O Que a Bíblia Diz Sobre o Aborto? É Pecado?

Muitos cristãos possuem dúvida acerca do que a Bíblia diz sobre o aborto. Alguns nem mesmo sabem se o aborto é pecado diante de Deus. Outros infelizmente buscam formas de justificá-lo a todo custo. Isto ocorre principalmente em conexão a casos de estupro, risco à vida da mãe ou deficiência comprovada do embrião ou feto.

Desde os primeiros anos da Igreja Cristã a questão do aborto tem sido discutida. Obras que datam dos primeiros séculos do Cristianismo já refletem a perspectiva da ética cristã sobre o assunto e registram a posição terminantemente contrária ao aborto de teólogos e apologistas da época.

Neste texto entendermos brevemente como a ética cristã enxerga a questão do aborto. Este é um tema fundamental para Igreja que vive num mundo em que banalização da vida tem se tornado uma constante.

O que é o aborto?

O aborto é a descontinuação da gravidez que resulta na morte do nascituro. Na maioria das vezes ocorre a expulsão do embrião ou feto do ventre materno, interrompendo a gestação. O aborto pode ocorrer de forma espontânea ou induzida.

De forma espontânea, o aborto acontece em decorrência de diferentes fatores que fazem com o que o organismo da gestante, espontaneamente, não seja capaz de manter a gestação. Sem ser sua intenção, a mãe fatalmente perde o nascituro.

Já o aborto induzido, como o próprio nome diz, é a interrupção deliberada da gravidez. Nele existe uma indução à morte do embrião ou feto. Obviamente é a este tipo de aborto que concentram todas as polêmicas e discussões sobre o tema. Para algumas pessoas o aborto é uma garantia dos direitos das mulheres. Para outras, o aborto é um crime grave contra a vida, isto é, um assassinato.

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A legislação sobre o aborto

A legislação sobre o aborto pode diferir bastante de um país para outro. Há países em que o aborto é completamente legalizado, independentemente de qualquer motivo ou intenção. Ocorre que a mulher simplesmente resolve interromper uma gravidez indesejada para o momento. Como já foi dito, nesses casos o aborto é visto como um direito da mulher que deve decidir sobre seu corpo e os rumos de sua vida.

Em outros países, suas respectivas legislações permitem o aborto em situações específicas. No Brasil, por exemplo, o aborto é legalmente permitido quando há risco à vida da mãe, quando a gravidez é resultado de um estupro ou quando o nascituro for comprovadamente anencéfalo.

Há ainda alguns poucos lugares no mundo em que o aborto não é permitido em hipótese alguma. Mas o que se nota, é que aos poucos todas as nações caminham para uma futura legalização do aborto.

O que tem se tornado cada vez mais frequente, é a fixação de uma data para que o aborto seja permitido. Por exemplo: o aborto seria legal desde que fosse feito em até X semanas. Esse tipo de autorização geralmente é fruto do entendimento de que antes desse prazo vencer, o embrião ou feto supostamente ainda não seria um ser humano. Então nesses casos não haveria qualquer implicação ética e moral, pois não implicaria num crime de assassinato ou privação do direito à vida.

O que a Bíblia diz sobre o aborto?

É verdade que não existe um versículo bíblico que diz: “Não abortarás!”. Mas a ausência de um texto direto e explicito sobre o aborto na Bíblia, não significa que a Palavra de Deus se cala diante do assunto. Ao contrário disso, ao estudar a Bíblia facilmente é possível perceber que a proibição e condenação da prática do abordo é um ensino claro.

Em primeiro lugar, a Bíblia mostra Deus condenando o assassinato desde o princípio da humanidade (Gênesis 4). Depois, os Dez Mandamentos traz a clara proibição: “Não matarás” (Êxodo 20:13). Aqui também é importante saber que dentro da fé e cultura judaica dos tempos bíblicos, era inconcebível que uma mulher desejasse um aborto.

O Antigo Testamento fala do nascimento de um filho como sendo uma dádiva divina. Quando Jacó se encontrou com Esaú, ele não teve dúvida em declarar que aqueles que o acompanhavam, eram os filhos que Deus graciosamente havia lhe dado (Gênesis 33:5).

