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O Que é a Lei da Semeadura na Bíblia?

A lei da semeadura é como é chamada uma verdade básica fundamentada na figura do agricultor que simplesmente ensina que aquilo que plantamos também colhemos. Esse ensino é extremamente antigo, e pode ser encontrado em vários textos bíblicos.

Também é verdade que infelizmente muita gente tem utilizado da lógica da lei da semeadura para tentar enganar as pessoas com um tipo de “comércio da fé”, ensinando um falso evangelho que visa, principalmente, retornos financeiros.

A lei da semeadura na Bíblia

Do Antigo ao Novo Testamento encontramos vários textos que transmitem a ideia presente na lei da semeadura. Por exemplo, o rei Salomão escreveu um provérbio dizendo que “o perverso recebe um salário ilusório, mas o que semeia justiça terá recompensa verdadeira” (Pv 11:18). Em outra ocasião, o mesmo sábio também escreveu que “o que semear perversidade colherá males” (Pv 22:8).

De acordo com esse princípio, também podemos perceber que apenas colherá aquele que também semeou. Isso é o que fica claro no livro de Eclesiastes quando lemos que “quem observa o vento, não semeará e o que atenta para as nuvens não colherá” (Ec 11:4).

No Salmo 126, o salmista mescla louvor pelo livramento de Deus, lamento pela situação de seu povo e uma enorme confiança na providência de Deus, expressando sua certeza de que Deus mudaria a sorte de seu povo e substituiria o sofrimento pela bênção. A frase mais significativa nesse sentido transmite a figura da semeadura, onde a o salmista enfatiza que “os que com lágrimas semeiam com júbilo ceifarão” (Sl 126:5).

O profeta Oseias, confrontando a idolatria da nação de Israel e as alianças indevidas, enfatizou a relação entre o pecado e o castigo, no sentido de causa e efeito, ao dizer que porque semearam ventos também ceifariam tormentas (Os 8:7).

A lei da semeadura e da colheita no Novo Testamento

No Novo Testamento também existem muitas passagens que fazem referência à lei da semeadura e da colheita, mesmo que de forma implícita. Certamente os dois textos mais lembrados do Novo Testamento nesse sentido foram escritos pelo apóstolo Paulo aos cristãos de Corinto (2Co 9:6) e aos cristãos da Galácia (Gl 6:7,8).

Esses dois textos são essenciais para entendermos realmente o que é a lei da semeadura e da colheita segundo a Bíblia, e também sabermos identificar o que definitivamente ela não é. No texto aos coríntios, Paulo está tratando da necessidade das contribuições no auxílio aos crentes pobres de Jerusalém, ou seja, o apóstolo estava encorajando os irmãos de Corinto a serem generosos com os irmãos necessitados de Jerusalém. Nesse contexto ele escreveu:

E digo isto: Que o que semeia pouco, pouco também ceifará; e o que semeia em abundância, em abundância ceifará (2 Coríntios 9:6).

Já no texto aos gálatas, após o apóstolo fazer uma grande exposição sobre as obras da carne e sobre o fruto do Espírito (Gl 5), no capítulo 6 ele fala sobre o auxílio mutuo e a responsabilidade pessoal, e a partir do versículo 6 ele ensina que o homem ceifará aquilo que plantar, enfatizando a responsabilidade humana.

Com base nesses dois textos, então poderemos considerar alguns pontos básicos sobre a lei da semeadura e da colheita.

A lei da semeadura não garante bens e prosperidade nessa terra

A lei da semeadura e da colheita tem sido um dos principais argumentos de quem defende a teologia da prosperidade. Segundo tais pessoas, se alguém semear financeiramente, e é claro, em abundância, irá colher em abundância. Obviamente o que semear pouco, nesse sentido, também colherá pouco. Geralmente se utiliza o texto citado em 2 Coríntios para defender tal ensino.

No entanto, esse texto em nada tem a ver com esse falso ensino. O grande objetivo do apóstolo, como já foi dito, é estimular a generosidade esperada daquele que são verdadeiramente seguidores de Cristo.

Apesar de nossas traduções trazerem a frase “o que semeia em abundância (ou fartura), em abundância também ceifará”, no original grego o que se lê literalmente é algo como: “o que semeia na base de bênção, na base de bênção há de colher”. A palavra grega eulogia, traduzida como “fartura” ou “abundância” em algumas versões, significa “louvor”, “enaltecimento”, “bênção” e “gratidão”.

Assim, o que o apóstolo está falando é simplesmente que aquele que contribui com as necessidades de seus irmãos louvando a Deus (ou com gratidão a Deus), terá, por sua vez, uma colheita pela qual agradecerá (ou louvará) a Deus. Perceba que nitidamente a ênfase não está na quantidade e, sim, na intenção.

É por isso que o versículo seguinte é muito claro em dizer que “cada um contribua segundo propôs no seu coração; não com tristeza, ou por necessidade; porque Deus ama ao que dá com alegria” (2Co 9:7), ou seja, aquele que contribui em abundância no versículo 6 é o mesmo que contribui com alegria no versículo 7, expressando mais uma vez que o foco de forma alguma é a quantidade.

É claro que ter uma colheita pela qual alguém agradecerá a Deus não implica em receber dele riquezas e poder, pois os verdadeiros seguidores de Cristo sabem muito bem que as riquezas terrenas não devem ser a fonte de sua satisfação, pois a recomendação do Senhor é para que tesouros sejam juntados no céu (Mt 6:19,20).

