Quem Foi Dã? Qual a História da Tribo de Dã na Bíblia?

Dã foi um dos doze filhos de Jacó e o fundador da tribo de Dã. A Bíblia dá poucas informações sobre quem foi Dã, mas registra alguns fatos importantes a respeito da história da tribo de Dã.

Dã era filho de Bila, serva de Raquel. Raquel foi estéril durante muitos anos, e naquele tempo havia o costume de uma esposa que não pudesse engravidar conceder sua serva pessoal a seu marido para que ela pudesse ser a mãe legal do filho da serva. A Bíblia relata que Dã foi pai de um filho chamado Husim ou Suão (Gênesis 46:23; Números 26:42).

A benção de Jacó sobre a tribo de Dã

No livro de Gênesis está o registro das bênçãos proféticas de Jacó sobre seus filhos (Gênesis 49). Essas bênçãos falavam do futuro da descendência de cada filho de Jacó na composição da nação. Em outras palavras, profeticamente as bênçãos de Jacó sobre seus filhos prenunciavam a história das tribos de Israel.

Especificamente sobre Dã, a benção patriarcal de Jacó foi a seguinte: “Dã julgará o seu povo, como uma das tribos de Israel. Dã será serpente junto ao caminho, uma víbora junto à vereda, que morde os talões do cavalo e faz cair o seu cavaleiro por detrás” (Gênesis 49:16,17).

Os estudiosos têm interpretado essas palavras sobre a tribo de Dã de diferentes formas. Aquela que parece ser a melhor interpretação à luz do texto bíblico, diz que as palavras de Jacó descreveram, de fato, as características apresentadas posteriormente pela tribo de Dã.

Em primeiro lugar, a tribo de Dã, por algum tempo, executou a justiça entre os filhos de Jacó. Inclusive Sansão, um dos juízes de Israel, pertencia à tribo de Dã (Juízes 13).

Em segundo lugar, a tribo de Dã é comparada a uma serpente traiçoeira que morde os calcanhares do cavalo para derrubar o seu cavaleiro. Isso pode muito bem ser uma referência à agressividade da tribo de Dã.

Embora a tribo de Dã fosse pequena em comparação a outras tribos, ela era muito astuta e perigosa, a ponto de atacar mortalmente nações muito maiores (cf. Juízes 18). Isto está em harmonia com as palavras de Moisés ao se referir a Dã como um “leãozinho” que haveria de saltar de Basã (Deuteronômio 33:22).

A história da tribo de Dã

Primeiramente a tribo de Dã se estabeleceu entre os territórios de Efraim, Benjamim e Judá, em frente ao Mar Mediterrâneo (Josué 19:40). Mas parece que a tribo de Dã foi pressionada pelos amorreus que dificultaram a posse da terra. Com isso, a tribo de Dã começou a procurar um território maior para se estabelecer.

E foi assim que os danitas – como são frequentemente chamados os membros da tribo de Dã – se estabeleceram no extremo norte da Palestina, na região da antiga cidade de Laís. Os danitas conseguiram tomar a cidade, matar seus habitantes e reconstruí-la a seu modo (Juízes 18). Essa se tornou a cidade que é identificada nos textos bíblicos como “Cidade de Dã”. Mesmo assim alguns remanescentes da tribo de Dã permaneceram em seu território original.

Como a cidade de Dã estava no extremo norte, algumas vezes a Bíblia usa a expressão “de Dã até Berseba” para indicar os limites norte e sul, respectivamente, da terra ocupada pelos israelitas.

Em Dã também foi estabelecido um santuário com um sacerdócio que havia aceitado se corromper com a idolatria. Naquele tempo o centro de adoração estava em Siló ­– onde ficava o tabernáculo. Mas os danitas resolveram ter o seu próprio centro de adoração, numa atitude clara de desobediência ao Senhor (Juízes 18). Mais tarde, já no tempo da monarquia, o rei Jeroboão I estabeleceu naquele mesmo lugar o culto ao bezerro de ouro, reafirmando a posição idólatra e desobediente de Dã (1 Reis 12:28-30).

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O anticristo virá de Dã?

Há uma interpretação tradicional entre os cristãos de que o anticristo supostamente virá da tribo de Dã. Parece que o primeiro a propor esse tipo de ideia foi Irineu.

Essa interpretação se baseia em alguns detalhes bíblicos, como por exemplo: 1) a agressividade de Dã profetizada nas palavras de Jacó (Gênesis 49:17); 2) a profecia de Jeremias sobre o julgamento de Judá que diz que “desde Dã ouviremos os ruídos de seus cavalos velozes” (Jeremias 8:16); e 3) o fato de a tribo de Dã ser preterida na lista das tribos citadas no livro do Apocalipse (Apocalipse 7).

Mas a questão é que essa interpretação é muito mais alegórica do que fruto de uma exegese correta dos textos bíblicos. As palavras proféticas de Jacó se revelaram na própria história passada da tribo de Dã. A profecia do profeta Jeremias se referiu aos pecados e julgamentos de Judá, prenunciando a destruição que viria de todos os lados nos tempos de cativeiro na Babilônia.

Por fim, provavelmente a lista modificada das tribos de Israel no livro do Apocalipse seja justamente uma censura contra a idolatria, pois o livro condena enfaticamente o comportamento idólatra (Apocalipse 21:8; 22:15). As tribos de Dã e de Efraim – a tribo dominante do Reino do Norte – foram marcadas pela idolatria. É por isso que possivelmente ambas as tribos, Dã e Efraim, não aparecem não relação das tribos no Apocalipse.

Ainda vale lembrar que os danitas violaram a aliança ao preferirem outra terra à terra que o Senhor lhes deu por herança. Tudo o que os danitas fizeram ao se retirar da terra de sua herança não contou com a aprovação divina. Além disso, vale lembrar que as tribos do norte foram tão dispersadas nos tempos de exílio que não há como traçar uma linhagem confiável de uma tribo específica.

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