O Que Significa Ciúmes na Bíblia?

Ciúme é um sentimento que pode se apresentar tanto de forma positiva quanto negativa. Por isso o significado de ciúmes na Bíblia deve ser considerado sempre à luz de seu contexto. Isso quer dizer que na Bíblia o ciúme pode ser um sentimento pecaminoso ou pode ser um sentimento legítimo e recomendado.

O significado de ciúmes no Antigo Testamento

No Antigo Testamento a palavra que pode ser traduzida como “ciúme” é o termo hebraico qin’a. Esse termo transmite basicamente a ideia de um ardor emocional forte, profundo e até complexo.

Isso explica porque essa única palavra pode ser usada para indicar:

  • O ciúme entre marido e mulher (Números 25:11; Cantares 8:6). Inclusive, havia até uma lei para os casos de ciúmes entre os israelitas (Números 5:11-31).
  • Um sentimento ruim mais relacionado à ira e à inveja (Ezequiel 35:11).
  • O zelo pelas coisas do Senhor (Números 25:11).
  • O próprio zelo do Senhor pela santidade de Seu nome que também se estende ao Seu povo (Isaías 42:13). Muitas vezes o ciúme de Deus, no que diz respeito ao Seu zelo, aparece nos textos bíblicos conectado à Sua santa ira (Ezequiel 36:6).

O significado de ciúmes no Novo Testamento

Já no Novo Testamento, a palavra básica para se referir ao ciúme é o termo grego zelos. Assim como no Antigo Testamento, essa palavra grega pode ser usada tanto de forma positiva quanto negativa.

No sentido positivo, a palavra “ciúmes” diz respeito ao zelo (2 Coríntios 7:11; 9:2; 11:2). Já no sentido negativo, ela transmite um significado que se aproxima da ideia de inveja. É assim que o apóstolo Paulo utiliza essa palavra quando exorta os crentes a andar dignamente e se afastar do estilo de vida pecaminoso.

Aos cristãos de Roma ele escreve: “Andemos dignamente, como em pleno dia, não em orgias e bebedeiras, não em imoralidades e dissoluções, não em contendas e ciúmes” (Romanos 13:13). O ciúme também era um dos sentimentos que causavam problemas e ameaçavam a unidade na igreja em Corinto. Por isso o mesmo apóstolo questiona: “Porquanto, havendo entre vós ciúmes e contendas, não é assim que sois carnais e andais segundo o homem?” (1 Coríntios 3:3).

No Novo Testamento há ainda o uso do termo grego phthonos que também pode ser traduzido como “ciúme”. Mas em todas as vezes que essa palavra é usada, seja em sua forma verbal, seja como um substantivo, ela sempre aparece naquele sentido negativo que expressa a ideia de inveja.

Assim, em algumas traduções da Bíblia esse termo é traduzido como “ciúme” e em outras como “inveja” (cf. Romanos 1:29; 1 Timóteo 6:4; Tito 3:3; 1 Pedro 2:1). É traduzindo esse termo que o ciúme aparece na lista das obras da carne (Gálatas 5:21).

Em Tiago 4:5 o uso desse termo grego tem desafiado os tradutores bíblicos. Eles discutem se o a palavra deve ser traduzida como “ciúmes” no sentido do zelo do Espírito de Deus; ou se deve ser traduzida como “inveja” em referência ao comportamento pecaminoso do espírito humano.

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Quando os cristãos devem ter ciúmes?

Como vimos, o ciúme pode significar um sentimento ruim e pecaminoso ou um sentimento bom de zelo e preservação. Entre um casal que verdadeiramente se ama, por exemplo, é normal que haja o ciúme no sentido de zelo e cuidado que se preocupa com a preservação da aliança do matrimônio.

Mas esse tipo de ciúme jamais deve se transformar em algo ruim, cruel, perverso e doentio. Aqui devemos no lembrar que “o amor é paciente, é e benigno; o amor não arde em ciúmes, não se ufana, não se ensoberbece, não se conduz inconvenientemente, não procura os seus interesses, não se exaspera, não se ressente do mal; não se alegra com a injustiça, mas regozija-se com a verdade; tudo sofre, tudo crê, tudo espera, tudo suporta” (1 Coríntios 13:4-7).

Como fica claro, no sentido negativo o ciúme é identificado como sendo uma das concupiscências da carne. O remédio contra esse tipo de ciúme é revestir-se do Senhor Jesus Cristo (Romano 13:14). Quando andamos no Espírito, nossa vida não é pautada pelas obras da carne, dentre as quais está o ciúme doentio e pecaminoso; mas reflete as virtudes do fruto do Espírito Santo.

O crente também deve ter genuíno ciúme pelas coisas de Deus. Como ministro do Evangelho, o apóstolo Paulo tinha zelo pela pureza da Igreja. Assim ele escreve aos cristãos coríntios: “Porque zelo por vós com zelo de Deus; visto que vos tenho preparado para vos apresentar como virgem pura a um só esposo, que é Cristo” (2 Coríntios 11:2).

Em tempos em que o verdadeiro Evangelho tem sido adulterado com o propósito de corromper a Igreja de Cristo, se faz necessário que cristãos genuínos se levantem com ciúme piedoso pela obra de Deus.

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