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A Queda do Homem

A queda do homem é um dos momentos mais tristes da história da humanidade. Foi na queda do homem que o pecado entrou no mundo, fruto da desobediência à Deus e, consequentemente, o homem seria separado de Deus e conheceria a morte.

A queda do homem é um evento histórico:

A queda do homem é um evento histórico e não existe espaço na Bíblia para outro tipo de interpretação. Algumas pessoas insistem em tentar interpretar a história da queda do homem como uma alegoria ou um mito. A Bíblia é clara ao afirmar a historicidade deste evento, qualquer interpretação que desconsidera esta realidade contradiz a Bíblia.

Para os que defendem uma conciliação entre o evolucionismo e o criacionismo, a queda do homem foi o momento do “despertar da autoconsciência” e da personalidade do homem. Essa é outra interpretação totalmente contrária ao relato bíblico dos primeiros capítulos de Gênesis. Deus criou o homem à Sua imagem e semelhança, dotado de intelecto, capacidade de governo, decisão e responsabilidade moral.

O capítulo 3 de Gênesis é fundamental para entendermos o restante das Escrituras. Se tirarmos a historicidade da queda do homem como é descrito em Gênesis então será impossível interpretar a Bíblia.

A queda do homem no Novo Testamento:

O Novo Testamento reafirma a posição histórica deste evento e detalha a relação entre a queda de Adão com os acontecimentos atuais. Paulo faz uma explanação tão especifica entre Adão e Cristo que, se alguém interpretar Adão como um mito então fatalmente Cristo também deverá ser interpretado como mito (Rm 5:12; 1Co 15; 1Tm 2:14).

É no Novo Testamento que vemos que o primeiro Adão introduziu o pecado no mundo, mas Cristo, o segundo Adão, veio para reverter as obras do primeiro Adão aniquilando o pecado.

Como aconteceu a queda do homem?

A Bíblia nos diz claramente como ocorreu a queda do homem. Satanás utilizou a serpente para se aproximar de Eva, e, ao invés de confrontar Adão, a serpente então tentou a mulher que havia recebido apenas indiretamente o mandamento de Deus em relação a árvore do conhecimento.

A sequencia da tentação foi basicamente a mesma de qualquer pecado que é cometido atualmente. Primeiro vem a sugestão para duvidar da Palavra de Deus, depois acontece o famoso “isso não tem problema” onde a Palavra é desacreditada, como consequência a autossuficiência toma o coração do homem e por último acontece a desobediência.  Aqui podemos notar o processo do pecado. Sob este aspecto é fácil perceber que o pecado já havia dominado Eva antes mesmo dela comer o fruto. Ao estender as mãos em direção ao fruto com a intenção que havia em seu coração, Eva já era uma pecadora. Ao comer o fruto, o pecado foi apenas consumado.

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Eva não resistiu a tentação da serpente, comeu do fruto da árvore do conhecimento e também deu ao seu marido. Ao comerem o fruto, os olhos de Adão e Eva foram abertos e se esconderam, pois descobriram que não estavam vestidos.

Questionados por Deus, o comportamento de ambos também foi o mesmo dos nossos dias, ou seja, sempre tentamos buscar justificativas para nossos erros. Adão tentou colocar a culpa no próprio Deus e consequentemente na mulher (“foi a mulher que Tu me destes”) e Eva jogou a culpa na serpente. Precisamos aprender que Deus perdoa pecados e não justificativas.

Qual era o fruto da árvore do conhecimento?

Popularmente o fruto da árvore do conhecimento é representado pela maçã. Na verdade isto é apenas um simbolismo, amplamente usado em encenações sobre a queda do homem a qual exigem um fruto para atuação, porém a Bíblia em nenhum momento nos diz qualquer coisa sobre o tipo desse fruto.

As sentenças para a queda do homem:

Logo após a desobediência, Adão e Eva foram tomados por um sentimento de culpa e logo ficaram cientes da separação entre eles e Deus pois se esconderam.

Ao se encontrarem com Deus eles receberam as seguintes sentenças: a morte seria uma realidade, haveria dores tanto para o homem quanto para mulher (principalmente no parto), o suor seria constante na sobrevivência humana e por último foram banidos da presença de Deus.

É importante entender que Deus criou o homem com capacidade intelectual e discernimento. Isso significa que ao mesmo tempo em que o homem era inocente por conta da sua natureza que não havia sido contaminada pelo pecado, ele também era capaz de fazer escolhas livremente e julgar o que era bom e o que era mal. A diferença é que Adão e Eva conhecia o mal de uma maneira bem diferente antes da queda. Podemos dizer que eles conheciam como “algo que fosse contrário a Deus e Suas ordens”, ou seja, conheciam como contraste, então, qualquer coisa ou situação que se encaixasse nessa descrição seria o mal. Após a queda o homem passa a conhecer o mal de forma “experimental”.

