O Que Significa Sinédrio na Bíblia?

O Sinédrio era a suprema corte dos judeus, o mais alto tribunal que se reunia em Jerusalém. O significado da palavra Sinédrio transmite a ideia de assembleia, concílio e tribunal, e vem do grego synedrion. Essa palavra também podia ser usada para designar tribunais inferiores, ou seja, qualquer tribunal de justiça.

O Sinédrio é mencionado diretamente na Bíblia em várias passagens do Novo Testamento. As principais delas dizem respeito ao julgamento de Jesus perante o Sinédrio e também às ocasiões em que os apóstolos de Jesus e demais membros da Igreja foram conduzidos ao Sinédrio durante a perseguição ao Cristianismo em seus primeiros anos (Mateus 26:59; Marcos 14:55; Lucas 22:30; João 11:47; Atos 4:15; 5:21; 6:12; 22:30; 23:1; 24:20).

Como surgiu o Sinédrio?

É difícil fazer um panorama claro acerca da história do Sinédrio. Algumas antigas tradições judaicas dizem que o Sinédrio teve origem com os setenta anciãos que foram designados como auxiliares de Moisés (Números 11:16-24). Desde muito cedo na história de Israel existiam pequenos concílios distritais que se ocupavam de determinados negócios locais de parte da sociedade israelita; mas nada que pudesse ser comparado a ideia posterior do Sinédrio.

Alguns estudiosos sugerem que depois do exílio Esdras pôde ter organizado uma corte político-religiosa que mais tarde acabou dando origem ao Sinédrio. O que se sabe ao certo é que de fato nesse tempo os judeus receberam autoridade para legislarem em questões locais (cf. Esdras 7:25,26; 10:14).

Além disso, no período interbíblico havia um grupo de anciãos que representava a nação. Esse grupo era designado pelo termo grego gerousia, que pode ser traduzido como “senado”. Por isso alguns intérpretes até indicam que os anciãos e os líderes mencionados nos livros de Esdras e Neemias formavam uma corte que serviu de base para o conceito posterior do Sinédrio.

O Sinédrio no Tempo de Jesus

No período registrado no Novo Testamento, o povo judeu vivia sob o domínio de Roma. Os romanos até concederam aos judeus grandes poderes na resolução de questões locais. Então no tempo de Jesus o Sinédrio possuía muita autoridade, pois basicamente o governo interno da província estava em suas mãos.

Assim, o Sinédrio exercia jurisdição civil e até criminal. O Sinédrio julgava as causas e tomava as decisões com base na lei judaica. Apesar disso, em alguns assuntos o Sinédrio não possuía total autonomia. O Sinédrio tinha autoridade administrativa para mandar aprisionar um indivíduo, e possuía seus próprios oficiais de justiça. Mas o Sinédrio não podia aplicar a pena capital.

O Sinédrio até reunia provas, colhia testemunhos, formula uma acusação formal e decidia a sentença, mas dependia do parecer final do governo romano na província, que naquela época era liderado pelos procuradores. Pôncio Pilatos, por exemplo, foi um desses procuradores.

O Senhor Jesus Cristo foi julgado pelo Sinédrio. Esse episódio, no entanto, serve como exemplo das falhas e dos desvios morais da jurisdição do Sinédrio. O próprio Jesus foi acusado de blasfêmia e condenado à pena capital sob falso testemunho (Mateus 26:59-61).

Tempos depois, o diácono Estêvão também foi vítima de falso testemunho e de um julgamento tendencioso por parte do Sinédrio. Consequentemente ele acabou sendo morto por uma reação popular violenta (Atos 6:12-14). Após 70 d.C. o Sinédrio deixou de existir, sendo substituído por outro tipo de tribunal de julgamento cujas decisões ficavam restritas apenas ao campo teórico.

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Como o Sinédrio era formado?

Ao longo do tempo a composição do Sinédrio foi sendo modificada e adaptada. Os estudiosos dizem que em seu início o Sinédrio era formado majoritariamente por saduceus, ou seja, pela aristocracia sacerdotal. Mas com o tempo novos perfis de membros foram sendo incluídos.

No período do Novo Testamento, o Sinédrio era formado basicamente por três grupos: os principais sacerdotes, os escribas e os anciãos. A expressão “principais sacerdotes” refere-se a um grupo composto pelos mais poderosos da classe sacerdotal.

Isso incluía o sumo sacerdote em atividade; aqueles que tinham ocupado o sumo sacerdócio anteriormente, já que naquela época o sumo sacerdócio passou de um cargo de nomeação vitalícia para política; e outros membros das famílias privilegiadas das quais os sumos sacerdotes eram escolhidos.

Os escribas eram os mestres da lei. Eles estudavam, interpretavam e ensinavam a lei. Esse grupo era formado principalmente por fariseus. Por último havia os anciãos, que eram os membros leigos do Sinédrio. Os anciãos eram os líderes de uma tribo ou de uma divisão tribal em Israel.

Segundo os historiadores, o sumo sacerdote em atividade era o presidente do Sinédrio. Isso também fica claro no julgamento de Jesus, quando Caifás presidiu o Sinédrio.

Apesar de todo material que serve de fonte de informações sobre o Sinédrio, há muitas coisas desconhecidas ainda sobre sua origem e modo de atuação. Sabe-se certamente que o Sinédrio possuía responsabilidades na área política e religiosa. Mas não se sabe exatamente como era a atuação do Sinédrio nesse sentido.

Alguns estudiosos até sugerem uma distinção de dois corpos de julgamento designados pelo mesmo nome, Sinédrio. Por isso vários comentaristas falam em Sinédrio Político e Sinédrio Religioso. Essa distinção, no entanto, não é muito clara, e talvez apenas seja fruto do desconhecimento acerca da prática e da atuação do Sinédrio na época.

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