O Que Era o Sumo Sacerdote na Bíblia?

O sumo sacerdote era o posto mais elevado dentro da hierarquia do sacerdócio. Um sumo sacerdote era o líder dos sacerdotes, aquele que ficava à frente da organização do culto religioso.

A graduação de sumo sacerdote não era uma exclusividade do sacerdócio hebreu. A maioria dos povos antigos que seguiam uma religião com sistema sacerdotal, tinha seus sumos sacerdotes. Por exemplo: acredita-se que cerca de mil anos antes do tempo de Moisés, os centros religiosos do Egito já possuíam a figura do sumo sacerdote. No entanto, o conceito do sumo sacerdócio judaico se distingue de todos os demais.

O significado de “sumo sacerdote”

Sumo sacerdote basicamente significa “o grande sacerdote”. A palavra “sumo sacerdote” na Bíblia traduz alguns termos hebraicos e gregos. No Antigo Testamento, o sumo sacerdote é designado como hak-kohen, “o sacerdote”; hak-kohen hag-gadol, “o grande sacerdote”; e hak-kohen ham-mashiah, “o sacerdote ungido”.

Já no Novo Testamento os termos gregos mais utilizados para se referir ao sumo sacerdote são: ho hiereus, “o sacerdote”; e archiereus, “o principal sacerdote”. Curiosamente a designação “sumo sacerdote” é mais frequente no Novo Testamento do que no Antigo Testamento.

O primeiro sumo sacerdote de Israel

A ordenação do primeiro sumo sacerdote israelita está registrada no Pentateuco. Deus instruiu Moisés no Monte Sinai a ordenar Arão e seus filhos como os primeiros sacerdotes do povo de Israel (Êxodo 27:21; 28:1; 29:9-44). Arão foi separado para o sacerdócio sendo ungido com óleo numa cerimonial especial (Êxodo 29;7; Levítico 8:12). Por isto a partir daí o sumo sacerdote é chamado de sacerdote ungido.

Então Arão aparece com proeminência de entre os demais, ocupando uma posição de chefia. Ele tinha funções e responsabilidades que os outros sacerdotes não tinham, e também se vestia de forma diferenciada. Isto se harmoniza com o fato de que desde o começo Arão foi escolhido para servir de porta-voz de Moisés (cf. Êxodo 4-5).

Apesar de na maioria das vezes Arão ser chamado simplesmente de “sacerdote”, o texto bíblico deixa claro sua posição mais elevada. Além disso, em algumas ocorrências ele é designado de forma especial. Às vezes ele é chamado de “sacerdote ungido”, e outras vezes de “sumo sacerdote” ou literalmente “o grande sacerdote” (cf. Levítico 4:3-16; 6:22).

As funções do sumo sacerdote

O sumo sacerdote também participava das tarefas comuns aos outros sacerdotes. Porém, além de chefiar os demais sacerdotes, havia algumas funções que ficavam exclusivamente sob sua responsabilidade. A principal delas certamente era o fato de que somente o sumo sacerdote podia entrar no Santo dos Santos onde ficava a Arca da Aliança.

O sumo sacerdote entrava nesse lugar que era a representação máxima da habitação de Deus com seu povo, durante o cerimonial do Dia da Expiação. Essa cerimônia acontecia uma vez por ano. Nesse dia o sumo sacerdote entrava na presença de Deus para oferecer sacrifícios pelos seus próprios pecados e pelos pecados de todo o povo (Levítico 16:34).

O sumo sacerdote era o responsável por interpretar a vontade Divina sobre determinado juízo através do Urim e Tumim. Também cabia a ele julgar as causas que envolviam casos de homicídio não intencional. Então ficava a cargo do sumo sacerdote aplicar a lei para que o acusado pudesse ter garantido seu direito de asilo nas cidades de refúgio. A pessoa que praticou o homicídio involuntário só poderia voltar às suas terras após a morte do sumo sacerdote que julgou sua causa.

Com o tempo, principalmente após o cativeiro babilônico, o sumo sacerdote também passou a desempenhar funções políticas. Os sumo sacerdotes começaram a desfrutar de maior poder perante a sociedade, ocupando o cargo mais elevado do governo dos judeus. Assim eles foram cada vez mais se distanciando do ideal moral e espiritual que sua posição originalmente demandava.

Esse é o pano de fundo do sumo sacerdócio no tempo do Novo Testamento. No primeiro século os sumos sacerdotes aparecem corrompidos e subordinados à autoridade romana.