Sobre as sentenças dadas por Deus é interessante destacarmos alguns pontos:

  1. Mulher: Deus disse que multiplicaria as dores de parto da mulher. Isto significa que sem o pecado o parto seria um processo natural e sem complicações. Algumas pessoas tentam insinuar que por Deus ter falado que “aumentaria” as dores, Eva pode ter tido alguma experiência de parto anterior à queda. Esse tipo de interpretação é uma heresia e contradiz totalmente a Bíblia. Deus também falou que a mulher seria dominada pelo homem, porém devemos perceber que antes mesmo da queda, a mulher já era auxiliadora do homem, ou seja, Adão já era o líder, ele foi criado primeiro e foi designado por Deus para esta função. O que é preciso entender é que quando Deus diz que ela seria “dominada pelo homem” aquela submissão que antes era natural agora seria um tipo de “obrigação”, como um castigo, pelo fato de que a liderança do home também não seria mais a mesma. Antes o homem exercia uma liderança perfeita, santa e sem maldade, agora, com a entrada do pecado no mundo, essa liderança seria corrompida com o machismo, violência, autoritarismo, corrupção e etc.
  2. Homem: Por causa do pecado de Adão, líder da criação de Deus, a terra foi feita maldita e a natureza se tornou hostil ao homem. Essa é a origem dos desastres naturais, dos distúrbios da natureza e de como a grande maioria dos animais já não aceitam mais a presença do homem e, aquele que antes os nomeou, agora é identificado como inimigo. Ao contrário do que alguns pensam, antes da queda o homem já tinha tarefas, porém as tarefas já existentes antes da queda seriam transformadas em um “peso”. O trabalhado que antes era algo natural e satisfatório passaria a ser um castigo. A terra não produziria mais com facilidade, e, também não daria mais apenas “bons frutos”, pois espinhos e cardos também seriam produzidos. Deus também avisa que agora Adão conheceria algo até então desconhecido: a morte.
  3. Serpente: Sabemos que a serpente também foi penalizada por Deus e, para sempre sua espécie teria inimizade com a raça humana. Muitos interpretes tentam especular como a serpente seria antes do castigo. Alguns acreditam que ela possuía pernas enquanto outros defendem que ela tinha asas e, por último, há quem defenda que ela sempre rastejou, mas que a partir daquele momento sua forma de se locomover seria um sinal de humilhação. Essas teorias são apenas especulações, mas o fundamental para nós é o versículo 15 em que Deus faz a promessa de redenção e nos remete a cruz, onde a serpente feriu o calcanhar do Filho de Deus, porém teve sua cabeça esmagada e foi derrotado de forma irreversível.

No último versículo do capítulo 3 de Gênesis, Adão e Eva são expulsos do jardim do Éden e impedidos de se aproximarem novamente da árvore da vida, para que a sentença de que “ao pó tornarás” fosse cumprida.

A queda do homem e os efeitos para toda humanidade:

As consequências da desobediência não ficaram isoladas no primeiro casal, as sentenças proferidas por Deus atingiu a humanidade toda, em todas as épocas e gerações, ou seja, o pecado se tornou universal.

Na queda de Adão todos pecam, o homem já nasce contaminado pelo pecado. Como o Apóstolo Paulo escreveu em diversas passagens bíblicas “todos morrem em Adão” (1Co 15:22; Rm 5:12-19). Alguns estudiosos chamam esta doutrina de “pecado original”, porque é derivado da raiz da humanidade, todo indivíduo já nasce com ele e consequentemente este pecado é a origem de todos os outros pecados que o homem comete ao longo da vida. O salmista também observa isto:

E não entres em juízo com o teu servo, porque à tua vista não se achará justo nenhum vivente.
(Salmos 143:2)

Quando assumimos o ensinamento de Paulo percebemos então que todo homem é culpado e merecedor do castigo divino, ou seja, a punição pelo pecado não é uma injustiça por parte de Deus, pelo contrário, é justiça. Em outras palavras a injustiça do homem é causa da justiça de Deus. Algumas pessoas questionam se isso não parece injusto já que toda humanidade herdou o pecado de um só homem, porém é preciso perceber que Adão foi criado como líder e representante de toda a raça humana. Ele não possuía pecado, foi criado pessoalmente por Deus, seu código genético era perfeito e com certeza era o mais bem preparado entre todos os homens para representar a humanidade. Adão tinha tudo o que precisava, mas não foi o suficiente para ele. O triste da história é que nenhum nós teríamos feito melhor.

Tudo isso significa que o homem, criado à imagem e semelhança de Deus com capacidade de governo e livre decisão, isto é, apto ao livre arbítrio, agora se encontra incapaz de decidir pelo bem em relação a Deus, não possui mais a bondade original com a qual foi criado e, agora, com seu entendimento cegado, é controlado em todos os aspectos pela perversidade e vive em rebelião contra Deus.

