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Carta de Paulo aos Gálatas

A Carta de Paulo aos Gálatas é um dos livros que compõe o Novo Testamento e faz parte de uma das treze cartas escritas pelo apóstolo. Neste estudo bíblico faremos um panorama da Carta aos Gálatas, conhecendo o contexto histórico, propósito e características da epístola.

O autor da Carta aos Gálatas

Historicamente o apóstolo Paulo sempre foi aceito como sendo o autor da Carta aos Gálatas, embora alguns estudiosos a partir do século 18 começaram a sugerir que a epístola tenha sido pseudônima, ou seja, alguém a escreveu usando o nome de Paulo.

No entanto, o estilo literário e a teologia empregada na epístola não deixam dúvidas que o apóstolo Paulo foi o autor em questão, e os argumentos contrários a essa afirmação são demasiadamente fracos.

Também vale dizer que nos primeiros versículos da epístola já encontramos uma declaração de autoria do próprio Paulo, além de sua menção a um grupo de pessoas que o acompanhava na ocasião em que a carta foi escrita (Gl 1:1,2).

Data e contexto histórico da Carta aos Gálatas

Existe uma grande dificuldade em determinar a data em que a Carta aos Gálatas foi escrita, isso porque também há uma dificuldade considerável em estabelecer os destinatários da carta. É bastante claro que o apóstolo escreveu aos “gálatas” (Gl 1:2; 3:1), porém não sabemos exatamente a quais gálatas ele estava se referindo, se aos gálatas do sul ou do norte.

Ele poderia estar escrevendo a toda comunidade cristã da província da Galácia, ou especificamente ao povo celta que habitava o norte da Galácia e que eram conhecidos como “gálatas”.

Se considerarmos a primeira sugestão, a melhor data seria entre 48 e 49 d.C., após sua primeira viagem missionária. Lembrando também que em sua primeira e segunda viagens missionárias o apóstolo visitou as cidades do sul da Galácia, sendo elas: Antioquia da Pisídia, Icônico, Listra e Derbe. Se essa data estiver correta então a Carta aos Gálatas pode ser o escrito mais antigo do apóstolo que temos disponível.

Caso o apóstolo tenha escrito a epístola aos gálatas do norte, então provavelmente isso ocorreu em uma data próxima a sua terceira viagem missionária, quando passou pela região da Galácia e Frígia (At 18:23).

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Boa parte dos estudiosos que defendem essa possibilidade acredita que o apóstolo tenha escrito a epístola durante o período de dois anos em que esteve em Éfeso (At 19), ou durante o período de viagem pela Macedônia rumo à Grécia (At 20:1-6; 2Co 2:13). Logo, a epístola teria sido escrita entre 54 e 55 d.C.

Com base em toda dificuldade apresentada, o mais correto seria estabelecer um período entre 49 e 55 d.C. a qual certamente a epístola foi escrita.

Propósito e características da Carta aos Gálatas

Sabemos que foi o apóstolo Paulo quem fundou as igrejas da Galácia. Todavia, logo depois dos gálatas terem recebido o verdadeiro Evangelho que havia sido pregado pelo apóstolo, surgiram pessoas que começaram a se levantar contra o ministério de Paulo (Gl 4:17) e também a pregar um “outro evangelho” completamente distorcido do que tinha sido ensinado (Gl 1:6,7).

Basicamente esse falso evangelho que estava sendo pregado ensinava que os gentios que se tornavam cristãos deveriam seguir as tradições judaicas e praticar as obras da lei, pois isso influenciaria diretamente no processo de salvação (Gl 6:12).

Assim, esses falsos mestres ensinavam aos gálatas que a fé em Cristo não era o suficiente, mas eles também deveriam praticar a circuncisão (Gl 2:3-5; 5:2,6,11; 6:12-15). Uma das principais táticas dessas pessoas era atacar pessoalmente o apóstolo Paulo.

A defesa feita pelo próprio apóstolo no decorrer da Epístola aos Gálatas nos ajuda a entender um pouco o tipo de artimanha que esses indivíduos estavam utilizando. Em Gálatas 2:1-10, Paulo fala de sua relação com os apóstolos de Jerusalém, os líderes da Igreja Primitiva, destacando sua autoridade apostólica e legitimidade do Evangelho que ele anunciava. Talvez com isto ele estivesse respondendo algum tipo de acusação que afirmava que, de alguma forma, ele era insubordinado e agia por conta própria, sem a autorização dos anciãos da Igreja.