O salmista também escreve que “os filhos são herança do Senhor, e o fruto do ventre o seu galardão” (Salmo 127:3). Isto significa que o entendimento geral presente nas Escrituras, é o de que Deus é quem abre a madre de uma mulher, permitindo que uma nova vida seja gerada (cf. Gênesis 30:22).

O fato de um casal não gerar filhos era algo terrível, visto até como uma maldição. Por isto uma mulher estéril sofria tanto, e somente Deus poderia lhe fazer ser uma “alegre mãe de filhos” (Salmo 113:9; cf. 1 Samuel 1:19-20).

Além disso, a falta de filhos para um homem colocava em risco o nome de sua família. Foi nesse contexto que houve a lei do levirato, onde mesmo um marido morto sem filhos, poderia ter seu nome perpetuado pelo filho nascido de sua viúva (Deuteronômio 25:5-10). Por tudo isto é compreensível que não haja uma proibição específica ao aborto na Bíblia.

O aborto e a humanidade do feto

Muitos ativistas pró-aborto argumentam que o embrião só se torna um ser humano depois de certo período de gestação. O problema é que essa teoria não encontra fundamento sólido, nem na ciência e muito menos na Bíblia Sagrada.

Não há qualquer dúvida de que a vida começa na concepção. Dizer que essa vida só se torna humana num determinado estágio de desenvolvimento, não faz qualquer sentido. Se fosse assim, seria correto dizer que uma pessoa mais velha é mais humana que uma mais nova. Então um adolescente seria mais humano que uma criança, e menos humano que um adulto.

A Bíblia Sagrada afirma claramente a dignidade humana de embrião e feto. Uma das passagens mais claras nesse sentido foi escrita pelo salmista Davi. Ele descreveu em profundidade a forma com que Deus se relaciona com o nascituro. Ele diz: “[…] cobriste-me no ventre de minha mãe. Eu te louvarei, porque de um modo assombroso, e tão maravilhoso fui feito; maravilhosas são as tuas obras, e a minha alma o sabe muito bem. Os meus ossos não te foram encobertos, quando no oculto fui feito, e entretecido nas profundezas da terra. Os teus olhos viram o meu corpo ainda informe; e no teu livro todas estas coisas foram escritas; as quais em continuação foram formadas, quando nem ainda uma delas havia” (Salmo 139:13-16).

Deus não faz pouco caso da vida de um embrião ou feto no ventre de uma mãe. O profeta Jeremias escutou do Senhor: “Antes que te formasse no ventre, eu te conheci; e antes que saísses da madre, te santifiquei; às nações te dei por profeta” (Jeremias 11:5). O apóstolo Paulo também testifica que já no ventre de sua mãe ele era separado por Deus (Gálatas 1:15).

Por fim, o encontro entre as grávidas Maria e Isabel fecha o assunto. Quando Isabel ouviu a saudação de Maria, o nascituro João Batista saltou de alegria em seu ventre (Lucas 1:39-44).

A ética cristã e o aborto

Diferentemente de outras alternativas éticas, a ética cristã é fundamentada na Palavra Deus. Então isto significa que em nenhuma hipótese a ética cristã irá aprovar o aborto. As Escrituras não enxergam o homem como mais uma espécie resultado de um processo de evolução. Elas dizem que o homem foi criado à imagem e semelhança de Deus.

Portanto, além de o aborto ser classificado como um assassinato, é também um atentado contra a imagem do próprio Deus representada naquele embrião ou feto. Claro que quando a ética cristã se opõe ao aborto, ela não ignora o fato de existirem casos extremamente complexos.

Enquanto há mulheres que simplesmente abortam por concluírem que no momento há coisas mais interessantes a se fazer do que ser mãe, há outras que enfrentam dramas realmente difíceis. Existem mães que enfrentam casos de gravidez de alto risco. Outras carregam um feto desenganado pela medicina. Por fim, há aquelas que foram vitimas de relações abusivas, como o estupro.

Por mais que sejam situações complicadas, a ética cristã, conforme a Palavra de Deus, sempre defenderá a vida. Por exemplo, se a ética cristã aceitasse o aborto em casos de deficiência do feto, ela fatalmente deixaria de ser cristã. No fim ela se harmonizaria a outras formas éticas contrárias a Deus, como a ética naturalística que defende a eliminação dos mais fracos.