Além disso, no versículo 5, antes do apóstolo introduzir a metáfora agrícola da lei da semeadura, ele deixa bem claro que quem está recebendo a “benção” no sentido financeiro nesse contexto são os irmãos pobres de Jerusalém, e não os ofertantes que estão, de alguma forma, segundo os defensores do falso ensino da lei da semeadura da prosperidade, supostamente barganhando com Deus.

Portanto, a lei da semeadura e da colheita que o apóstolo Paulo se refere não tem qualquer relação com um tipo de investimento de negócios, no sentido de contribuir hoje para receber mais amanhã. Antes, o apóstolo aplica a lei da semeadura no campo espiritual, e é nesse mesmo sentido que os cristãos devem esperar a colheita prometida.

É claro que Deus pode abençoar materialmente alguém de forma generosa, mas isso não é uma regra e nem algo garantido. O que a Bíblia afirma e garante é que a recompensa do cristão não está nessa vida (cf. Lc 6:20-25; 2Co 8:9; 11:27; Tg 2:5), mas enquanto estivermos vivendo aqui, Deus nos garante apenas o necessário para nossa sobrevivência (Mt 6:25-33).

Também é nesse mesmo sentido que encontramos o ensino de Jesus acerca da boa medida, recalcada, sacudida e transbordante (Lc 6:38), que muitos infelizmente distorcem para ensinar a lei da semeadura atrelada ao ganho material.

Aqui podemos nos lembrar do levita Asafe, e de como ele ficou incomodado com o sucesso e prosperidade do ímpio, face às privações e injustiças sofridas pelo justo. Ele finalmente foi confortado quando entendeu que a prosperidade terrena desfrutada pelo ímpio é frágil e passageira, e o seu fim é terrível diante do juízo de Deus (Sl 73).

Além de tudo isso, voltando ao apóstolo Paulo, seria totalmente contraditório um homem que admitiu abertamente passar por muitas dificuldades (cf. Fp 4:10ss; 2Co 11:27) ensinar esse tipo de lei da semeadura conforme os falsos mestres a ensinam por aí.

Se a lei da semeadura realmente for referente a ofertar com abundância e receber cada vez mais, então Jesus não sabia disso quando elogiou a oferta de uma viúva pobre (Mc 12:42). Jesus foi claro ao dizer que não se pode servir a Deus e Mamom, mas a teologia da prosperidade é tão maligna que faz com que alguém tente servir a Deus apenas para alcançar Mamom.

A lei da semeadura é um alerta

Partindo agora para o texto da Epístola aos Gálatas, podemos perceber o quanto a lei da semeadura aponta para a responsabilidade humana. O apóstolo Paulo fez uma importante exortação de que a responsabilidade pessoal é algo que não pode ser transferido (Gl 6:5). Isso está de acordo com o ensino bíblico de que cada pessoa será julgada à luz de suas próprias ações (Jr 17:10; 32:19; Ez 18:20; Mt 16:27; Rm 2:6; Ap 2:23; 20:13).

Diante dessa verdade, o apóstolo aplica a lei da semeadura e da colheita para ensinar que Deus não se deixa escarnecer, “pois o que um homem semeia, isso também colherá” (Gl 6:7). Obviamente essa regra é válida para todos, não apenas para os cristãos. Em outras palavras, o apóstolo está dizendo que ninguém faz pouco caso do Evangelho ou zomba do Deus revelado nas Escrituras e fica impune.

Ele completa seu raciocínio no versículo 8 ao dizer: “Porque o que semeia na sua carne, da carne ceifará a corrupção; mas o que semeia no Espírito, do Espírito ceifará a vida eterna” (Gl 6:8).

O primeiro grupo, formado pelos que semeiam na carne, são aqueles que deixam a velha natureza decaída e corrompida pelo pecado seguir livremente o seu curso. Já o segundo grupo, os que semeiam no Espírito, são os que vivem pelo Espírito Santo, ou seja, sua liberdade está no “ser guiado pelo Espírito” (Gl 5:18). A diferença entre esses dois grupos é imensa. O primeiro encontra a destruição e tormento eterno, enquanto o segundo colherá vida eterna da parte do Espírito.

Nos versículos seguintes, o apóstolo exorta a respeito da perseverança na semeadura, dizendo que não podemos nos cansar de fazer o bem, “porque no devido tempo colheremos, se não desistirmos”.

Devemos entender esse “fazer o bem” como uma expressão bem ampla que expressa o tipo de conduta característica dos verdadeiros seguidores de Cristo, que são seus imitadores, que refletem seu caráter e que possuem as virtudes do fruto do Espírito.

Obviamente isso inclui a provisão aos necessitados, tanto na área material (como no caso de 2 Coríntios com comida, contribuições, abrigo etc.) quanto na área espiritual, provendo ânimo, aconselhamento, instrução etc.

O apóstolo conforta seus leitores dizendo que com perseverança no tempo certo a colheita virá. Esse tempo não é determinado pelo homem, mas é segundo os planos eternos de Deus. Além do mais, a colheita é simplesmente uma recompensa da graça e não dos méritos, visto que de nós mesmos não podemos fazer nada de bom, mas é pela ação do Espírito Santo em nós que somos capacitados a viver uma vida que agrada a Deus.

Sinceramente eu gostaria muito que a lei da semeadura fosse pregada todos os dias, mas não essa versão contaminada e distorcida que os falsos profetas pregam, e, sim, a versão puramente bíblica que expõe a verdade de que aquilo que o homem plantar isso também ele colherá. Com Deus não se barganha, e ninguém poderá escapar do seu juízo iminente.

Aplicativo de Estudo Bíblico

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