É possível também que tenham acusado o apóstolo de ter mudado de ideia quanto ao seu parecer com relação aos gentios que se tornavam cristãos, ou seja, sugerindo que Paulo teria inicialmente defendido a circuncisão (Gl 5:11), mas depois mudou seu discurso para poder atrair mais facilmente os gentios (Gl 1:10). Sobre isso, o próprio apóstolo deixou bem claro que sua mudança de pensamento aconteceu em decorrência de uma revelação divina recebida diretamente de Cristo (Gl 1:11-24).

Infelizmente, como toda heresia, rapidamente esse falso evangelho começou a se alastrar entre os gálatas, fazendo com que eles abraçassem o falso ensino, questionassem a autoridade de Paulo e iniciassem um processo de deserção do verdadeiro Evangelho.

Essa era a situação dos gálatas quando o apóstolo escreveu essa epístola (Gl 1:6-7), onde vários crentes queriam estar sob o julgo da Lei e ser, principalmente, circuncidados (Gl 4:21; cf. 5:1). O resultado foi uma série de conflitos e dissensões na comunidade cristã da Galácia (Gl 5:15; 6:3-5).

Logo, o principal propósito de Paulo ao escrever a Carta aos Gálatas foi expor a verdade sobre o Evangelho, mostrando a suficiência da obra de Cristo e ensinando que a salvação vem pela fé no Senhor Jesus (Gl 2:5,14).

Na Epístola aos Gálatas, Paulo foi enfático ao afirmar que a salvação é um dom gratuito de Deus, que todo o processo pertence a Ele, isto é, não qualquer participação humana na salvação, e que tudo se resume na graça de Deus e não no merecimento do homem (Gl 1:3,6,15; 2:19,21; 6:18) que apenas pode recebê-la pela fé e não por obras (Gl 2:15,16).

O apóstolo também demonstrou toda a sua indignação ao explicar que aqueles agitadores negavam completamente os pontos principais do verdadeiro Evangelho de Cristo (Gl 3:1; 5:12). Também alertou que o novo ensino transmitido por eles corrompia o Evangelho genuíno e precisava ser combatido a todo custo (Gl 1:8).

Na Carta aos Gálatas Paulo pregou sobre a obra redentora de Cristo na cruz, onde o Senhor carregou sobre si a maldição da Lei que estava sobre nós, nos libertando do pecado e da morte (Gl 3:13; 6:14), nos vestindo com sua justiça (Gl 3:26,27), nos unindo a Ele e fazendo-nos novas criaturas, nos dando o direito de adoção de filhos (Gl 4:4,5; 6:15). O apóstolo também apontou para a verdade de que é o Espírito Santo que nos capacita a vivermos de uma forma que agrada a Deus (Gl 5:16-25).

Esboço da Carta aos Gálatas

  1. Saudações iniciais (1:1-5): Um pequeno prefácio onde Paulo se identifica como apóstolo de Jesus e saúda seus leitores.
  2. Descrição do problema (1:6-10): Paulo denuncia o falso evangelho que surgiu na Galácia, o qual exigia dos cristãos gentios a prática de costumes judaicos como circuncisão para que a salvação fosse efetuada, num tipo de salvação por obras, um ensino completamente contrário à doutrina da justificação pela fé.
  3. Autenticação e relatos históricos (1:11-2:21): Paulo demonstra a autoridade de seu apostolado, enfatizando que ele recebeu a mensagem do Evangelho diretamente de Cristo. Nessa seção Paulo fala sobre seu chamado (1:11-17), sobre os líderes da Igreja em Jerusalém (1:18-2:10) e sobre o conflito com o apóstolo Pedro (2:11-21).
  4. Provas teológicas da justificação pela fé (3:1-4:31): Paulo expos diversos argumentos teológicos para explicar que a salvação pela fé é a verdadeira mensagem do Evangelho de Cristo. Nesta seção, Paulo usou principalmente o registro sobre a fé de Abraão presente no Antigo Testamento.
  5. Exortações práticas (5:1-6:10): Paulo fala sobre a liberdade em Cristo e o poder do Espírito Santo que nos capacita a viver do modo que agrada a Deus sem confiarmos na carne. Ele também fala sobre as bênçãos que alcançam aqueles que vivem pela fé e o julgamento divino que aguarda os que se desviam do Evangelho genuíno.
  6. Conclusão apostólica (6:11-18): O apóstolo faz uma advertência final resumindo a sua carta e também faz uma saudação final.

Sobre Daniel Conegero

Daniel Conegero
Daniel Conegero é o líder do Projeto Estilo Adoração. Começou a pregar a Palavra de Deus com apenas 3 anos de idade. Aos nove anos começou a compor e liderar o louvor na igreja. É professor de Teologia e também da Escola Bíblica Dominical na igreja em que congrega. É formado pela Universidade Presbiteriana Mackenzie.

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