A Teologia de Elifaz: Só os Pecadores Sofrem?

Algumas pessoas pensam que só os pecadores sofrem. Essas pessoas acreditam que sempre há uma relação direta entre o sofrimento e algum pecado específico. Até mesmo nos tempos bíblicos, muitas pessoas pensavam assim também. Inclusive, um dos amigos de Jó, Elifaz, pensava exatamente a mesma coisa. A teologia de Elifaz expressava esse conceito de que o sofrimento só ocorre como resultado direto de algum pecado.

Então algumas pessoas na atualidade seguem a teologia de Elifaz, e fazem essa relação. Defendem que todo sofrimento é fruto de um pecado específico que a pessoa que sofre cometeu. A questão é que a história de Jó mostra algo completamente diferente.

A Bíblia diz que Jó era um homem justo, integro e temente a Deus. Mesmo assim ele foi acometido por um terrível sofrimento. Ele perdeu seus bens, seus filhos e sua saúde. Isso prova que a ideia de que só os pecadores sofrem está errada.

A teologia de Elifaz e a justiça retributiva

Quando Jó foi acometido pelo sofrimento, seus três amigos foram lhe visitar. Os amigos de Jó se compadeceram dele e ficaram muito tristes ao vê-lo sofrendo tanto. Inclusive, eles ficaram uma semana inteira sem dizer nada, apenas se lamentando pelo que estava acontecendo com Jó.

Depois disso, porém, eles começaram a tentar encontrar alguma explicação para o sofrimento de Jó. Cada um deles levantou uma possibilidade para o que estava havendo. Mas no geral todas as possibilidades apresentadas por eles se resumiam na ideia de que só os pecadores sofrem.

Elifaz, por exemplo, foi enfático ao questionar: “Lembra-te: acaso já pereceu algum inocente? E onde foram os retos destruídos?” (Jó 4:7). Na sequência, Elifaz expôs de forma clara a base de sua teologia: “Segundo eu tenho visto, os que lavram a iniquidade e semeiam o mal, isso mesmo eles segam” (Jó 4:8).

É fácil perceber que a teologia de Elifaz se baseava na experiência e na tradição. E nesse sentido ele aplicou o conceito da lei da semeadura que é simplesmente a lógica da justiça retributiva. Nesse sentido, Elifaz então pensava que se Jó estava sofrendo é porque ele de fato havia pecado, visto que os que colhem sofrimento é porque semearam o mal.

Elifaz reconhecia que Jó era um homem muito sábio, mas acreditava que ele não havia aplicado à sua própria vida o que ele havia ensinado a outros (Jó 4:5). Então, em resumo, ele chegou à conclusão de que Jó estava simplesmente recebendo o que merecia. Em outras palavras, de acordo com a teologia de Elifaz se Jó estava sofrendo é porque ele havia pecado.

O erro da teologia de Elifaz: nem sempre só os pecadores sofrem

Num dia Jó era o homem mais importante do Oriente e o pai feliz de dez filhos. Nesse mesmo dia Jó perdeu todos os seus bens e amargou a morte de todos os seus filhos. Depois, ele ainda ficou gravemente doente. Uma virada de vida tão radical assim parecia validar a teologia de Elifaz que defendia a justiça retributiva.

Mas o erro da teologia de Elifaz foi considerar a justiça retributiva uma regra absoluta que se aplica a toda e qualquer situação. Usando várias metáforas, Elifaz acusou Jó de ser um homem ímpio, já que de acordo com o seu conceito eram apenas os ímpios que sofriam nas mãos de Deus (Jó 15:17-35).

Mas definitivamente a história de Jó revela que a relação entre Deus e os homens é muito mais complexa do que uma ideia simplista de causa e efeito. É verdade que a teologia de Elifaz possuía princípios verdadeiros. Inclusive, a própria ideia de justiça retributiva é correta e se aplica a muitas situações. O que não é correto e reduzir todos os acontecimentos a essa única ideia.

O próprio caso de Jó era um exemplo que estava além do conceito de plantar e colher. Jó estava sofrendo não porque ele havia cometido um pecado específico, mas porque algo que ele jamais teve conhecimento havia acontecido no Céu. Ele era inocente naquela causa, mas mesmo assim estava sofrendo.

Então de fato não é verdade que só os pecadores sofrem. A Bíblia está repleta de histórias que mostram que os justos também sofrem. Isso quer dizer que muitas vezes não existe uma relação direta entre o sofrimento e um pecado específico.

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Por que não são apenas os pecadores que sofrem?

Temos que admitir que a questão do sofrimento do justo é muito misteriosa para nós. A verdade é que nós não sabemos qual o propósito específico do sofrimento na vida de um crente. Isso porque o sofrimento do justo faz parte da providência de Deus e envolve sua vontade secreta.

Então na maioria das vezes o sofrimento na vida do crente possui propósitos misteriosos. Mas em última análise, podemos dizer que sempre o sofrimento possui uma finalidade pedagógica para o crente e contribui para o seu bem. O apóstolo Paulo escreve que todas as coisas cooperam para o bem daqueles que amam a Deus (Romanos 8:28). Esse “todas as coisas” significa exatamente “todas as coisas”, não menos que isso. Então o sofrimento também está incluso nesse princípio bíblico.

Portanto, ao invés de adotarmos a teologia de Elifaz de que só os pecadores sofrem, é melhor reconhecermos que a sabedoria proverbial não é párea para a sabedoria divina. Em outras palavras, a sabedoria do homem não é capaz de sondar a sabedoria de Deus. Todas as coisas estão sob o controle do Senhor, até mesmo o sofrimento do justo, e Ele possui um bom propósito em tudo, ainda que não entendamos.

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