O Que Significa “Levou Cativo o Cativeiro e Deu Dons Aos Homens”?

A Bíblia diz que Jesus “levou cativo o cativeiro e deu dons aos homens” (Efésios 4:8). Isso significa que quando Cristo subiu triunfante ao Céu após a ressurreição, Ele também levou cativo consigo muitos prisioneiros e distribuiu dádivas aos homens. Mas o contexto desse versículo bíblico é fundamental para entendermos o significado correto dessa declaração.

Foi o apóstolo Paulo quem escreveu que o Senhor Jesus levou cativo o cativeiro. E ele aplicou essas palavras ao falar sobre a origem dos dons que são dados aos crentes. Isso, inclusive, ocorre dentro de uma seção prática da Carta aos Efésios onde o apóstolo ressaltou a importância de os crentes viverem de acordo com a sua vocação como filhos de Deus.

Então à luz desse contexto, Paulo falou sobre o caráter fundamental da unidade da fé e o serviço dos crentes como parte dessa unidade para a edificação do Corpo de Cristo. E nesse sentido, o apóstolo ressaltou que Deus age neste mundo e na Igreja através de pessoas; e que essas pessoas recebem a graça de serem instrumentos de Deus à medida do dom de Cristo (Efésios 4:6,7).

Em outras palavras, a ideia é que embora todos os crentes sejam chamados para o serviço, eles recebem diferentes habilidades e capacidades de acordo com à proporção que Cristo achou por bem que eles recebessem. E em seguida, o apóstolo Paulo aprofundou mais essa questão abordando o tema da origem dos dons dizendo que quando Cristo subiu às alturas, Ele levou cativo o cativeiro e deu dons aos homens (Efésios 4:8).

Mas ao falar que Cristo subiu às alturas, levou cativo o cativeiro e deu dons aos homens, Paulo estava citando um outro texto da Escritura. O texto em questão é um verso do Salmo 68, que diz: “Tu subiste ao alto, levaste cativo o cativeiro, recebeste dons para os homens e até para os rebeldes, para que o SENHOR Deus habitasse entre eles” (Salmo 68:18).

Subindo ao alto, levou cativo o cativeiro

O Salmo 68 citado pelo apóstolo Paulo, celebra a entronização de Deus no Monte Santo após sua marcha triunfante de conquista sobre os seus inimigos. Obviamente a citação que Paulo fez desse verso não foi literal, mas interpretativa. Paulo interpretou esse salmo como que apontando para a ascensão de Jesus Cristo ao Céu. Seu objetivo era colocar de forma clara aos seus leitores que a mensagem do Salmo 68 encontra o seu cumprimento final em Cristo.

Nos tempos antigos, quando um rei ou guerreiro voltava vitorioso de uma campanha militar, ele trazia consigo os despojos da batalha e seus inimigos amarrados como prisioneiros. Então com esse pano de fundo em mente, ao falar que Cristo subiu ao alto, levou cativo o cativeiro e deu dons aos homens, Paulo retratou Cristo retornando à morada celestial vitorioso de sua batalha na terra carregando junto dele os prêmios de seu grande triunfo no Calvário.

A expressão “levou cativo o cativeiro” precisa ser interpretada dentro do contexto bíblico que apresenta os homens como inimigos de Deus vivendo debaixo da maldição do pecado e incapazes de escapar da condenação da morte. Mas em sua crucificação e ressurreição, Cristo venceu a morte, o pecado e as forças espirituais das trevas; e mediante sua obra redentora Ele conquistou a salvação do seu povo, devolvendo a Deus aqueles que, antes, estavam aprisionados pelo pecado.

Isso significa que Cristo não voltou ao Céu de mãos vazias após ter descido às profundezas da terra em seu processo de humilhação. Ao contrário disso, Ele retornou ao Céu com todos os méritos de seu sacrifício expiatório. Ele voltou para o Céu triunfante, de posse plena da salvação do seu povo; um povo que estava, por assim dizer, presente em sua marcha triunfal como cativos em suas fileiras, como se estivessem acorrentados em seu carro (Hendriksen W., 1968).

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E deu dons aos homens

Tal como nos tempos antigos o rei vitorioso recebia presentes e distribuía os despojos da batalha em seu reino, o Cristo vitorioso também distribuiu os tributos de sua vitória por todo o seu Reino. Na verdade, a aplicação de Paulo acerca desse princípio é tão profunda, que parece que olhou para os antigos inimigos que foram resgatados pelo Senhor, como dons que o próprio Cristo distribui à sua Igreja.

Em outras palavras, mediante sua obra redentora, o Cristo triunfante recebeu os cativos que outrora estavam encerrados sob a condenação do pecado, e os deu como presentes ao seu Reino; ou melhor, Ele distribuiu esses cativos como dádivas para a obra do seu Reino. A ideia aplicada aqui é que os presentes que Cristo distribui à sua Igreja são pessoas dotadas com habilidades e capacidades especiais para cumprir o seu propósito.

O próprio apóstolo Paulo foi um exemplo claro da implicação da verdade de que Cristo subiu ao Céu, levou cativo o cativeiro e deu dons aos homens. Embora anteriormente ele tivesse sido inimigo do Evangelho, Cristo o resgatou e o entregou como um “dom” que, através do seu serviço em sua carreira cristã, continua abençoando a Igreja até os dias de hoje.

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