Essa condição não significa que o homem é tão mal quanto possa ser, nem mesmo que o homem seja incapaz de pensar ou realizar alguma coisa boa. Essa condição se refere ao homem como portador de uma natureza corrupta que impossibilita a realização de qualquer bem espiritual, isto é, em relação a Deus o homem por si só é incapaz de fazer algo bom. Isto enfatiza que se não for pela Graça Salvadora o homem nunca escolherá Deus, ou seja, a única maneira do homem seguir os mandamentos de Deus é se o próprio Deus intervir.

Os efeitos da queda também atingiram a terra física e toda a criação (Gn 3:17; Rm 8:20-22). O homem, a coroa da criação, caiu e trouxe consequências terríveis para toda a terra, e, estas consequências, só serão aniquiladas no novo céu e na nova terra que serão estabelecidos.

Por fim, diante deste evento tão triste, em meio às sentenças de Deus em relação à desobediência do homem temos notícias de que nada daquilo “pegou” Deus de surpresa, de que ainda havia esperança, uma esperança decretada por Deus ainda antes da fundação do mundo e anunciada por Ele pela primeira vez em Gênesis 3:15 e revelada a nós em vários pontos das Escrituras.

E porei inimizade entre ti e a mulher, e entre a tua semente e a sua semente; esta te ferirá a cabeça, e tu lhe ferirás o calcanhar.
(Gênesis 3:15)

Mas com o precioso sangue de Cristo, como de um cordeiro imaculado e incontaminado,
O qual, na verdade, em outro tempo foi conhecido, ainda antes da fundação do mundo, mas manifestado nestes últimos tempos por amor de vós;
(1 Pedro 1:19,20)

Como também nos elegeu nele antes da fundação do mundo, para que fôssemos santos e irrepreensíveis diante dele em amor;
(Efésios 1:4)

Agora fica mais fácil percebermos que no versículo 24 do capítulo 3 de Gênesis, a expulsão do homem do jardim e a proibição à árvore da vida foi uma benção para nós, pois sabemos que quando nossa vida terrena chegar ao fim, então, finalmente, mais uma vez estaremos com Deus, portanto neste aspecto a morte é uma providência divina.

A queda do homem e as doutrinas:

Ao longo da história do cristianismo, ensinos contrários ao fato de que o pecado atingiu todas as áreas do homem foram introduzidos na igreja.

Geralmente tais doutrinas possuem raízes nos ensinos de Pelágio, que, de forma resumida, ensinava que o pecado de Adão atingiu somente ele mesmo, sendo assim, as demais pessoas pecam devido aos exemplos ruins. Em outras palavras todos então nascem sem pecado e “aprendem” a pecar por convivência.

Essa doutrina adquiriu “novas roupagens” e sofreu muitas modificações no decorrer dos tempos (como por exemplo, o Semi-Pelagianismo defendido pela Igreja Católica e infelizmente por muitos crentes), mas basicamente tais doutrinas afirmam que o homem não regenerado ainda possui capacidade de realizar obras ou escolhas que o façam atingir a salvação.

Estas ideias sintetizam o livre-arbítrio humano. Como não é o propósito deste estudo, não entrarei em detalhes sobre este tema, mas por hora, o que podemos dizer, é que o estado de depravação total é amplamente ensinado nas escrituras (Jo 5:42; Rm 3:10-12, 23; Rm 7:18,23; Ef 4:18; 2Tm 3:2-4; Tt 1:15;).

Também é importante saber para quem segue a linha soteriológica arminiana, que o Arminianismo Clássico defende uma visão inicial de depravação total muito parecida com o Calvinismo, porém, alguns teólogos modificaram as ideias originais do Arminianismo Clássico e, este Arminianismo mais moderno, em muitos casos ficou bem mais próximo do Semi-Pelagianismo. Como sei que existe uma discussão até um pouco acalorada sobre Calvinismo e Arminianismo dentro da igreja, talvez fosse muito mais interessante para o Arminianismo ao invés de ficar atacando o Calvinismo, se posicionar de forma contundente em relação as suas diferenças ao Semi-Pelagianismo, pois encontramos por aí muita gente que se intitula arminiano e não conhece a própria linha teológica que defende e, acabam ensinando o Semi-Pelagianismo ou até mesmo o próprio Pelagianismo nas igrejas.

Sobre Daniel Conegero

Daniel Conegero
Daniel Conegero é o líder do Projeto Estilo Adoração. Começou a pregar a Palavra de Deus com apenas 3 anos de idade. Aos nove anos começou a compor e liderar o louvor na igreja. É professor de Teologia e também da Escola Bíblica Dominical na igreja em que congrega. É formado pela Universidade Presbiteriana Mackenzie.

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