diante de Deus ele era apenas um súdito. Embora fosse rei, ele estava totalmente submisso a autoridade do Rei Supremo com quem ele estava num relacionamento de aliança.

O salmista tinha plena convicção de que o Rei do universo é o Deus que ouve as orações do seu povo. Isso explica sua declaração: “De manhã te apresento a minha oração e fico esperando” (Salmo 5:3). A palavra “apresento” traduz um termo hebraico que indica uma “disposição ordenada” transmitindo o sentido de “colocar algo em ordem”. Por isso que esse mesmo termo é empregado na Bíblia para falar da organização dos pedaços do holocausto sobre o altar (cf. Levítico 1:8).

Portanto, com essa expressão Davi enfatiza a organização e a disciplina que caracterizava a prática da oração em sua vida. Ele tinha consciência de que embora o crente seja convidado a entrar na presença de Deus com confiança (Hebreus 4:16), isso deve ser feito com temor e seriedade. Então ele era cuidadoso, organizado e dedicado. O crente tem um grande privilégio em poder falar com Deus, e isso jamais deve ser feito de forma desleixada.

No Salmo 5 o salmista ainda diz: “apresento a minha oração e fico esperando” (Salmo 5:3). Isso enfatiza a confiança do salmista no Deus que ouve e responde a oração de seus filhos. A palavra “esperando” traduz um termo que dá a ideia de “vigiar” ou “aguardar observando atentamente”.

A grandeza da justiça e da misericórdia de Deus (Salmo 5:4-7)

Na sequência do Salmo 5 Davi fala da grandeza da justiça de Deus. Nesse sentido ele apela para a integridade de Deus como o justo Juiz que não tem prazer no mal. A santidade infinita de Deus não tolera a iniquidade, de modo que os perversos não podem ter acesso à presença de Deus. O salmista ainda diz claramente que Deus aborrece “a todos os que praticam a iniquidade”; e que Ele “destrói os que proferem mentira” e “abomina ao sanguinário e ao fraudulento” (Salmo 5:6,7).

Sem dúvida termos como: “aborrece”, “destrói” e “abomina” são palavras fortes. Mas o salmista não está preocupado com isso. Na verdade a Bíblia não ameniza em parte alguma a severidade da resposta de Deus contra o mal. Por exemplo: a palavra “aborrece” traduz um termo que significa “odiar”, “detestar” e implica numa atitude de grande indignação contra algo abominável.

No tempo do “politicamente correto”, muitas vezes falta a muitos crentes essa consciência demonstrada pelo salmista. Muitos estão mais preocupados em manter um belo discurso aos ouvidos humanos, do que se manter fiel à Palavra de Deus. Então essas pessoas acabam criando para si a versão de um deus passivo que mais se parece com um guru do amor.

Mas definitivamente esse não é o Deus verdadeiro revelado de forma especial na Escritura! Conforme o salmista declara, o Deus verdadeiro, Criador e Sustentador do universo, o Senhor da história, não apenas reprova o mal, mas também “odeia a todos os que praticam a iniquidade”. Essa é uma verdade bíblica que não depende de o homem gostar ou não.

Em seguida o salmista enfatiza também a grandeza da misericórdia de Deus que lhe permite graciosamente entrar em sua presença (Salmo 5:7). Davi não somente olha para os erros dos outros; mas reconhece também suas próprias limitações. Ele não apenas denuncia os perversos, mas compreende que o fato de ele mesmo poder entrar na casa de Deus e se prostrar “diante do teu santo templo” não se deve aos seus próprios méritos, mas à misericórdia do próprio Deus.

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A diferença entre os perversos e os servos de Deus (Salmo 5:8-12)

Davi mostra sua preocupação em viver conforme a vontade de Deus. Ele diz: “Senhor, guia-me na tua justiça” (Salmo 5:8). Davi estava cercado por adversários; pessoas que não estavam preocupadas em agradar ao Senhor, mas apenas em satisfazer seus planos e desejos pecaminosos. No entanto, o salmista, como servo de Deus, pede pela orientação divina para que tudo em sua vida possa agradar e glorificar ao Senhor.

Na sequência o salmista enfatiza o estado terrível dos homens perversos: “Nos lábios deles não há palavra confiável; suas mentes só tramam destruição. Suas gargantas são um túmulo aberto; com suas línguas enganam sutilmente” (Salmo 5:9). Perceba que Davi indica o caráter mentiroso, hediondo e maligno dessas pessoas. De seus lábios só saem mentiras; suas mentes se dedicam ao mal de forma intencional e premeditada; e suas gargantas são como túmulos abertos que aguardam por seus ocupantes.

Esse quadro apresentado pelo salmista fundamenta o seu pedido para que Deus responda à maldade dessas pessoas: “Condena-os, ó Deus! Caiam eles por suas próprias maquinações. Expulsa-os por causa dos seus muitos crimes, pois se rebelaram contra ti” (Salmo 5:10).

Note que Davi não se apóia em sua justiça própria ou em seu desejo pessoal por vingança, mas ele se apóia na justiça de Deus. Ele não pede para que Deus declare culpados os perversos por causa da forma com que eles o perseguiam; mas, antes de tudo, porque eles se rebelaram com Deus. Nesse contexto, qualquer um que se levantasse contra o reinado de Davi estava se levantando contra o próprio Deus, pois Davi era o rei ungido pelo Senhor para liderar Israel.

Por fim, Davi termina o Salmo 5 falando sobre o prazer daqueles que confiam em Deus e são contados como justos pela graça divina. Essas pessoas podem se alegrar porque contam com a proteção e com a bênção do Senhor. Como um escudo, a benevolência do Senhor cerca os crentes (Salmo 5:12).

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