Requisitos para ser um sumo sacerdote

Somente uma pessoa aprovada por Deus deveria ser sumo sacerdote. Essa pessoa necessariamente precisava ser descendente da casa de Arão. O sumo sacerdote também não poderia ter defeitos físicos (Levítico 21:17-20).

Algumas particularidades da vida do sumo sacerdote também chamam a atenção. Um sacerdote jamais deveria lamentar a morte de uma pessoa rasgando suas vestes ou descobrindo sua cabeça. O sumo sacerdote só poderia se casar com uma filha de Israel que fosse virgem (Levítico 21:14).

Originalmente uma pessoa só poderia assumir o mandato de sumo sacerdote após a morte daquele que estava cumprindo tal função. Mas no tempo do Novo Testamento o mandato do sumo sacerdote deixou de ser vitalício.

Isso aconteceu porque o sumo sacerdócio passou a significar uma posição política estratégica para os interesses do Império Romano. Então os imperadores e governadores começaram a destituir e ordenar o sumo sacerdote conforme achavam apropriado.

Por isto algumas passagens do Novo Testamento informa que mais de um sumo sacerdote estava vivo; embora apenas um ocupasse o mandato de forma oficial. Anás e Caifás são exemplos desse cenário.

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As vestes do sumo sacerdote

O sumo sacerdote possuía vestes especiais que simbolizavam e expressavam o importante significado de sua função (Êxodo 28:2; 29:21; Levítico 8:30). Essas vestes eram compostas por diferentes partes. São elas:

  • O calção: era feito de linho e preso por um cinto de pano, e servia como roupa íntima (Êxodo 28:42).
  • A túnica: era uma túnica longa com mangas e feita linho (Êxodo 28:39).
  • O cinturão: uma tira feita de linho bordado que era dava várias voltas em torno da cintura do sumo sacerdote. Esse cinturão era amarrado na parte frontal, e suas pontas caíam até a barra da túnica (Êxodo 28:8,28).
  • A mitra: um turbante no qual ficava amarrada com uma fita azul uma lâmina de ouro com a frase “Santidade ao Senhor” gravada nela (Êxodo 28:36-38).
  • O peitoral: era um pedaço de tecido muito elaborado que ficava ajustado ao éfode. O peitoral ficava amarrado por duas correntes de ouro que desciam das ombreiras do éfode. Suas bordas inferiores também ficavam presas à frente do éfode através um cordão azul. Doze pedras de diferentes espécies eram incrustadas ao peitoral representando as doze tribos de Israel. O Turim e o Tumim também ficavam sobre o peitoral (Êxodo 28:15-21,29).
  • O manto do éfode: uma túnica mais curta que ficava sobreposta à túnica longa. Esse manto era feito de um tecido de cor azul. Em sua barra ficavam certas campainhas de ouro, cujo som servia para indicar o momento da entrada e da saída do sumo sacerdote no santuário (Êxodo 28:31-35).
  • Os aventais: dois aventais que cobriam a frente do corpo e as costas. Os dois aventais eram amarrados nas laterais com uma tira que vinha das ombreiras, e em torno da cintura pelo cinto de obra esmerada. As ombreiras tinham uma pedra de ônix incrustada, com o nome das tribos de Israel (Êxodo 28:6-12).

Cristo é o verdadeiro Sumo Sacerdote

O sacerdócio hebreu chegou ao fim com a destruição de Jerusalém em 70 d.C. Antes disso, no período do ministério terreno de Jesus e nos primeiros anos da Igreja Primitiva, o sumo sacerdote ainda desempenhava suas funções na religião judaica.

Mas aqui vale lembrar que quem instituiu o sacerdócio hebreu foi o próprio Deus, e antes mesmo da queda de Jerusalém o Senhor já havia colocado um ponto final no sacerdócio terreno. Na pessoa de Jesus Cristo todas as funções sacerdotais são cumpridas com perfeição.

Por esse motivo Jesus é apresentado no Novo Testamento como sendo o verdadeiro Sumo Sacerdote. O sacerdócio levítico, incluindo a figura do sumo sacerdote no Antigo Testamento, era temporário, e serviu para apontar para o sacerdócio de Cristo.

O Filho de Deus é o Sumo Sacerdote perfeito e eterno. Ele fez o que nenhum outro sumo sacerdote pôde fazer. Ele ofereceu-se a si mesmo como sacrifício para a expiação do pecado de seu povo de uma vez por todas.

O escritor de Hebreus escreve que hoje Ele não está ministrando num Tabernáculo terreno, mas no Santuário celestial, na presença do Pai como nosso único mediador. Pelos méritos do genuíno Sumo Sacerdote hoje temos livre acesso ao trono da graça (Hebreus 7-9).

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