Estudo Bíblico do Salmo 8

O Salmo 8 é um cântico de louvor a Deus que exalta o Seu ser e Sua obra na criação. O estudo bíblico do Salmo 8 ainda revela que esse salmo é profundamente teológico. Ele trata tanto da revelação geral de Deus quanto de Sua revelação especial manifestada aos homens. Além disso, ele considera lado a lado a transcendência e a imanência de Deus.

Outro fato notável sobre o Salmo 8 é sua citação no Novo Testamento, onde ele é aplicado, inclusive, por Cristo e a Cristo. Por isso que, em certo sentido, esse salmo também é considerado um salmo messiânico.

O Salmo 8, como seu título revela, é um salmo de Davi. Mas não é possível dizer em que ocasião de sua vida Davi escreveu esse salmo. O mesmo título ainda indica que o Salmo 8 foi direcionado ao mestre de canto, o que implica que esse era um salmo usado na adoração pública de Israel.

Um esboço do Salmo 8 pode ser organizado da seguinte forma:

  • O louvor introdutório sobre a glória de Deus (Salmo 8:1,2).
  • Que é o homem? (Salmo 8:3-8).
  • O louvor final sobre a glória de Deus (Salmo 8:9).

O louvor introdutório sobre a glória de Deus (Salmo 8:1,2)

O Salmo 8 começa com uma declaração de louvor a Deus. O salmista inicia o salmo se dirigindo a Deus por seu nome da aliança, Yahweh. Imediatamente após citar o nome pessoal de Deus, o salmista ainda acrescenta outro título que denota a soberania de Deus como governador de todas as coisas. Ele diz: “Ó SENHOR, senhor nosso” (Salmo 8:1). É interessante notar a forma como o salmista se refere a Deus de forma pessoal e íntima. O Deus da aliança é, sem dúvida, o seu Senhor.

Na sequência, o salmista exalta a grandeza de Deus: “Quão magnífico em toda terra é o teu nome! Pois expuseste nos céus a tua majestade” (Salmo 8:1). Nesse verso o salmista fala da revelação geral de Deus na natureza. O salmista diz que o nome de Deus ­– que nesse contexto significa o caráter de Deus que revela sua pessoa com todos os seus atributos – é magnificado em toda a terra; bem como a majestade divina está exposta nos céus.

Mas aqui mais uma vez é importante enfatizar a forma como o salmista coloca todo esse conceito num único verso. O Deus transcendente cuja glória preenche os céus e a terra, é o Deus que se relaciona de forma pessoal com Seu povo, de modo que podemos certamente dizer que Ele é o “nosso Senhor”.

O louvor à glória de Deus não está apenas nas alturas com a exposição de sua majestade nos céus, mas também está na boca dos pequeninos. Sim, Deus colocou o seu louvor na boca dos recém-nascidos e pequeninos (Salmo 8:2). O Senhor Jesus citou essa verdade após ter purificado o templo em Jerusalém (Mateus 21:16).

O contraste que o salmista faz nesse verso também é notável. Ele coloca de um lado os débeis (pequeninos e recém-nascidos) e de outro os considerados fortes (adversários, inimigo e vingador). Parece que seu objetivo é contrastar aquele que é totalmente depende de Deus e aquele que pensa ser autossuficiente. No entanto, o louvor na boca dos pequeninos pode silenciar os poderosos e derrotar os inimigos de Deus. O combate entre Davi e Golias é um exemplo prático disso (1 Samuel 17:33-43).

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Que é o homem? (Salmo 8:3-8)

Na sequência do Salmo 8 Davi coloca ênfase na obra da criação de Deus. No entanto, em nenhum momento ele perde de vista a grandeza do Criador. Nesse sentido ele lança mão do antropomorfismo para falar da vastidão do universo como obra dos dedos de Deus (Salmo 8:3). É fácil perceber como o salmista coloca a grandiosidade do universo como algo insignificante diante da onipotência de Deus.

Em seguida, o salmista começa a falar do homem. Primeiro ele posiciona o homem em seu devido lugar: “Que é o homem, que dele te lembres? E o filho do homem, que o visites?” (Salmo 8:4). Obviamente o salmista está se referindo à fragilidade e a transitoriedade dos seres humanos diante da majestade de Deus.

Porém, o salmista também testifica a respeito da posição destacada e dominante que graciosamente Deus concedeu ao homem no reino da criação (Salmo 8:5-8). Por isso ele escreve: “Fizeste-o, no entanto, por um pouco, menor do que Deus e de glória e de honra o coroaste” (Salmo 8:5). Depois o salmista ainda destaca como Deus deu ao homem o governo das coisas criadas (Salmo 8:6-8).

Sem dúvida o verso 5 é aquele que concentra os maiores debates interpretativos do Salmo 8. Isso porque o substantivo “Deus” traduz o hebraico Elohim. Sem dúvida “Deus” é o significado mais comum dessa palavra nos textos bíblicos. Porém, num sentido mais genérico, ela também pode significar “seres divinos” como os anjos.

Então aqui a pergunta é: O salmista diz que o homem foi feito “por um pouco menor do que Deus”, ou que o homem foi feito “por um pouco menor que os seres celestiais”? As traduções bíblicas se dividem entre as duas opções.

Se a primeira opção estiver correta, então obviamente o salmista tem mente a teologia de Gênesis 1 e seu objetivo é testificar da doutrina bíblica de que o homem foi feito à imagem e semelhança de Deus para ser seu co-regente sob o restante da criação (Gênesis 1:26). Inclusive essa tradução se harmoniza bem aos versículos seguintes (Salmo 8:6-8).

Mas também há apoio para a segunda opção. A Septuaginta – versão grega do Novo Testamento – traduz a palavra Elohim nesse esse verso como que significando “anjos”. No Novo Testamento a Epístola aos Hebreus segue essa mesma tradução ao aplicar essas palavras a Cristo (Hebreus 2:7-9). Além disso, o escritor de Hebreus entende a expressão “por um pouco” como que significando “por pouco tempo”.

Seja como for, o que é certo que é que nesses versos Davi fala do homem como a coroa da criação de Deus. Mas é ainda mais importante entender a forma como o Novo Testamento aplica esses versos a Cristo como o homem perfeito que restaurou o domínio sobre toda a criação, fazendo certo o que Adão fez errado (1 Coríntios 15:27; Efésios 1:22; Hebreus 2:6-8). Todas as coisas estão inteiramente sujeitas ao Cristo coroado de glória e honra; e por intermédio d’Ele os redimidos também são convidados a participar do seu governo (Romanos 5:17-21; Apocalipse 1:6; 20:1-6).

O louvor final sobre a glória de Deus (Salmo 8:9)

O Salmo 8 termina da forma como começou. No verso final o salmista repete as palavras do verso inicial: “Ó SENHOR, Senhor nosso, quão magnífico em toda a terra é o teu nome” (Salmo 8:9).

Embora esse último verso repita o primeiro, é possível que ao se deparar com ele, após passar pelos versos anteriores, o leitor consiga perceber de forma ainda mais apurada – em relação à sua leitura do primeiro verso – o profundo significado de suas palavras.

O homem é a coroa da criação de Deus, mas por mais nobre e digno que possa ser o seu lugar como co-regente de Deus neste mundo, sua posição mais importante é como servo e adorador que se curva diante da majestade do seu Senhor. A verdadeira grandeza do homem está em conhecer a Deus e poder se relacionar com Ele, e isto o Salmo 8 deixa muito bem claro.

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