O mesmo também pode ser dito do aborto em caso de estupro, onde esse tipo de pensamento se fundamenta em éticas humanísticas que colocam a satisfação individual acima de qualquer coisa, até mesmo da vida do próximo. Nesse caso, o próximo é sempre um feto indefeso no ventre.

O cristão e o aborto em situações extremas

Vimos que a ética cristã não dá espaço para que o aborto seja justificado, independentemente da situação. No entanto, é bom que se saiba que a ética cristã não afronta a dignidade da mulher neste ponto. O ética cristã faz é reconhecer o valor da vida. Vejamos melhor a seguir.

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O aborto em caso de estupro

O ponto mais questionado nesse caso é o posicionamento dos cristãos acerca da gravidez resultante de um estupro. Uma relação sexual forçada é algo que nenhuma mulher jamais deveria ter que passar. Mulheres que foram vitimas desse tipo de abuso devem ser amparadas, cuidadas e amadas.

Mas quando a ética cristã se opõe ao aborto de uma gravidez nessa situação, ela não está menosprezando a vida da mulher, muito pelo contrário. Há muitos e muitos casos de mulheres que abortam uma gestação que foi fruto de um abuso, e depois não conseguem se perdoar.

Além disso, matar o embrião ou feto não apagará definitivamente o que de fato aconteceu. Na verdade essa atitude pune o filho do agressor com a pena de morte, e não o agressor. Além disso, se a mãe biológica definitivamente não quiser criar a criança, a adoção não seria uma alternativa preferível ao aborto?

Em tais casos, a comunidade cristã deve estar atenta a essas mulheres. É preciso fornecer o apoio necessário para que elas apliquem um aconselho bíblico que cabe a essa situação: “vence o mal com o bem” (Romanos 12:21).

O aborto em caso de deficiência

Em casos de feto com deficiência, admitir o aborto também é ignorar e afrontar a soberania divina. Uma pessoa deficiente não significa uma criação que saiu do controle de Deus. Certa vez Moisés escutou do Senhor: “Quem fez a boca do homem? Ou quem fez o mudo, ou o surdo, ou o que vê, ou o cego? Não sou eu, o Senhor?” (Êxodo 4:11).

Por mais que seja uma experiência custosa, a maioria esmagadora dos pais de filhos deficientes jamais concordará que deveriam ter praticado o abordo durante a gestação. Além disso, frequentemente temos notícias de crianças que foram desenganadas durante a gestação, e que ao nascerem desafiaram todos os prognósticos médicos.

O aborto em caso de risco à vida da mãe

Contudo, a situação mais complicada é aquela em que a gestação oferece sérios riscos à vida da mãe, chegando ao ponto de alguém ter que basicamente decidir por uma vida ou outra. Percentualmente esse tipo de situação é a menor entre todas as outras. A maioria dos abortos ocorre não por risco à vida da mãe, mas por risco à vida profissional, social ou estética dessa ex-futura mãe.

Mas em casos em que realmente a vida da mãe está em risco, as pessoas envolvidas devem analisar a situação com sabedoria. Elas devem orar a Deus, confiantes de que Ele tem o controle de tudo em suas mãos. Elas devem saber que nenhum fio de cabelo de suas cabeças se perde sem o consentimento do Senhor (Lucas 21:18; cf. 12:7). Por mais que não entendamos a providência divina, o final de todas as coisas é a glória de Deus.

Em casos assim, muitos médicos optam por provocar o nascimento da criança, ainda que seja um nascimento muito prematuro. Consequentemente, eles procuram oferecer todos os recursos necessários para tentar garantir sua sobrevivência. Por vezes, mesmo diante das mínimas chances, algumas crianças sobrevivem a tais condições tão adversas de parto.

Para concluir, a gravidade de um aborto pode ser vista na própria realidade da vida de Cristo. A vida de um embrião ou feto é tão valiosa para Deus que seu próprio Filho passou por esse estágio de desenvolvimento em sua encarnação. O Filho de Deus não encarnou diretamente em estado adulto, mas foi concebido por obra do Espírito Santo, e tal como qualquer um de nós, se desenvolveu no ventre de Maria de Nazaré.

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