Tentação: A Batalha por nossas Escolhas e Atitudes

Como seres morais inteligentes, todos nós somos chamados a fazer escolhas e tomar atitudes. Escolhas e atitudes fazem parte de nossa livre agência. Mas a Bíblia diz que mesmo durante a vida cristã há uma batalha por nossas escolhas e atitudes. Nesse contexto é que surge a questão da tentação.

No geral a tentação é um teste que tem por objetivo sugestionar uma prática pecaminosa. Isso significa que a tentação procura direcionar nossas escolhas e atitudes a um estado de desobediência contra Deus.

É importante saber que a tentação que busca tomar nossas escolhas e atitudes e direcioná-las ao mal, nunca tem sua origem em Deus (Tiago 1:13). Quando a Bíblia diz que Deus testa alguém, seu objetivo jamais é levar a pessoa ao pecado, mas revelar, desenvolver e aperfeiçoar o seu caráter.

O efeito desse tipo de teste é justamente o oposto da tentação ao pecado. Por isso Moisés disse ao povo de Israel: “Não temais, Deus veio para vos provar, e para que o seu temor esteja diante de vós, a fim de que não pequeis” (Êxodo 20:20).

Didaticamente, geralmente nos referimos a esse tipo de teste como “provação”, para que fique mais clara a diferença entre uma e outra; apesar de muitas vezes os termos originais serem exatamente os mesmos. Entenda a diferença entre provação e tentação.

Uma tentação pode ter uma fonte externa ou interna. Como fonte externa, o agente da tentação pode ser o diabo ou mesmo outras pessoas. Satanás de fato é um perito quando o assunto é tentação. A primeira vez que ele aparece na Bíblia é justamente na figura da serpente que tentou Eva e levou o primeiro casal ao pecado (Gênesis 3).

Já como fonte interna, a tentação sob nossas escolhas e atitudes pode vir de nós mesmos. Tiago escreve que “cada um é tentado, quando atraído e seduzido pela sua própria concupiscência” (Tiago 1:14).

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Por que há uma batalha por nossas escolhas e atitudes?

A resposta para esta pergunta está na corrupção da natureza humana. Mesmo antes da Queda do Homem, a Bíblia já revela que houve uma batalha pelas escolhas e atitudes do primeiro casal. Satanás fez tudo o que podia para fazer com que Eva e, consequentemente, Adão, duvidassem da Palavra de Deus e fizessem a escolha errada, tomando uma atitude contrária à ordem do Senhor.

A questão é que naquele ponto, Adão e Eva tinham totais condições de vencer aquela batalha por suas escolhas e atitudes. Eles foram criados por Deus completamente bons, sem a mancha do pecado. Bastava apenas que eles escolhessem obedecer a Deus para que eles mantivessem a comunhão com o Criador. Por isso a teologia chama esse período de Aliança das Obras.

Mas, como sabemos, Adão e Eva perderam a batalha por suas escolhas e atitudes. Eles cederam aos ataques de Satanás. Eles desacreditaram da Palavra de Deus e tentaram usurpar o Seu lugar (Gênesis 3).

Então quando Adão e Eva pecaram, toda a humanidade foi lançada num estado de rebelião contra Deus. A natureza humana acabou sendo completamente corrompida pelo pecado. Isso significa que a vontade do homem se tornou escrava do mal, e após a Queda, por si mesmo, ninguém mais é capaz de escolher o bem diante de Deus e fazer aquilo que é espiritualmente bom.

O relacionamento de comunhão com Deus foi perdido. Aliança das Obras tinha sido quebrada e não havia mais nada que o homem pudesse fazer para concertar isso. A essa doutrina bíblica a teologia chama de Depravação Total (Gênesis 3:6-8; 6:5; Jeremias 17:9; Romanos 3:10-23; 5:12; Efésios 2:1-3; Tito 1:15; etc.).

Então o homem é incapaz de salvar-se a si mesmo. Por natureza todas as suas escolhas e atitudes possuem a mancha do pecado. Mas por seu infinito amor e misericórdia, Deus proveu uma solução para o pecado, Ele proveu uma Nova Aliança.

Essa solução, no entanto, não é obra do homem, mas é exclusivamente de Deus. Teologicamente chamamos isso de Aliança da Graça. Pela graça soberana de Deus, mediante a obra redentora de Cristo, a comunhão com o Criador é restaurada.

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Como vencer a batalha pelas nossas escolhas e atitudes?

O homem natural não tem qualquer chance de vencer a batalha por suas escolhas e atitudes. Ele é incapaz de resistir às tentações porque ele se satisfaz nelas. Seus pensamentos são continuamente maus. Jesus diz que “do interior do coração dos homens vêm os maus pensamentos, as imoralidades, os roubos, os homicídios, os adultérios, as cobiças, as maldades, o engano, a devassidão, a inveja, a calúnia, a arrogância e a insensatez. Todos esses males vêm de dentro e tornam o homem impuro” (Marcos 7:21-23).

Mas os redimidos, aqueles que foram regenerados pelo Espírito Santo de Deus, receberam uma nova natureza. Essa nova natureza se opõem a velha natureza; ela deseja aquilo que é bom e agradável a Deus. A nova natureza do crente sente prazer em obedecer ao Senhor; em direcionar suas escolhas e atitudes ao bem espiritual; sua finalidade é a glória de Deus.

Então por sua união com Cristo e pela habitação do Espírito Santo em sua vida, o crente é capacitado a vencer a batalha por suas escolhas e atitudes. Ele continua sendo tentado, tanto externamente quanto internamente; afinal sua velha natureza ainda está nele. Mas sua vontade não é mais escrava do pecado. O cristão é escravo de Cristo. Essa relação de dependência é tão profunda que o apóstolo Paulo diz que o crente possui a mente de Cristo (1 Coríntios 2:16).

Além disso, é em nosso Senhor e Salvador Jesus que temos o maior exemplo para resistir à tentação e vencer a batalha por nossas escolhas e atitudes. Os Evangelhos registram a grande tentação de Jesus no deserto. Satanás tentou Jesus de três formas diferentes, inclusive usando a própria Escritura de forma distorcida. Mas Jesus venceu a tentação (Mateus 4:1-11). Ele fez certo o que Adão fez errado (Romanos 5:16). O escritor de Hebreus escreve que Jesus foi tentado em tudo aquilo que também somos tentados, mas n’Ele não se achou pecado (Hebreus 4:15).

Então que olhemos para Cristo, e que pelos méritos d’Ele possamos vencer a batalha por nossas escolhas e atitudes. Que nossas escolhas reflitam o caráter de Cristo em nós; e que nossas atitudes busquem sempre a glória de Deus.

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